Episรณdios de ameaรงas, ataques e tensรฃo relacionados ร s eleiรงรตes tรชm se repetido com frequรชncia no Brasil. A polarizaรงรฃo polรญtica entre o presidente Jair Bolsonaro (PL) e o ex-presidente Luiz Inรกcio Lula da Silva (PT) e a perspectiva de disputa acirrada entre esses postulantes ao Palรกcio do Planalto tem desencadeado uma sรฉrie de episรณdios de violรชncia polรญtica.
O petista Marcelo de Arruda foi assassinado, em Foz do Iguaรงu, no dia 9 de junho quando comemorava seu aniversรกrio em uma festa de temรกtica do PT; um ato com apoiadores de Lula na Cinelรขndia, no Rio de Janeiro, foi alvo, na noite de 7 de julho, de um artefato explosivo; um juiz federal, que decretou prisรฃo do ex-ministro Milton Ribeiro, teve seu carro atingido por fezes de animais, ovos e terra em Brasรญlia. Esses sรฃo apenas alguns casos que tรชm ocorrido no paรญs.
Falar sobre polรญtica estรก cada vez mais perigoso para os eleitores. Defender um ponto de vista ou se simpatizar com determinado candidato jรก virou risco de vida. Hรก um รณdio exacerbado por qualquer pessoa que profere uma opiniรฃo contrรกria ou diferente. Parece difรญcil fazer com que se respeite a opiniรฃo contrรกria, sugerindo que pensar diferente seja motivo de raiva.
Ninguรฉm รฉ obrigado a concordar com o conteรบdo da fala, do texto, com a opiniรฃo do outro, com nada, mas o nรฃo concordar tambรฉm nรฃo autoriza, nem credencia para se fazer ou falar o quiser sobre o outro, muito menos fazer ataques pessoais.
Mas, os alvos principais dos ataques continuam sendo a imprensa e os jornalistas. A jornalista Vera Magalhรฃes, colunista de O Globo e รขncora da TV Cultura, foi ofendida pelo deputado estadual Douglas Garcia (Republicanos), durante o debate de candidatos ao governo de Sรฃo Paulo, na terรงa (13).
Ataques a jornalistas e meios de comunicaรงรฃo vรชm aumentando e pioram em perรญodo eleitoral. As tentativas de intimidaรงรฃo ocorrem, nรฃo importa o partido do polรญtico. Seja ao negar responder uma pergunta, respondรช-la de maneira agressiva, ou que exponha o jornalista na frente dos demais colegas de profissรฃo, seja respondendo com desdรฉm quando o questionamento nรฃo lhe รฉ favorรกvel ou ainda enviando recados intimidadores.
Exemplos como esses evidenciam a ignorรขncia, o machismo e a covardia de quem se compraz em agredir profissinais jornalistas do sexo feminino. Essas aรงรตes intimidatรณrias, que humilham as jornalistas das formas mais virulentas, tentam silenciรก-las e, ao mesmo tempo, buscam encobrir os verdadeiros pontos fracos dos seus agressores.
ร preciso dar um โbastaโ a esse abuso de poder. Liberdade de expressรฃo nรฃo pode ser confundida com liberdade de agressรฃo. A imprensa รฉ livre e deve continuar assim, para continuar sendo um dos pilares da democracia.











