AME Memórias de São Bernardo

Rua Benedito Montenegro Rua das Auto Escolas

Postes e cabos da subestação da Light no terreno ao lado da rua Benedito Montenegro

Terceira travessa de quem sobe a rua Silva Jardim, antes do Hospital Padre Anchieta, no Centro de São Bernardo. Pois foi nessa bucólica ruazinha, um beco sem saída, que eu fui morar em 1955 logo que mudamos da rua Terezi-nha Setti. Só haviam duas casas, a de número 1, do Sr. Antônio e a nossa de número 2.
De um lado um grande terreno que apelidamos de pasto e do outro um grande muro alto, cercado com arame farpado, para evitar a entrada de intrusos, pois ali funcionava a subestação da Light, local onde, através de grossos cabos, chegava a energia gerada na Usina Henry Borden, de Cubatão e dali era distribuída para toda cidade de São Bernardo.
Nesta ruazinha, pavimentada com paralelepípedos, brincávamos com toda espécie de folguedos próprias das crianças da época. Do lado do pasto, também existia uma enorme torre de ferro, que sustentava os cabos por onde eram transportadas a energia elétrica. Nessa torre costumávamos brincar também dependurados até uma certa altura, sem chegar perto dos cabos de alta tensão. Debaixo dessa torre havia um belo gramado, onde minha mãe e a nossa vizinha, costumavam estender as roupas brancas que era para quarar ao sol e deixá-las branquinhas.
Com o passar dos tempos, uns oito anos, se muito, a rua passou a ser local usado pelas autoescolas, para o treinamento dos futuros motoristas, que vinham ali, aprender a fazer a temida baliza e a faixa, e sair dirigindo com o instrutor pelas ruas próximas, para num determinado dia, vir fazer o exame prático. Um dos fiscais que ali trabalhavam, era o Sr. Roque Menucelli, dono da funerária do município. Homem alto, sisudo de poucas conversas, que de longe observava a atuação dos candidatos a motoristas.
Quando o candidato passava no teste, permitia que tirasse o carro até a esquina. Se não tivesse sido aprovado, já mandava descer do carro e chamava o instrutor para retirar o veículo. Naqueles tempos eram poucas as autoescolas existentes. Algumas usavam o fusquinha, outras o jeep; tinha uma que usava aqueles carros antigos, tipo calhambeque, enfim era o que se usava na época.
Em 1966, eu também fui me submeter ao rigoroso exame para obter a minha Carteira Nacional de Habilitação – CNH. E tive até uma plateia – do muro da minha casa, lá estavam meus pais e minhas irmãs, torcendo para que eu fosse bem-sucedido. E eu fui aprovado.

Roberto Tanaami – integrante da AME (Associação dos Amigos da Memória de São Bernardo).

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