
O aumento de quase 32 vezes no número de casos de sarampo nas Américas na passagem de 2024 para 2025 fez a Organização Pan-Americana da Saúde (Opas), escritório regional da Organização Mundial da Saúde (OMS), emitir um alerta para países da região.

Em 2025, o continente identificou 14.891 registros da doença, um salto em relação aos 446 casos do ano anterior. Foram 29 mortes em 2025.
Já em 2026, a comparação mostra crescimento ainda maior. Em janeiro, dados parciais da Opas apontam 1.031 casos, número quase 45 vezes superior aos 23 do mesmo período de 2025. Não há confirmação de morte.
Assim o sarampo voltou a preocupar autoridades de saúde em diferentes regiões do mundo. A redução nas taxas de vacinação e a circulação internacional de pessoas são apontadas como fatores que podem favorecer o reaparecimento de surtos da doença.
De acordo com a Profa. Dra.Mariana Cristina Cabral Silva, professora e coordenadora do curso de Biomedicina do Centro Universitário Fundação Santo André, o sarampo continua sendo uma doença que exige vigilância epidemiológica e conscientização da população.
“O sarampo é uma infecção viral extremamente contagiosa. A transmissão ocorre principalmente por via respiratória, por meio de gotículas liberadas ao tossir, espirrar ou falar. Por isso, quando a cobertura vacinal diminui, o risco de novos casos aumenta significativamente”, explica a professora.
O que é o sarampo?
O sarampo é causado por um vírus da família Paramyxoviridae e pode provocar sintomas como:
- febre alta;
- manchas vermelhas pelo corpo;
- tosse e coriza;
- irritação nos olhos (conjuntivite);
- mal-estar geral.
Embora muitas pessoas se recuperem sem complicações, a doença pode evoluir para quadros graves, especialmente em crianças pequenas, idosos e pessoas com sistema imunológico comprometido.
A importância da vacinação
Segundo especialistas, a vacinação continua sendo a forma mais eficaz de prevenir o sarampo. A vacina tríplice viral — que protege contra sarampo, caxumba e rubéola — é amplamente utilizada nos programas de imunização.
“A vacinação é uma das estratégias mais importantes da saúde pública. Quando grande parte da população está imunizada, cria-se um efeito de proteção coletiva, reduzindo a circulação do vírus e protegendo também pessoas mais vulneráveis”, destaca a Profa. Mariana.
Ciência e vigilância em saúde
A professora também ressalta o papel da ciência e dos profissionais da área biomédica no monitoramento e controle de doenças infecciosas.
Entre as atividades desenvolvidas por biomédicos estão: identificação de agentes infecciosos em análises laboratoriais; apoio a estudos epidemiológicos; pesquisa científica sobre vírus e doenças infecciosas e contribuição para estratégias de diagnóstico e prevenção.
“A pesquisa científica e a vigilância epidemiológica são essenciais para compreender como as doenças circulam e para orientar políticas de saúde pública mais eficazes”, afirma.
Informação como ferramenta de prevenção
Para especialistas, combater a desinformação e ampliar o acesso à informação científica são medidas fundamentais para prevenir surtos de doenças infecciosas.
No Centro Universitário Fundação Santo André, temas relacionados à saúde pública, virologia e diagnóstico laboratorial fazem parte da formação dos estudantes de Biomedicina, preparando profissionais para atuar em diferentes áreas da saúde.
“Investir em ciência, educação e vacinação é essencial para proteger a população e evitar o retorno de doenças que já estavam sob controle”, conclui a professora.













