Cultura & Lazer

Osesp toca com Sir Richard Armstrong e Sheku Kanneh-Mason

A Orquestra Sinfรดnica do Estado de Sรฃo Paulo (Osesp) recebe, nesta semana, na Sala Sรฃo Paulo o maestro britรขnico Sir Richard Armstrong, entre quinta (30) de marรงo e sรกbado (01) de abril. O talentoso violoncelista britรขnico Sheku Kanneh-Mason รฉ o solista convidado dessas apresentaรงรตes, cujo programa reรบne Blumine, de Gustav Mahler; Schelomo – Rapsรณdia Hebraica, de Ernest Bloch; e a Sinfonia Escocesa, de Mendelssohn-Bartholdy. Vale lembrar que a performance de sexta (31) de marรงo, ร s 20h30, terรก transmissรฃo ao vivo no canal oficial da Osesp no YouTube.

Jรก no domingo (02) de abril, acontece a primeira ediรงรฃo da Festa Internacional do Piano โ€“ FIP Clรกssica desta temporada. A pianista Isata Kanneh-Mason e seu irmรฃo Sheku sรฃo os convidados do recital de estreia, e apresentam um programa com trรชs peรงas em forma de sonata: a Sonata para Violoncelo e Piano, de Frank Bridge; a Sonata para Violoncelo e Piano, de Chopin; e a Sonata em Rรฉ Menor de Shostakovich.

Em 1884, Gustav Mahler (1860-1911) escreveu a trilha incidental para as cenas de O Trompetista de Sรคckingen, um poema รฉpico de Joseph Viktor von Scheffel (1826-86). Essa mรบsica se perdeu, mas se descobriu que, no segundo movimento da versรฃo original de sua Sinfonia nยบ 1, Mahler havia reaproveitado um desses quadros sonoros, em que o protagonista, o instrumentista do tรญtulo, toca uma serenata para sua amada. Posteriormente excluรญdo da Sinfonia nยบ 1, esse movimento passou muito tempo esquecido e foi redescoberto apenas em 1966. O tรญtulo, Blumine, faz referรชncia a uma coletรขnea de artigos publicada por Johann Paul Friedrich Richter (1763-1825), escritor a quem Mahler devotava grande admiraรงรฃo.

As origens de Schelomo remontam ao inรญcio da Primeira Guerra Mundial, quando Ernest Bloch (1880-1959), tomado pelas angรบstias de tempos difรญceis, dedicou-se ร  leitura do Koheleth, o terceiro livro de Ketuvim, que os cristรฃos conhecem como Eclesiastes. O projeto inicial contemplava transpor para voz e orquestra o famoso texto โ€œVaidade de vaidades! Tudo รฉ vaidadeโ€, mas a falta de domรญnio do hebraico e a certeza de que um texto transliterado nรฃo iria ao encontro de suas expectativas fez com que Bloch engavetasse a ideia. No final de 1915, o compositor conheceu em Genebra o violoncelista russo Alexander Barjansky e sua esposa, a escultora Catherine. A amizade foi imediata. โ€œImpressionado pelo maravilhoso mรบsico, decidi deixar a voz humana de lado, expandir os limites impostos pelo texto e empregar uma voz muito mais profunda, que falasse todas as lรญnguas: o violonceloโ€, escreveu Bloch nas notas de programa da Orquestra Augusteo, de Roma, quando a obra foi apresentada em 1933. Enquanto trabalhava na partitura, Bloch foi presenteado por Catherine com uma pequena estรกtua do rei Salomรฃo e, apesar das atuais dรบvidas histรณricas sobre a autoria do Eclesiastes, nomeou sua nova partitura de Schelomo.

Embora Felix Mendelssohn-Bartholdy (1809-1847) tenha publicado a Sinfonia Escocesa sem referรชncias programรกticas, รฉ possรญvel associar vรกrios de seus elementos ร  histรณria escocesa e ร  ambientaรงรฃo naquele paรญs. A obra comeรงa com uma introduรงรฃo lenta e misteriosa, apenas com violas e sopros, possivelmente aludindo ร  experiรชncia na capela onde Mary foi coroada rainha da Escรณcia. A sonoridade vai lentamente se iluminando, como se fรดssemos levados, num devaneio, ร  รฉpoca da rainha. O segundo movimento sugere a sonoridade de canรงรตes folclรณricas escocesas, embora nรฃo cite qualquer tema conhecido. O terceiro รฉ um โ€œAdagioโ€, frequentemente descrito como um lamento para Mary โ€“ a rainha ou, talvez, a santa. O รบltimo movimento tem carรกter marcial e cresce para o triunfo marcado pelos metais com toda a orquestra. A Sinfonia termina com uma coda baseada em uma melodia que Mendelssohn utilizara em uma Ave Maria anterior โ€“ novamente associando a virgem ร  soberana e nos trazendo de volta ร  capela do inรญcio, agora ร  รฉpoca de seu esplendor.