País precisa qualificar cerca de 130,4 mil engenheiros nos próximos três anos, para atender a demanda do mercado de trabalho

(Foto: Agência CBIC)
POR NICOLE FLORET
O Brasil vive hoje um cenário de atenção na formação de novos engenheiros. Embora a demanda é alta, há um déficit significativo de profissionais capacitados, o que pode comprometer o desenvolvimento do país. O vice-presidente no exercício da Presidência do Crea-SP, Fernando Rosa, ressalta a alta evasão dos cursos de graduação como um dos fatores que contribuem para a falta de engenheiros no país. “Embora os cursos de Engenharia sigam entre os mais procurados, o setor enfrenta uma alta na evasão dos cursos de graduação e uma queda gradual no interesse pelas carreiras tecnológicas nos últimos anos”, diz Rosa.
Dados do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anisio Teixeira (Inep) indicam que o número de estudantes nas Engenharias recuou cerca de 30%, com redução de 52% nas matrículas na área de engenharia civil.Conforme o Mapa do Trabalho Industrial 2025-2027, o Brasil precisa qualificar cerca de 130,4 mil engenheiros nos próximos três anos, para atender a demanda do mercado de trabalho.
O superintendente de Educação Profissional e Superior do SENAI, Carlos Eduardo Braguini, destaca que há um gargalo na formação e na qualificação de engenheiros. “Apesar da alta demanda por profissionais capacitados, a formação acadêmica tradicional muitas vezes não acompanha as necessidades do mercado, o que resulta em um descompasso entre a oferta e a demanda”, afirma Braguini.
De acordo com o superintendente, a Confederação Nacional da Indústria (CNI) tem destacado a necessidade de reformular os currículos de engenharia, incorporando mais interdisciplinaridade e competências voltadas para a prática e a inovação. “No Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (SENAI), os cursos de Enge-nharia são flexíveis e se adaptam às necessidades dos alunos e das indústrias. Em 2025, as engenha-rias do SENAI contavam com cerca de 6,4 mil matrículas e a previsão é de ampliação da oferta de modo a atender às demandas da indústria”, diz.
Para aproximar o ensino superior das exigências do mercado, o Crea-SP tem intensificando a presença nas universidades por meio de programas como o CreaDay e o Estágio Visita, que permitem ao estudante e recém-formado vivenciar a rotina profissional e entender o papel do Conselho. “Já o Prêmio Crea-SP homenageia os melhores alunos que tiveram a maior média durante toda a graduação, e os docentes que também recebem o reconhecimento. Promovemos, ainda, o Encontro Crea-SP Jovem, focado em temas como Inteligência Artificial e empreendedorismo, para mostrar que a Engenharia é o eixo central da inovação e do planejamento de cidades mais inteligentes, conectadas e eficientes”, explica vice-presidente no exercício da Presidência do Crea-SP, Fernando Rosa.
O Sistema Confea/Crea também implementou medidas para incentivar e estimular os profissionais da área, como Programa de Incentivo ao Registro Profissional dos Recém-Formados, que concede isenção total da primeira anui-dade a quem solicitar o registro em até seis meses após a conclusão do curso.“Nosso objetivo é engajar e dar condições para os profissionais, garantindo que vejam na Enge-nharia uma carreira de alto impacto social, essencial para construir um futuro com mais planejamento e tecnologia”, ressalta Rosa.
Na MBigucci, o foco é reter os bons profissionais. “Incentivamos muito a autonomia do engenheiro civil na empresa, para decidir, resolver; sempre com a supervisão e o apoio da gerência e da diretoria. Além, claro, do salário e benefícios extras que a MBigucci fornece. Os bons profissionais serão cada vez mais valorizados”, afirma Milton Bigucci Junior, diretor técnico da MBigucci.
ESCOLHA PELA ENGENHARIA
Aluna de Engenharia de Robôs na FEI e integrante da equipe RobôFEI, Rafaela Botter, revela que sua grande motivação pela escolha da engenharia foi possibilidade de criar, inovar e construir coisas que realmente fazem diferença. “Desde criança, eu sempre gostei de colocar a mão na massa, montar, desmontar e entender como as coisas funcionam. Com o tempo, percebi que a engenharia era o caminho ideal para transformar essa curiosidade em algo prático e útil. Acho fascinante como o engenheiro precisa ser multifuncional, lidando com diferentes áreas e desafios ao mesmo tempo, o que torna a profissão muito dinâmica e instigante”, afirma Rafaela.

(Foto: Divulgação FEI)
Mariane Monteiro, engenheira na MBigucci, entrou na construtora como estagiária, em 2023, e hoje ocupa o cargo de engenheira. “Minha motivação para a engenharia nasceu quando eu ainda era criança e ficava vendo os prédios, as grandes estruturas, imaginando como tudo isso era feito, como saía do papel e virava realmente algo concreto. Foi esse desafio de entender cada etapa, cada processo, que me motivou a escolher o curso de Engenharia Civil”, revela Mariane.
A engenheira destaca a rotina dinâmica e desafiadora do engenheiro. “Além de acompanhar de perto cada etapa prática na execução da obra, tem também parte burocrática, de documentação de materiais, dos colaboradores.
Essa diversidade de atividades no nosso dia a dia de trabalho é muito estimulante e proporciona um aprendizado constante. A Engenharia Civil é muito desafiadora, mas muito prazerosa ao mesmo tempo. Sem sombra de dúvidas, eu acertei na minha decisão de escolher essa área, pois construímos os sonhos das pessoas”, finaliza.














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