
O prefeito de São Caetano, Tite Campanella, cerca de dois anos após ter se filiado ao Partido Liberal (PL), foi expulso da sigla, dez dias após criticar o senador Marcos Pontes (PL), durante cerimônia na Câmara Municipal, que homenageou o deputado federal Guilherme Derrite (PP).
Na ocasião, Tite disse que São Paulo é o Estado “mais rico e importante” do país, mas que “tem a pior representatividade” no Senado de toda a União. “Temos três senadores que, absolutamente, não correspondem ao que o estado espera deles”, afirmou.
Nesta quarta (8), em coletiva de imprensa, Tite revelou que ficou sabendo da sua expulsão pelo jornal Folha de S.Paulo, cerca de 45 minutos antes do partido lhe informar. “Estávamos no meio de uma sessão na Câmara. Eles (os vereadores) também foram surpreendidos com a notícia e espontaneamente, de forma orgânica, eles decidiram renunciar aos seus cargos no diretório municipal do PL de São Caetano”, contou.
O prefeito se disse surpreso com a rapidez da expulsão: “Surpreende bastante que essa expulsão tenha acontecido no prazo rápido de dez dias da denúncia do senador astronauta e da decisão do partido, sem dar direito ao contraditório, sem dar direito a ampla defesa, sem dar direito a nenhuma manifestação da minha parte”.
Tite frisou que nem citou o nome do senador Marcos Pontes (PL). “Nem citei o nome dele pessoalmente. Pode ser motivo de ofensa, de insegurança. Ele nem é candidato nesta eleição. Deveria estar se espelhando na trajetória do Derrite para fazer dessa segunda parte do mandato dele um mandato mais valente, mais corajoso”, disse.
PRIMEIRO PREFEITO EXPULSO
Tite disse ser o primeiro prefeito expulso de um partido por ter feito uma crítica. “Sou o primeiro prefeito expulso de forma sumária do partido e não é por corrupção, por malversação, não é por condenação criminal. Simplesmente por emitir uma opinião”, afirmou.
O prefeito manteve sua crítica. “Continuo com essa opinião, não mudo de opinião, reitero é profundamente fraca a nossa representação do Estado de São Paulo no Senado. Os três senadores do Estado de São Paulo têm uma produção muito baixa, uma participação legislativa muito baixa, uma capilaridade muito pequena no Estado. Tanto que na cerimônia na Câmara, disse que ninguém se lembra do nome de nenhum senador no Estado de SP”, frisou.
HIPOCRISIA
Tite destacou que seria uma hipocrisia o PL, em algum momento também fosse cerceado de algum dos seus direitos, como ele foi. “Não tem problema nenhum, só que o partido que age desta forma não pode reclamar amanhã de qualquer medida de exceção que incorrer sobre ele. Vai ser muito hipócrita se o PL em algum momento for cerceado em algum dos seus direitos e alegar o cerceamento do direito de defesa, o regime de exceção. Eles agem, absolutamente, da mesma forma comigo, com agiriam com qualquer outro, também”, avaliou.
NÃO IRÁ RECORRER
Tite confirmou à Folha que não irá recorrer da decisão: “Faço questão de não recorrer. Fico muito feliz em não recorrer, de aceitar a decisão soberana do PL. Não vou me dar esse trabalho de maneira nenhuma”.
O prefeito também relembrou que em reunião do PL em São Caetano, no início do ano passado, para montar uma nova nominata, preferiu não fazer parte da executiva do PL. “Já antevendo qualquer tipo de interferência que poderia acontecer”, explicou.
CRÍTICAS AO PL
Tite criticou o presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto. “Ser expulso pela comissão de ética de um partido presidido por Valdemar da Costa Neto…piada pronta”, enfatizou.
Também ressaltou que se fosse candidato a presidente pelo PL ficaria preocupado. “Se fosse candidato a presidente do PL ficaria muito preocupado. Mas, é uma preocupação, o processo eleitoral iniciando agora, nos preocupamos muito com quais vão ser os encaminhamentos que o PL vai ter nos próximos meses com a candidatura do Flávio”, avaliou.
Ainda classificou a expulsão como um ataque à democracia. “Você não começa a solapar a democracia com um golpe, você começa solapar a democracia cerceando direito, uma liberdade, uma fala, proibindo o discurso, certas palavras e o PL está começando assim, ele expulsa do partido um prefeito e estão se sentindo muito à vontade para fazer isso”, disse. “Mas, isso tudo pode atingir e com certeza vai atingir deputados, outros filiados partidos. A partir do momento que você se sente à vontade para fazer isso, você sabe como começa, mas não sabe como acaba”, completou.
Tite concluiu: “Partido que não tem solidez, não respeita o direito de defesa, uma posição contraditória, não respeita uma crítica, realmente, não é um país que está preparado para a democracia”.
PARA QUAL PARTIDO TITE IRÁ?
À Folha, o prefeito revelou que recebeu a ligação de muitos presidentes de partidos dos mais variados espectros ideológicos e que isso o deixou muito feliz. “Uma das grandes alegrias que tivemos de ontem para hoje foram os contatos que recebemos das mais variadas lideranças políticas no Brasil, presidentes nacionais, estaduais, dos partidos dos mais variados leques ideológicos. Fico muito feliz por isso”, contou.
A primeira ligação recebida foi do governador Tarcísio de Freitas, colocando o Republicanos à disposição. “Não é segredo para ninguém que já tenho a muito tempo conversas feitas com o Republicanos, através do Roberto Carneiro, do presidente Marcos Pereira, que me ligou, agora de manhã, e a gente já vem trabalhando desde 2024, estava muito inclinado a sair prefeito pelo Republicanos, é um partido que sempre me deixou muito a vontade, mas tenho convite de outros partidos”, pontuou.
Tite ainda disse que dos só recebeu ligação, entre os prefeitos do ABC, do Gilvan Ferreira (Santo André), que colocou o partido Cidadania à disposição, assim como Fernando Meira, do Novo; Maurício Neves do PP, entre outros. “Fico muito feliz com isso, afinal de contas a gente leva uma carreira política de muito tempo, a gente conduz uma história que vem do meu pai para frente e receber esse reconhecimento é muito bom”, afirmou.
APOIO PARA FLÁVIO BOLSONARO
Tite relembrou seu apoio para Jair Bolsonaro (PL) nas últimas eleições presidenciais. “Em 2022 fui um dos únicos políticos da cidade que fiz vídeo pedindo voto para Bolsonaro. Nunca escondi isso de ninguém a minha predileção pelo Bolsonaro, marchar ao lado do Bolsonaro, pedir voto para o Bolsonaro, com todas as questões que a gente pode discutir, mas tenho lado, e faço questão de manifestar meu lado. Não escondo nada de ninguém”, disse. “Sou punido justamente pelo partido ao qual o Bolsonaro faz parte, que o Flávio sai candidato. Então, se fosse o Flávio ficaria com as barbas de molho. Ficaria muito preocupado em disputar uma eleição pelo PL”, completou.
O prefeito reforçou à Folha, que o Flávio Bolsonaro (PL) continuará sendo o seu candidato a presidente da República, assim como também será para os vereadores do PL de São Caetano.














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