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Vinícius de Moraes – parte I

Um ser humano de grande talento a carisma, Marcus Vinícius da Cruz de Mello Moraes, poeta, dramaturgo, jornalista, diplomata cantor e compositor. Nascido na cidade do Rio de Janeiro no dia 19 de outubro de 1913. De estilo poético essencialmente lírico, foi apelidado de “Poetinha”. Ele casou-se nove vezes ao longo da vida e dizia: “que o amor seja eterno, enquanto dure”. Um boêmio inveterado e apreciador do uísque (sua célebre frase: o uísque é o cão engarrafado, é o melhor amigo do homem).

Vinícius de Moraes

Vinícius produziu uma vasta obra, entre as quais, literatura, teatro, cinema e música. A poesia sempre foi sua primeira vocação e a atividade artística sempre derivou do fato de ser poeta. Na música, onde ficou conhecido mundialmente, seus parceiros incluem Tom Jobim, Baden Powell, João Gilberto, Chico Buarque e Carlos Lyra, entre outros mais.
Filho de Clodoaldo Pereira da Silva Moraes, funcionário da Prefeitura, também poeta e violinista amador, e Lydia Cruz de Moraes, pianista amadora. Vinícius é o segundo de quatro filhos, Lýdia (1911), Laetitia (1916)e Helius (1918). A família mudou-se para o bairro de Botafogo em 1916, onde Vinícius iniciou seus estudos na Escola Primária Afrânio Peixoto e desde então, já demonstrava interesse em escrever poesias.
No ano de 1924, ingressou no Colégio Santo Inácio, de padres jesuítas, onde passa a cantar no coral, começando a montar pequenas peças teatrais. Mais tarde, ao conhecer os irmãos Haroldo e Paulo Tapajós, começa a fazer as primeiras composições e também apresentando-se em festas de amigos. Ao concluir os estudos básicos em 1929, no ano seguinte ingressou na Faculdade de Direito do Catete, hoje Faculdade Nacional de Direito. Ali conheceu e tornou-se amigo do romancista Otávio de Faria, que o incentivou a abraçar a carreira literária. Sua graduação em Ciências Jurídicas e Sociais, deu-se em 1933.
Por influência de Otávio de Faria, começa a frequentar reuniões da Ação Integralista Brasileira, movimento político de cunho nacionalista. Participa inclusive de instruções da Milícias Integralistas no Arsenal de Guerra do Caju. Em maio de 1937, publicou o “Soneto de Katherine Mansfield”, na revista “Anauê”.
Chega o ano de 1936 e, eis que, consegue o emprego de censor cinematográfico, junto ao Ministério de Educação e Saúde, Dois anos mais tarde, ganhou uma bolsa de estudos do Conselho Britânico para estudar língua e literatura inglesas na Universidade de Oxford, retornando ao Brasil em 1941, empregando-se como crítico de cinema no jornal A Manhã.
Por incrível que pareça, em 1942, foi reprovado para uma vaga no Ministério das Relações Exteriores. Concorrendo novamente no ano seguinte é aprovado, assumindo o primeiro posto diplomático em 1946, como vice-cônsul na cidade de Los Angeles na América do Norte. Com a morte do pai ocorrida em 1950, retornou ao Brasil. Posteriormente, assumiria o cargo em Paris e Roma, onde costumava realizar animados encontros na casa do escritor Sérgio Buarque de Holanda (pai do cantor Chico Buarque).
Na época da ditadura militar iniciada em 1964, por volta de 1968, foi afastado da carreira diplomática e aposentado compulsoriamente pelo Ato Institucional nº5. O motivo alegado, foi por seu comportamento boêmio que o impedia de cumprir suas funções. Vinícius de Moraes foi anistiado (post-mortem) pela Justiça em 1998. A Câmara dos Deputados, aprovou a promoção póstuma ao cargo de “ministro de primeira classe” do Ministério de Relações Exteriores, em fevereiro de 2010, equivalente a embaixador, o cargo mais alto da carreira diplomática.
Na carreira artística, na década de 1920, Vinícius escreveu letras para dez canções gravadas – nove delas em parceria com os irmãos Tapajós. O primeiro trabalho como letrista apareceu em 1928, compondo em parceira com Haroldo Tapajós a canção “Loira ou Morena”, gravada em 1932 pela dupla Irmãos Tapajós. O primeiro livro de poemas apareceu em 1933, intitulado “O Caminho Para Distância”. Outras duas gravações de sua autoria, “Dor de Uma Saudade” em parceria com Joaquim Medina e gravada pelo cantor João Petra de Barros (1933) e “O Beijo Que Você Não Quis Dar” com parceira de Haroldo Tapajós, também de 1933.