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Ricardo Brito: “Se há oportunidade de negócio, não é por falta de crédito que não será executada no Estado”

Ricardo Dias Brito é presidente da Desenvolve SP

O presidente da Desenvolve SP- Agência de Fomento Paulista, Ricardo Dias Brito, em entrevista exclusiva à Folha, revelou os avanços na concessão de crédito na gestão do governador Tarcísio de Freitas, contou que a Agência possui mais de 30 linhas de crédito, já beneficiou empresas e municípios do ABC com mais de R$ 89 milhões. Também destacou a linha especial para os exportadores em contrapartida ao tarifaço norte-americano.

“A Desenvolve SP é a agência de fomento do Estado de São Paulo. Fazendo uma analogia, a gente é o BNDES paulista. Quer dizer que a gente dá crédito para as empresas aumentarem a sua capacidade produtiva. Então, as empresas nos procuram porque elas querem ampliar,  querem comprar máquinas e equipamentos novos, fazer um plano de eficiência energética e ficarem mais modernas e eficientes. Ou o empreendedor nos procura porque ele quer abrir uma empresa, a Desenvolve SP também financia empresas pré-operacionais”,  diz Brito.

De acordo com o presidente, a Agência ajuda a fazer valer a máxima de que São Paulo é o estado das oportunidades. “Se você tem uma oportunidade de negócio, não vai ser por falta de crédito que você vai deixar de executá-la em São Paulo. Tem crédito na Desenvolve SP e a gente consegue viabilizar essa oportunidade. Mesmo quem não tenha nascido em berço esplêndido e não tenha patrimônio, consegue fazer uma operação de crédito. Temos uma ferramenta chamada fundo de aval, que é um fundo garantidor, para fazer o seguro dessa operação e é um seguro a menos do que o preço de custo”, explica.

O diferencial da Desenvolve SP, segundo Brito, é que a instituição não olha somente para o lucro próprio, mas na contribuição do desenvolvimento para o Estado. “Somos uma instituição financeira diferente, que está olhando não para o lucro próprio, mas para o retorno que isso vai gerar para o Estado em termos de geração de renda e emprego para a família daquele empreendedor e para o entorno do empreendedor, ou seja, a cidade e o próprio Estado”, destaca.

Segundo o presidente, empresas menores possuem taxas de crédito menores, assim como municípios com Índice Paulista de Desenvolvimento Municipal (IPDM).  “O (secretário de Desenvolvimento Econômico do Estado) Jorge Lima sempre nos diz que São Paulo é um estado rico, mas desigual e a Secretaria de Desenvolvimento Econômico tem a função de trazer todo mundo junto. Estamos sinalizando via taxa de juros, onde aquele empreendimento vai adicionar mais valor, de novo, para o cidadão daquela cidade e para toda a economia local. Não é porque a gente acha que a capital adiciona menos valor, mas é porque a capital está mais bem servida de crédito”, revela.

COMO FUNCIONA A CONCESSÃO DO CRÉDITO

O presidente conta que Desenvolve SP possui diferenciais vantajosos e que é avaliado o plano de negócios e analisado o retorno real esperado. “A Desenvolve SP concede até 10 anos de prazo e até três anos de carência, é bem mais longo do que a média do mercado. Esse é outro diferencial da Desenvolve, assim como a taxa que a gente pratica, não usamos a Selic, usamos a taxa de juros real. Então, a gente financia empresas pré-operacionais, assim como a gente vai financiar as operacionais. Somos mais flexíveis na negociação das garantias, fazemos por um prazo longo, com uma carência longa e fazemos a uma taxa previsível, que é uma taxa real mais inflação”, afirma.

Conforme o presidente, em uma semana, mais ou menos, um consultor entrará em contato para iniciar a negociação de crédito “Ele vai pedir mais dados, mais detalhes sobre onde é que você vai investir, vai pedir um plano de negócios e fazemos uma análise de crédito parecida com a de um banco. A diferença é que não vamos olhar para o seu passado, vamos olhar para o seu futuro. Não queremos saber o que a sua empresa é, queremos saber o que a sua empresa será depois desse investimento. E faz sentido porque a gente está emprestando esse recurso por 10 anos. Então, essa é a lógica de um projeto de investimento”, esclarece.

A Desenvolve SP possui mais de 30 linhas de crédito, como de inovação, sustentabilidade, para mulheres (com taxas mais baixas), entre outras. “Nosso consultor vai sempre olhar para aquele projeto e tentar o melhor enquadramento, porque a gente não visa lucro, o que a gente visa é gerar esse impacto máximo. Só não financiamos o imobiliário puro, o nosso recurso não pode ser usado para financiar compra de terreno”, afirma.

CAPITAL DE GIRO

Ricardo conta que a agência também concede crédito para capital de giro. “Não é a nossa especialidade, porque capital de giro é só se há relação com o cliente. Como não temos esse relacionamento prévio, aí a lógica é olhar para trás, para ver quanto a empresa faturou no passado para saber qual é a capacidade, e faz sentido, pois quem está pegando capital de giro não vai transformar a empresa”, frisa.

A Desenvolve SP também auxilia os empresários e empreendedores em momentos de emergência financeira, como na pandemia de Covid-19. “Quem pleiteia um projeto de investimento, até 30% do valor pode ser capital de giro. A ideia é se minha empresa cresceu, agora, preciso de mais capital de giro e posso pegar junto com o financiamento para o investimento”, comenta o presidente.

ABC

Ricardo revela que a Desenvolve SP já liberou para o ABC R$ 89 milhões. “É pouco para a importância que o ABC tem. Estamos falando de uma agência de fomento que é pequena para o tamanho de São Paulo, mas a gente faz algo em torno de R$ 1 bilhão por ano de operações de crédito. O ABC corresponde a 13% da economia paulista, então, os sete municípios da região podem pegar mais recursos”, afirma.

Deste total, R$ 50 milhões foram para o setor público. “Um case que a gente financiou foi uma operação para a Prefeitura de São Bernardo, o novo CEITEC (Centro de Inovação e Tecnologia)”, contou. Outro case foi a construção de uma unidade pública de Saúde em São Caetano, capaz de atender mais de 32 mil pessoas por mês.  

O presidente também conta que uma indústria de Mauá fez um financiamento para eficiência energética, por meio do PotencializEE- Programa de Cooperação para o Desenvolvimento Sustentável, em parceria com a Agência Alemã de Cooperação Internacional-GIZ e com o Senai. “Temos uma parceria muito boa com o Sebrae, também. O Sebrae tem estatísticas mostrando o tanto que é provável de uma empresa dar certo, se não queimar etapas, se trabalhar bem a sua oportunidade de negócios antes de investir”, diz.

Ricardo Dias Brito, presidente da Desenvolve SP, agência de fomento do Estado de SP

TARIFAÇO

Segundo Brito, o governador Tarcísio de Freitas, “no dia seguinte” ao anúncio do tarifaço norte-americano, anunciou a linha especial de crédito de R$ 400 milhões para os exportadores. “O BNDES demorou uns 15 dias depois da gente ou mais”, lembra.

O presidente ressalta que é preciso preservar essas empresas que são “excelentes” e que ficaram em desvantagem por causa da sobretaxa. “Temos uma linha de capital de giro exportador para os Estados Unidos, com uma taxa abaixo do que seria uma taxa de mercado. O intuito é contrabalançar essa desvantagem artificial que a tarifa colocou, dando para essas empresas um respiro para que elas não entrem em pane e a gente perca empresas tão produtivas”, revela.

Em 2024, o Estado de São Paulo exportou US$ 14 bilhões para os Estados Unidos e o governo se mobiliza para que esse valor não sofra com os impactos. “A ideia é, ele investiu, mobilizou capital para exportar e, agora, tem que pagar os fornecedores, mas não vai vender. Como é que a gente não impede que essa cadeia necrose? Damos o recurso, ele paga o fornecedor e tem mais tempo para realocar a produção dele”, completa.

Até o momento já foram liberados R$ 20 milhões. “Temos outros R$ 126 milhões em análise avançada e outros R$ 263 milhões em análise inicial, de modo que a gente tem 146 pedidos”, conta.

EVOLUÇÃO AO LONGO DO GOVERNO TARCÍSIO

Em quase três anos do governo Tarcísio de Freitas, o presidente da Desenvolve SP destaca que houve mudança no perfil das concessões de crédito. “Em parte, por causa da pandemia, quando a gente chegou, o grosso das nossas operações para setor privado era giro. Hoje, o grosso das nossas operações são projetos de investimento. E, para o setor público, o grosso dos nossos projetos era para recape e isso não é aumento de capacidade, é custeio, manutenção. Então, hoje, não fazemos mais recape. Quando financiamos o setor público, são obras mais estruturantes. É uma rede de saneamento, é uma usina fotovoltaica, é um pronto-socorro, é um prédio de escola. Isso a gente mudou também”, diz. “Acho que tem um aspecto legal, abrimos uma frente de investimento em fundos estruturados. Parece meio técnico, mas o resultado é muito concreto”, completa.

NOVIDADES PARA 2026

Brito comenta que está fazendo várias modernizações na Desenvolve SP desde 2023 e espera avançar e concluí-las em 2026. “Precisamos ser mais velozes na análise do crédito. Tudo isso está acontecendo. Acho que essas coisas tendem a ficar prontas em 2026. Mas, acho que a grande novidade, ideia do Jorge Lima, inclusive, é a Desenvolve SP estar aberta para fazer parcerias com as secretarias de desenvolvimento ou secretarias do trabalho municipais. Então, temos a sede na Rua Consolação, em São Paulo e acessar os 645 municípios é muito difícil, mas a Desenvolve já é digital, por meio do nosso site (desenvolvesp.com.br), pode-se pedir o crédito estando em qualquer lugar do Estado”, ressalta.