Saúde

Pesquisa revela que 34% dos homens e 41% das mulheres nunca praticam atividade física

Estudo mostrou que apenas 20% dos entrevistados praticam exercícios físicos regularmente (Foto: Divulgação)

Uma pesquisa inédita realizada pela Sociedade de Cardiologia do Estado de São Paulo (SOCESP) revela um cenário preocupante sobre a adesão da população à prática de atividade física, um dos principais fatores de prevenção e controle das doenças cardiovasculares (DCVs). O levantamento, conduzido na capital paulista, litoral e cidades do interior do Estado, mostra que homens e mulheres ainda se exercitam menos do que o recomendado, com maior predominância de sedentarismo entre as mulheres. 

De acordo com o estudo, 34% dos homens afirmam nunca praticar atividade física, enquanto 24% dizem praticar raramente, 22% às vezes e apenas 20% frequentemente. Entre as mulheres, os índices são ainda mais alarmantes: 41% nunca praticam atividade física, 27% raramente, 18% às vezes e somente 20% frequentemente. Para o cardiologista Andrei Sposito, diretor da SOCESP e coordenador da pesquisa, os dados reforçam a necessidade urgente de conscientização da população sobre o impacto do sedentarismo na saúde do coração. 

“Ainda estamos distantes do ideal quando falamos em atividade física como ferramenta de prevenção cardiovascular. O sedentarismo é um dos principais fatores modificáveis de risco para doenças do coração, e sua redução depende tanto de políticas públicas quanto da mudança de hábitos individuais”, afirma Sposito. Segundo o cardiologista, a prática regular de exercícios contribui para o controle da pressão arterial, melhora os níveis de colesterol, auxilia no controle do peso corporal e reduz significativamente o risco de infarto e acidente vascular cerebral. “Não estamos falando apenas de longevidade, mas de qualidade de vida”, destaca. 

A relevância do tema é tamanha que a adesão da população à atividade física será um dos assuntos debatidos durante o 46º Congresso da SOCESP, que acontece de 4 a 6 de junho, em São Paulo, e reunirá especialistas de todo o país e internacionais para discutir estratégias de prevenção, diagnóstico e tratamento das doenças cardiovasculares. Durante o congresso, médicos, profissionais de saúde e pesquisadores irão analisar os impactos do estilo de vida contemporâneo, marcado por longos períodos sentado e baixa movimentação, e buscar propostas práticas para incentivar hábitos mais saudáveis na população. 

Além dos dados nacionais, evidências científicas internacionais, que serão debatidas, reforçam a importância de combater o sedentarismo. Um estudo recente*, realizado em países da Europa e Estados Unidos, com mais de 40 mil participantes, demonstrou que aumentar em apenas cinco minutos diários o tempo de atividade física moderada já pode reduzir o risco de morte prematura. A pesquisa também apontou que diminuir em cerca de 30 minutos por dia o tempo total sentado contribui significativamente para a redução desse risco. 

Os resultados indicam que não é necessário realizar exercícios intensos ou passar horas na academia para obter benefícios. Para Pedro Senger, coordenador geral de Educação Física da SOCESP, a mensagem principal é tornar o movimento parte natural da rotina diária. “Precisamos desmistificar a ideia de que só atividades longas ou intensas trazem benefícios. Pequenos períodos de movimento durante o dia já ajudam a proteger o coração. Interromper o tempo sentado, caminhar alguns minutos e aumentar gradualmente a atividade física são atitudes acessíveis e capazes de salvar vidas”, afirma. 

Especialistas ressaltam que o sedentarismo tem se tornado cada vez mais comum devido ao trabalho prolongado em frente a telas, ao uso frequente de dispositivos eletrônicos e a hábitos cotidianos que exigem pouca movimentação. Quando associado à ausência de exercícios regulares, esse comportamento pode contribuir para obesidade, diabetes e doenças cardiovasculares. As discussões sobre sedentarismo e risco cardiovascular integram o fórum de especialistas, que contará com, além de cardiologistas e educadores físicos, cirurgiões dentistas, enfermeiros, farmacêuticos, fisioterapeutas, nutricionistas, psicólogos, profissionais de serviço social e cuidados paliativos.