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Raicca Ventura voa alto e leva Santo André à final do STU Criciúma, que acontece neste domingo (12)

É Santo André nas alturas com Raicca Ventura. A skatista andreense voou alto no sábado (12) na semifinal feminina do STU National Criciúma. Após o título da primeira etapa, em Porto Alegre (RS), Raicca mostrou que será mesmo difícil superá-la. Foi dela a maior nota dentre as dez semifinalistas, tirando um 85,15 na segunda de suas três voltas. Mas, qual seria o segredo para um desempenho diferenciado nas pistas? Argumentada sobre o assunto, a skatista de Santo André (SP) não escondeu suas características e todo seu potencial.

“O que tento sempre fazer nas minhas voltas é correr as bordas o máximo que eu consigo e também subir os aéreos o mais alto possível, tentando executar tudo com perfeição. Deu tudo certo hoje, consegui fazer o que planejei e amanhã vou mudar algumas manobras para tentar melhorar ainda mais minha volta. Acho que vai ser uma final insana, porque o nível da semifinal já foi muito alto, bem parelho”, disse Raicca, uma das representantes do Brasil nos Jogos Olímpicos de Paris.

Raicca, inclusive, busca o bicampeonato na etapa de Criciúma. Ela foi campeã na edição de 2022. Chegou à final novamente na edição seguinte, mas não conseguiu pódio. Em 2024, preferiu se resguardar de muitos eventos para focar na Olimpíada. Até por conta disso, ficou sem ranking e sem vaga para correr a temporada 2025 do STU National. “Por isso voltei esse ano a Criciúma matando essa vontade que eu estava de estar aqui novamente”, admitiu.

Raicca Ventura está na final do STU National Criciúma, que acontece neste domingo (12)
(Foto: Pablo Vaz / STU)

Na semifinal do Park masculino, foi um festival de notas acima dos 90 pontos. O circuito nacional de skate mais badalado e conceituado do mundo viveu um dia muito especial, com uma bateria em que todos os nomes figuraram no “9 Gang”. O comentário geral no Parque da Prefeitura era de que parecia uma final antecipada. E a primeira bateria já mostrava que o nível seria mesmo muito alto.

Pedro Vita e Pedro Barros já jogavam o sarrafo lá em cima na abertura da semifinal, com as notas 90,71 e 90,00, respectivamente. O outro da bateria a avançar para a final foi Rafael Tomé. Apenas um presságio do que estaria por vir. Mais cinco nomes na pista numa busca insana pelas outras três vagas na final. E o que foi visto ali ultrapassa os limites imagináveis, tamanho nível de qualidade mostrada pelos envolvidos. O público parecia estarrecido.

Augusto Akio foi o primeiro a brilhar, com a nota 92,30 logo na primeira volta. Na sequência, Kalani Konig, atual vice-campeão mundial, superou essa barreira e fez 93,61. Na mesma segunda rodada de voltas para cada um, Nicolas Falcão fez 90,02, Pedro Carvalho tirou 91,00 e Miguel Leal, 90,90. Show de manobras e notas altíssimas. Mas não parou por aí. Na última tentativa de cada um, Akio saltou para 93,03. Até Pedro Carvalho fazer um absurdo 93,89.

“Foi incrível! Ontem, quando vi a bateria, já sabia que o nível seria muito alto. Estou feliz de ter cravado minha volta e ter classificado para a final. Criciúma tem um espaço muito especial no meu coração, foi onde conquistei, no ano passado, minha primeira etapa de STU. Gosto muito dessa pista e da vibe da galera. E imagina só como será o nível amanhã? Seria lindo sair daqui com a mesma sensação de 2025, com o sentimento de dever cumprido”, desabafou Pedro.

STREET – Os jovens Maria Lúcia e Matheus Mendes, ambos de apenas 16 anos, avançaram com o melhor desempenho para as respectivas finais deste domingo (12). Um deleite para o público, que compareceu em grande número.

A nova geração já era vista na primeira semifinal do dia. Entre as meninas, a gaúcha Maria Lúcia, a maricaense Duda Ribeiro, de 15 anos, e a pequena paulistana Manuella Moretti, a mais nova, de apenas 14, foram as únicas a superar a casa dos 80 pontos. As três, inclusive, estiveram juntas na segunda bateria e deram um show, juntando-se às mais experientes Gabi Mazetto, Isabelly Ávila e Rafaela Murbach na final deste domingo.

“Como é bom ter o privilégio de andar com esses grandes nomes do Street feminino! E chego nessa nova geração que é bem pesada, uma sempre puxando o nível da outra. E não podemos parar. Temos que continuar treinando muito e evoluindo. Hoje, quando entrei na pista, já coloquei na cabeça que acertaria logo minha primeira volta para não ter choro. Até chegou a bater um vento mais forte quando daria uma das manobras no corrimão, mas deu tudo certo”, disse Maria.

Mas o que a deixou mais calma para acertar sua linha de primeira, ganhando a nota 84,43 que não seria batida por mais ninguém, foi uma música escolhida pelo pai. Surpreendeu por ser um pagode (“Clareou”, de Xande de Pilares), estilo pouco ouvido pelos skatistas nas pistas. Uma das partes da letra diz “levante a cabeça, a vida não é tão ruim; um dia a gente perde, mas nem sempre o jogo é assim; pra tudo tem um jeito, e se não teve jeito ainda, não chegou ao fim”.

“O meu pai não falou nada pra mim, só disse que escolheria uma música. Até eu fiquei surpresa quando ouvi que era um pagode. Mas foi mais por causa da letra, que é muito boa, um grande incentivo mesmo”, revelou Maria, que já anda de skate há quatro anos, desde os 12, e aproveitou para adiantar a música que ela mesma escolheu para a final deste domingo. “A música de amanhã eu mesma já escolhi. Será Tempo Perdido, do Legião Urbana”.

No masculino, o nível foi ainda mais alto. A segunda bateria, por exemplo, foi digna de uma final. Na primeira, para se ter uma ideia, a maior nota foi de Sebastian Simonetto, um 84,69. Na seguinte, a menor delas foi do skatista Bruno Melão, um 89,35. Os três melhores entraram no ‘9 Gang’, grupo dos que arrancam dos juízes nota acima dos 90 pontos: Matheus Mendes tirou a maior do dia (92,67), João Lucas Alves ficou com 91,08 e Wallace Gabriel, com 91,06.

“Não vou dizer que fiz o meu máximo, porque acho que consigo mandar outras manobras, mas me esforcei bastante para poder acertar minhas voltas e consegui me classificar para a final. Vimos uma primeira bateria muito boa, mas essa segunda foi tipo uma final. E estou muito feliz com meu primeiro Nine Gang no STU. Espero que seja o primeiro de muitos”, desabafou.

PROGRAMAÇÃO:

Domingo (12/04)
13h – Abertura para o público
13h45 às 14h30 – Final Street feminino
14h45 às 15h30 – Final Park feminino
15h30 – PREMIAÇÃO Street e Park feminino
16h às 16h40 – Final Park masculino
16h45 às 17h30 – Final Street masculino
17h45 às 18h35 – Final Paraskate Park
18h35 – PREMIAÇÃO Street, Park e Paraskate masculino