Em 1954, Vinícius publicou uma coletânea de poemas denominada de “Antologia Poética”, no mesmo ano que publica a peça teatral “Orfeu da Conceição”, que ganhou o prêmio no concurso do IV Centenário de São Paulo e publicada na revista Anhembi. Passados dois anos, quando buscava alguém para musicar a peça, aceitou a sugestão do crítico musical Lúcio Rangel para trabalhar com um jovem chamado Antônio Carlos Jobim, que na época tinha 29 anos e vivia da venda de músicas e arranjos nos “inferninhos” de Copacabana.

Do encontro entre Vinícius e Tom nasceria uma das mais fecundas e belas parcerias da música popular brasileira. Ambos compuseram a trilha sonora, que incluía os temas “Um Nome De Mulher”, “Mulher Sempre Mulher”, e “Eu e Você”. A peça estreou no Teatro Municipal do Rio de Janeiro. Depois vieram os temas clássicos “Chega de Saudade”, “A Felicidade”, “Insensatez”, “Eu Sei Que Vou Te Amar” e “Garota de Ipanema”, entre outras belas e imortais canções.
Em 1957, o diretor de cinema francês Marcel Camus filmou “Orfeu do Carnaval” no Rio de Janeiro, película que recebeu o nome de “Orfeu Negro”, surgindo as canções “A Felicidade” e “O Nosso Amor”. Um ano após, o filme foi contemplado com a “Palma de Ouro” no Festival de Cinema de Cannes e o “Oscar” da Academia de Hollywood de melhor filme estrangeiro. O ano de 1958 marcaria o início de um importante movimento musical que ficou conhecido como Bossa Nova, com a gravação do tema “Canção do Amor Demais” com interpretação da cantora Elizeth Cardoso, composição da dupla Tom e Vinícius, com vocais intimistas da intérprete.
“Chega de Saudade” foi a canção fundamental daquele movimento com a participação de o então jovem violonista, que estabeleceu um modo de tocar inovador, caracterizado por uma nova batida, tornando a Bossa Nova famosa no mundo inteiro. O nome desse jovem é João Gilberto. Várias composições foram gravadas por outros artistas. Joel de Almeida gravou “Loura ou Morena” (1956), Aracy de Almeira “Bom Dia, Tristeza” (1957), composta em parceria com Adoniran Barbosa e Tito Madi “Se Todos Fossem Iguais a Você” (1957).
Nos anos 1970, Vinícius iniciou profícua parceria com o violonista Toquinho (Antônio Pecci Filho). Uma profusão de belas canções como: “Como Dizia o Poeta”, “Tarde em Itapuã” e “Testamento” que viriam a se constituir em clássicos. Nesse mesmo ano, Vinícius se apresentou na casa de espetáculos “Canecão” ao lado de Tom Jobim, Toquinho e a cantora Miucha (irmã de Chico Buarque). O show relembrou a trajetória do poeta e ficou quase um ano em cartaz. Sucesso absoluto!
A popularidade de Vinícius e Toquinho na Argentina era tamanha que a dupla voltava periodicamente para apresentações públicas de grande afluência de público. Em 1973, juntamente com Toquinho, foi convidado pela Rede Globo a compor a trilha sonora da telenovela “O Bem Amado” o tema “Meu Pai Oxalá”. Apareceram também as canções “As Cores de Abril” e “Como é Duro Trabalhar”, para a trilha sonora da telenovela “Fogo Sobre Terra”, também da Rede Globo.
A dupla Vinícius e Toquinho angariou uma legião de admiradores na Itália, nas inúmeras temporadas de fizeram. Vinícius, um poliglota, dirigia-se ao público no idioma italiano, conquistando a admiração da plateia, além da grande simpatia pessoal. Também se tornaram amigos de dois excelentes cantores italianos, Sérgio Endrigo e Ornella Vanoni, com quem gravou os álbuns “La Voglia, laPazzia, Iínconscienza, La Allegria” e “Deus Lhe Pague”, esta canção em parceria com Edu Lobo.
Em 2005, “Garota de Ipanema” foi escolhida como uma das 50 grandes obras musicais da Humanidade pela Biblioteca do Congresso Americano. Na madrugada do dia 9 de julho de 1980, Vinícius de Moraes começou a se sentir mal na banheira de sua casa na Gávea, vindo a falecer pouco depois. O poeta havia passado o dia com o parceiro e amigo Toquinho, com quem planejava os últimos detalhes do volume 2 do álbum “Arca de Noé”, aos 66 anos de idade. Desaparecia assim, um ser humano, por todos os motivos diferenciado. Poeta, escritor, diplomata, compositor e cantor.















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