AME Memórias de São Bernardo

Tintureiro

Placa que indica o lugar da instalação da Lavanderia Vera Cruz

Nos Idos de 1950, uma dupla chamada Ouro e Prata, lançou uma música: o ’Xótis do Tintureiro’ que homenageava a figura do tintureiro, profissional muito comum naquela época. Assim era a letra: “Tem roupa pra lavar, não, não senhor. Tem carça pra passar, não, não senhor. Camisa pra engomar, não, não senhor. Tem mancha pra tirar, não, não senhor. Ele então logo agradece, e o seu caminho continua a seguir. Eu então fico a pensar, o que vou mandar lavar, se não tenho o que vestir”.
Realmente, era assim mesmo que acontecia. Às segundas-feiras, vinha um senhor de bicicleta, geralmente um japonês, que percorria as ruas do bairro, indo de casa em casa, visitando sua freguesia, perguntando se havia roupas para lavar. Naquela época, era comum os homens vestirem terno e gravata, muitos de linho branco, que exigia um capricho na hora de lavar. A forma de lavar não se dava num tanque de roupa comum, mas lavados e passados em uma tinturaria, a lavagem a frio e depois passados com ferro à vapor, que, naquela época, tinha o seu uso apenas nas tinturarias.
Em São Bernardo, havia duas tinturarias bastante conhecidas. Uma era a Tinturaria Record, fundada em 1947, localizada na Rua Marechal Deodoro 2056, de propriedade do Sr. Kunio Sato e de seu irmão. A outra era a Lavanderia Vera Cruz, do Sr. Morimoto, na Rua João Pessoa 465, as duas situadas no Centro da cidade.
Em ambas era comum o trabalho de toda família. Outras tinturarias surgiram nos bairros, mas as mais conhecidas, eram essas duas. Com o avanço dos tempos, surgiram outras formas de higienização de roupas, com o surgimento das lavanderias, com máquinas modernas onde é possível lavar e secar as roupas de uso, como também roupas de cama, mesa, banho, tapetes, etc.

Roberto Tanaami – integrante da AME (Associação dos Amigos da Memória de São Bernardo).