Velho e Idoso sรฃo palavras sinรดnimas, ou seja querem dizer a mesma coisa. Nem sempre, porรฉm, uma delas usada em lugar da outra terรก a mesma forรงa. O escritor norte-americano Ernest Hemingway escreveu o livro โO Velho e o Mar;โ se tivesse escrito โO Idoso e o Marโ, certamente nรฃo teria a mesma forรงa atรฉ mesmo poรฉtica, embora com o mesmo sentido que essas palavras tรชm. Leio agora crรดnica do jornalista francรชs Gilles Lapouge no jornal โO Estado de S. Pauloโ (26/05/2020) com o titulo โValor dos Idososโ.ย Se fosse โValor dos Velhosโ teria o mesmo sentido, mas nem sempre uma palavra sinรดnimo de outra pode ser usada com igual forรงa de expressรฃo numa mesma frase.
Lapouge lembra que os sociรณlogos dividem os humanos em quatro grandes grupos segundo a idade: os mais velhos (nascidos entre 1944 e 1964) que viveram um perรญodo de prosperidade excepcional, um mundo em paz, chamado na Franรงa โos 30 anos gloriososโ. Em seguida, diz ele, vem a geraรงรฃo X dos que nasceram entre os anos 1966 e 1976 (alguns autores propรตem outras datas entre 1961 e 1981 da geraรงรฃo que presenciou a queda do Muro de Berlim, o fim da guerra fria com as ilusรตes embriagadoras de um mundo apaziguado). Mas tambรฉm chegou o perรญodo da AIDS e do pesadelo do emprego precรกrio. Temos depois, a geraรงรฃo Y dos nascidos entre 1984 e 1986 que sofrem com o desemprego e o inicio da globalizaรงรฃo. Finalmente os que nasceram entre 1996 e 2015 formam a geraรงรฃo Z, os chamados โzoomersโ. ย
O aquecimento climรกtico รฉ uma probabilidade que semeia o terror entre os jovens. O tempo da despreocupaรงรฃo e da felicidade acabou. E para completar, a ascensรฃo dos populismos e a fadiga de ideia democrรกtica, segundo Lapouge.
โChega, entรฃo um inimigo invisรญvel, o coronavรญrus que em poucos meses encheu os cemitรฉrios com preferรชncia pela carne murcha dos velhos. Estes nรฃo tรชm um grande poder de fogo. Nos asilos nรฃo dizem nada e se contentam em morrerโ.ย A Franรงa (Lapouge รฉ francรชs), juntamente com outros paรญses da Europa e tambรฉm a China administram com brio esse problema ao entendimento de que nรฃo adianta cuidar dos velhos. Mas รฉ importante reativar a economia, pelo que, naturalmente, deve ser dirigida a maior atenรงรฃo dos governos, sem eles, os velhos, estarรฃo sempre prontos para morrer.ย Os paรญses, inclusive Franรงa e Estados Unidos, perdem seus velhos, deixando-os ร sua sorte porque sรฃo frรกgeis, sem utilidade. Serรก necessรกria maior demonstraรงรฃo de desvalorizaรงรฃo da vida dos que jรก foram รบteis, mas agora tidos como imprestรกveis, verdadeiros intrusos num mundo que lhes nega espaรงo para poderem viver ainda um pouco e, se possรญvel, bem com a atenรงรฃo mรญnima, pelo menos, dos que lhes sejam mais prรณximos.













