Qual foi a última vez que você sentiu algo? A pergunta, simples e profunda, abriu caminho para uma experiência que ultrapassou o palco. O sábado do dia 6 de dezembro de 2025 ficará marcado na história para toda a comunidade do Colégio Harmonia: foi o dia em que o Ginásio Poliesportivo de São Bernardo do Campo se transformou em território do sensível durante o espetáculo de fim de ano do Colégio.
Ali, onde costumam ecoar passos apressados e rotinas escolares, nasceu uma jornada sobre aquilo que não se vê, mas nos atravessa: o sentir.

(Foto: Divulgação)
A proposta era ousada: transformar emoções em movimento, ideias em corpo, vivências em cena. E foi exatamente isso que aconteceu. O espetáculo SENTIR – o invisível que nos atravessa percorreu, em doze atos, os caminhos que formam a essência humana, do coletivo ao íntimo, da infância à maturidade, do silêncio à explosão de sons, cores e sensações. Cada grupo, cada turma, cada gesto parecia lembrar ao público que sentir é, antes de tudo, existir.
“A escolha do SENTIR veio com o desafio de convidar uma equipe inteira a se permitir, a mergulhar em experiências internas e a transformar essência em movimento. Pensamos cuidadosamente em cada detalhe, desejando que nossa mensagem realmente tocasse nossos alunos e todos os convidados” disse a Coordenadora de Educação Física, Milena Battistin, sobre a escolha do tema.
“Que nesse espetáculo possamos sentir a força da nossa união, sentir o orgulho por nossos estudantes, sentir o orgulho dos filhos de vocês [pais] ao se apresentarem e sentir a esperança que se renova a cada novo ciclo. Que possamos sair daqui lembrando que, acima de tudo, a vida vale a pena ser sentida em sua totalidade”, discursou o Diretor do Colégio Harmonia, Edilson Bertucci, na abertura do evento.

(Foto: Divulgação)
Logo no início, os alunos da ginástica apresentaram um manifesto silencioso sobre pertencimento. Antes de sermos indivíduos, somos parte de algo maior, seja um grupo, uma história, uma comunidade. Dali emergiu a força do coletivo, o respeito como base, a identidade como ponto de partida.
Na sequência, os estudantes do 8º e 9º anos mergulharam na essência: vulnerabilidades, imperfeições, verdades que nos aproximam. Foi o momento de convidar-nos a olhar para dentro e reconhecer a humanidade que nos iguala.
As turmas da Educação Infantil II, III e IV trouxeram o respiro doce da infância: o sentir que se expressa pelo brincar, pela descoberta de si e dos outros, pela alegria que nasce do simples. Já a turma do Infantil V mostrou que crescer é expandir horizontes e permitir que cada descoberta se torne um novo universo.
Os 2ºs anos apresentaram o sentir como gratidão, esse olhar demorado para o agora, para o que se tem, para o que se aprende todos os dias. Já os grupos de Ritmos do EFAF lembraram que a vida pede pausas e que sentir é também valorizar o instante que escapa.
Os 1ºs anos traduziram as emoções em movimento, em tons e gestos que refletiam alegria, medo, euforia e toda a paleta que mora dentro de cada um. E, ao reconhecer as próprias emoções, os 6ºs e 7ºs anos encontraram algo precioso: a liberdade. A liberdade de ser, ocupar espaço, transformar-se.
Dos 4ºs anos veio a coragem: a força para seguir adiante mesmo quando o medo acompanha. Dos 5ºs anos, um olhar sensível sobre o tempo, esse mestre silencioso que nos molda sem que percebamos.
O Ballet trouxe um dos momentos mais poéticos da noite: o amor como força da natureza. Um amor que floresce, enraíza, acolhe e transforma. E essa poesia ganhou ainda mais potência quando alunas das turmas do Infantil dividiram o palco com estudantes dos anos avançados, criando um delicado espelho entre gerações, em que as menores enxergavam o futuro diante de si, enquanto as mais velhas reconheciam, nas pequeninas, o próprio passado. Foi sobre nos encontrarmos em nós e nos reconhecermos no outro.
Esse encontro simbólico, coreografado em gestos suaves e olhares sinceros, emocionou todos os presentes e reforçou que, aqui, crescer também é um ato de afeto compartilhado. E os 3ºs anos encerraram a narrativa com a esperança, combustível para o futuro, ponte entre o que vivemos e o que ainda sonhamos.
No fim, todos os sentimentos (coragem, liberdade, amor, tempo, gratidão e descoberta) se encontraram em cena. E, quando se encontraram, revelaram aquilo que sustenta o cotidiano do Colégio Harmonia: a harmonia que nos faz crescer.
Foi nesse exato ponto da noite, quando a essência de cada apresentação parecia convergir, que uma homenagem especial tomou o ginásio e deu forma sonora ao que até então se movia apenas no simbólico: a canção composta pelo pai Paulo Ramalho em conjunto com a Inteligência Artificial, escrita especialmente para o Colégio.
A música, que encerrou o espetáculo, costurou passado e presente ao narrar a trajetória de uma instituição nascida do sonho de imigrantes japoneses, brotada em São Bernardo do Campo e fortalecida por mais de sete décadas de legado. “De Casa de Estudantes a um farol de educação”, dizia o verso, ecoando no coral dos alunos como um lembrete de pertencimento.
Assim como o espetáculo percorreu as emoções que moldam cada indivíduo, a canção percorreu as raízes que moldam a identidade do Harmonia, unindo Brasil e Japão, disciplina e carinho, história e futuro. Na harmonia entre língua, cultura e valores, o público pôde sentir o mesmo espírito que atravessou toda a apresentação: o respeito, a gratidão e o compromisso em formar seres humanos integrais.
E quando o refrão tomou o ginásio — “uma grande família, unida para ensinar” —, a música deixou de ser uma homenagem e se tornou síntese. Ali estavam o ganbaru que pulsa nos corredores, o shitsuke como guia silencioso, o undokai vibrando como o próprio ritmo da escola.
Todos esses princípios, presentes na letra, dialogaram diretamente com a jornada do espetáculo: o coletivo que sustenta, a coragem que impulsiona, o amor que floresce, a esperança que permanece. A canção não encerrou apenas o evento, ela selou a mensagem da noite.
“Agradeço às equipes e à comunidade, porque esse não é um evento que se faz sozinho. Isso é Harmonia! Este espetáculo é fruto de um ano inteiro de criação, de muito estudo e de sensibilidade. Foi um processo intenso e transformador. Ninguém saiu desse percurso da mesma forma que entrou”, completou Milena.
O espetáculo não terminou apenas com aplausos, embora eles tenham sido intensos. Terminou com uma sensação compartilhada. Uma lembrança quase silenciosa de que, em tempos tão acelerados, sentir é um ato de resistência. E que, quando uma comunidade inteira se permite sentir junta, algo extraordinário acontece.















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