Paranapiacaba tem ligação direta com a história ferroviária do Brasil. Formada pelos ingleses da São Paulo Railway Company a partir de 1860, foi lá que iniciou-se a construção da primeira linha férrea paulista, a Santos-Jundiaí, com o objetivo de escoar o café produzido na região para o exterior.
A trajetória do maquinista Romão Justo Filho é exemplo de um herói anônimo que passou a vida construindo esse legado. Filho de ferroviário nascido a 24 de março de 1911 em Paranapiacaba, começou a trilhar o caminho do pai aos 13 anos como limpador de vagões.
Um certo dia de 1920 recebeu a missão de deixar os trens brilhando por conta da visita do rei Alberto, da Bulgária. O trabalho árduo foi cumprido, mas foi tão cansativo que ele não conseguiu acompanhar a visita da majestade. O evento foi tão importante que foi registrado como selo oficial dos correios.
O sonho de ser maquinista só ocorreu anos mais tarde, profissão esta que desempenhou entre as décadas de 1940 a 1960.
Uma data ficou marcada para sempre na memória: 29 de julho de 1956. À época o sistema era de tração funicular, em que as máquinas eram movidas a carvão através de cabos de apoio para subir e descer a Serra do Mar. Esses cabos eram presos sob os trens locobreque, que se estendiam pelos trilhos.
Foi nesse dia que um dos cabos se rompeu e por pouco não ocorreu um grave acidente. A composição era comandada por Romão. Segundo uma das filhas, Ada Alonso Justo Bazani, outros acidentes já haviam acontecido anteriormente. E de forma trágica. Com fé, Romão efetuou uma manobra técnica que salvou a vida de 150 pessoas. Para amenizar o momento de tensão, pegou um crucifixo e uma imagem de Nossa Senhora Aparecida, rezou e foi parando o trem antes de descarrilar.
Em entrevista à Revista Ferrovia, nos anos 1980, Romão relatou que teve um pressentimento. Tinha dormido mal, com sonhos perturbadores. Mesmo preocupado, foi trabalhar. A máquina número 2 estava com defeito e pediu para trocá-la, ainda em Paranapiacaba. Então pegou uma terceira máquina. O fiscal não detectou nada de errado. Ao ligar, porém, ouviu um estouro. O cabo tinha rompido. Contou com a ajuda do foguista Adriano Souza Andrade para resolver o problema.
O episódio rendeu ao maquinista um prêmio em dinheiro no valor de dois salários, que serviu para ajudar a construir uma casa no bairro Jardim, em Santo André, onde passou a morar com a família a partir de 1957.
Anos depois, quando a ferrovia Santos-Jundiaí não estava mais sob a concessão da São Paulo Railway, o maquinista herói foi homenageado novamente. Em 22 de dezembro de 1967 o superintendente da Estrada de Ferro Santos – Jundiaí, Luís Leite Bandeira de Mello, instalou uma placa com o nome de Romão no Locobreque nº 4.
Hoje a Vila não possui mais trens de passageiros, somente uma composição turística nos finais de semana e feriados. O acesso é feito via ônibus urbano.
Romão Justo Filho faleceu em agosto de 2006 aos 94 anos. Foi sepultado no cemitério da Vila Assunção.
Esta é mais uma história de um filho da nossa terra. Um simples trabalhador em prol do desenvolvimento de Santo André, que em 2026 completa 473 anos sob comando do prefeito Gilvan Ferreira e tem muito a crescer ainda em todos os aspectos.
Sempre para melhorar a qualidade de vida de seus moradores!











