Eleições 2026 Política

Clovis Volpi: “Prego a união em prol da região do ABC”

Entrevista exclusiva com o pré-candidato a deputado estadual, Clovis Volpi (PSD).

Clovis Volpi (PSD), em 53 anos de vida pública, já foi vereador, deputado estadual, federal e prefeito de Ribeirão Pires, dentre outros. Agora, disputará, novamente, uma vaga na Assembleia Legislativa (Alesp), como deputado estadual.

Em entrevista à Folha, Volpi fala sobre a experiência política, propostas, dobradas, sobre o apoio do filho, o prefeito Guto Volpi (PL). Também avalia que o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) será reeleito em primeiro turno, fala sobre o seu posicionamento em relação à polarização e sobre seu apoio ao presidenciável Ronaldo Caiado (PSD). Confira.

FOLHA DO ABC- O sr. possui uma trajetória na vida pública de mais de 50 anos. Exerceu os cargos de vereador, deputado estadual, federal e prefeito de Ribeirão Pires, dentre outros.  Agora, disputa, mais uma vez, uma vaga na Assembleia Legislativa. A experiência auxilia na disputa eleitoral?

Clovis Volpi- O que a gente tem visto, atualmente, são alguns partidos políticos, e principalmente o meu, o PSD, buscando personalidades políticas que têm mais experiência do que tempo de casa de política. Tenho 53 anos de vida pública, com vários mandatos que já passei e outros, que passaram também, estão sendo chamados para disputar as eleições.

Esta é uma coisa extremamente boa para a política, porque tentaram, ao longo desse tempo, sempre novidade, renovação, e o que me parece é que essas renovações não deram muito certo – ou seja, as pessoas que entraram como novidade, muitas que entraram como novidade na política, acabaram transformando a política um pouco mais pesada, do que de fato acontecia no passado.

Então, a experiência vai nos ajudar muito, caso eleito, é claro, a contribuir mais com o Estado, contribuir mais com o país e com a nossa região.

FOLHA- Quais serão as bandeiras e projetos que o sr. defenderá como deputado estadual?

Volpi- Sempre busco um entendimento com integração e não com os partidos. Toda região que se fortalece politicamente, ela com certeza cresce e evolui mais do que aquelas que acabam não se entendendo.

Cada município do ABC precisa ter uma compreensão que não é só uma das nossas sete cidades. O ABC é como um todo, porque se São Bernardo melhorar, vai melhorar Rio Grande da Serra, se Santo André melhorar, São Caetano melhora, Diadema, Mauá, enfim.

Cada uma dessas cidades têm que melhorar, crescer economicamente, se desenvolver, buscando gerar mais empregos, mais rendas, isso será, de certa forma, repartido para todas as regiões.

O que percebemos, é que temos um grupo até grande de deputados que acabam defendendo só teses partidárias e não teses regionais. Prego a defesa da tese regional. E o que significa isso? Tudo que beneficiar a área da saúde, da segurança, da educação, do lazer, da cultura, para nossa região, vamos ser beneficiados indiretamente.

Então, o ABC não pode, por exemplo, isolar Rio Grande da Serra, porque Rio Grande precisa crescer, precisa evoluir. Ribeirão talvez seja a sexta cidade em economia do nosso ABC. Precisa evoluir, crescer, possibilitar a geração de empregos, renda e tal.

Se os deputados, que se elegem a partir de Mauá, por exemplo, não tiverem este olhar, independente do partido, vamos sempre ter primos ou irmãos extremamente pobres e que gerarão dificuldades para aqueles que já evoluíram muito mais.

Tenho esse pensamento: aglutinar o número de deputados, sejam eles quantos forem e que partidos forem, mas que façam uma união em prol da região do ABC. E, principalmente, com o olhar voltado para as cidades das pontas, que não evoluíram tanto quanto.

FOLHA- Qual a principal demanda da região que o sr. poderá ajudar a solucionar?

Volpi- As demandas sempre se baseiam numa coisa muito simples: saúde, educação e segurança. Esse é o tripé que identifica a evolução de uma cidade. Todo empreendedor, se ele vai fazer empreendimento, busca saber, entender se esse tripé, saúde, educação e segurança, andam bem na região, porque os seus próprios negócios andarão, também, muito bem.

Mas, principalmente, na área da saúde. Por exemplo, o Vale do Ribeira, que possui umas 14 cidades, todas pequenas, se considerar o número de habitantes de todo o Vale, você vai encontrar esses habitantes só em Mauá.

O número de Mauá é todo o conjunto daquelas 14 cidades do Vale do Ribeira, onde há dois hospitais de referência no Estado. Recentemente, foi inaugurado um, em Registro, e depois tem perto de Jacupiranga, você tem outro, Pariquera-Açu, onde tem já um hospital, também do Estado. Daí, no ABC, que temos cerca de 3 milhões de habitantes, 2,1 milhões de eleitores, temos o Serraria e o Mário Covas.

Teríamos que ter um terceiro hospital com referência médica, mas do Estado, que seria o Nardini. Se tivéssemos mais um hospital do Estado, por exemplo, poderíamos pensar num cross regional, ou seja, três grandes cidades, que tem três grandes hospitais do Estado, com algumas referências médicas, e mais, por exemplo, pequenos hospitais, como Ribeirão Pires que tem um hospital, uma maternidade, poderíamos incluir tudo isso e a gente passaria a ter o cross regional.

Ou seja, os nossos pacientes seriam direcionados e distribuídos numa quantidade muito maior só para estas regiões que têm os seus próprios hospitais.

Penso muito na regionalização. Quanto mais regionalizarmos as nossas ações e atividades, inclusive no transporte, vamos crescer cada vez mais. Pensarmos no ABC como um Estado, com 3 milhões de habitantes, e acho que podemos pensar muito maior.

FOLHA- Como está estruturando sua campanha, vai percorrer o Estado? Quantas e quais dobradas irá fazer?

Volpi- Dobradas, mesmo oficiais, tenho apenas uma, com o pré-candidato Orlando Morando. Tenho sido procurado por outros deputados federais e não tenho aceito.

O Orlando já tem um histórico no ABC e pensa muito próximo do que penso também. O pensamento que é esse da regionalização, o Orlando também tem, e pensando na regionalização, acabei fechando a minha dobrada oficial.

O que tem acontecido, e isso vai acontecer com todos, é que determinados grupos que têm outros candidatos, principalmente os partidários, eles acabam juntando a gente com alguém, mas não é uma dobrada oficial, uma dobrada sendo feita por um partido.

Mesmo quando faço o Vale do Ribeira, Vale do Paraíba, faço a região de Jaú, enfim, faço algumas regiões e algumas cidades isoladas, procuro sempre colocar o Orlando como meu parceiro.

Então, tenho muito esse perfil, sabe, de não fazer duas, três dobradas, ficar dividindo o grupo. Não. Em Ribeirão, Mauá e Rio Grande da Serra, o grupo que me apoia e que é comandado por nós, esse grupo, oficialmente, é o Orlando.

Claro, vão acabar vendo o nome Clóvis Volpi com outro candidato, mas é o próprio partido daquele candidato, quem vai fazer a campanha e não posso cercear esse tipo de atividade também. E o número de cidades, diria que nós fazemos umas 80 cidades, que é um número muito grande, a campanha é grande.

“Quando disputo, disputo para vencer a eleição”, diz Clovis Volpi

FOLHA- O sr. tem dialogado com os prefeitos e lideranças do ABC? Quais irão apoiá-lo?

Volpi- Cada prefeito tem o seu próprio candidato, fica muito difícil eu identificar e buscar o apoio deles. Acho que é muito correto isso. Às vezes ligado partidariamente, quando não, ele tem as suas tendências, ele vai se ocupar com isso.

Tenho feito campanha mais com a sociedade. Eu só tenho em Rio Grande da Serra um vereador, que é o Marcelo Cabeleireiro que me apoia.

Em Ribeirão Pires, que está vinculado comigo e com o Orlando, são três vereadores. Há alguns vereadores que não fazem nem a minha candidatura, mesmo estando em Ribeirão, fazem uma candidatura a deputado estadual de outra cidade, fazem um deputado federal de outra cidade, e há um grupo também de vereadores que farão a minha candidatura e de outros deputados federais.

É tão diversificado que a gente não consegue, ainda, neste momento, identificar com quem eles estão, porque é muita conversa. Mas, tenho esses números. Mauá, por exemplo, tenho identificado comigo apenas alguns ex-vereadores, mas não tenho nenhum vereador me apoiando, porque cada um já tem o seu segmento também.

E no ABC, de toda forma, também não tenho vereadores. O que eu tenho é parte da sociedade, a sociedade que procura conhecer o candidato e que acaba me chamando para conversar. Instituições e ONGs, também, não governamentais, que trabalhamos com o TEA (Transtorno do Espectro Autista), que têm nos procurado, isso no Estado, como um todo.

Se considerarmos, ainda, que cada instituição dessa poderia ser uma pequena cidade, diria que ultrapassamos 120 cidades. Então é um número grande, mas tenho muito pouca ligação com prefeitos e com vereadores eleitos, salvo os que já mencionei, que fazem parte da minha relação de amizade.

FOLHA- Além dos prefeitos também, como o sr. disse, terem já os seus pré-candidatos, muitos ex-prefeitos também vão disputar essa eleição, para deputado. Como avalia isso?

 Volpi- Faço elogios e faço algumas críticas. Aqueles que são candidatos com probabilidade de vencer a eleição, senão você dispersa o voto. Você dispersando o voto, o que vai acontecer? Você não consegue a eleição de um número significativo de poder político, que são os deputados do ABC. Esse, por exemplo, é o caso que considero positivo. Ele faz uma análise, tem de fato condições de vencer a eleição, então esse recebe um elogio. Olha, tem que participar.

Depois você tem uma camada de candidatos que querem fazer o nome. Ele sai, sabe que vai perder a eleição, mas diz que quer marcar presença para ser candidato a deputado lá na frente, ou para ser candidato a prefeito, para se qualificar para ser vice-prefeito e até vereador.

Tenho visto alguns casos. Essas coisas nunca deram muito certo. Quando comecei a minha carreira saindo para deputado, saí para ganhar, e dei sorte e na primeira já ganhei também. Isso lá atrás, em 1994.

Mas, quando disputo, disputo para vencer a eleição. Claro, também já perdi, mas eu não saio para marcar presença, é um erro drástico, né? Então, hoje, quando faço esta análise de críticas, faço pensando nisso: todo candidato que sai para ter 3 mil, 4 mil votos, está jogando fora 4 mil votos que faltarão para alguém de fato se eleger e poder representar melhor politicamente o ABC. A esses faço a crítica. Aqueles que de fato saem porque têm condições de vencer, esses faço o elogio, sim.

FOLHA- Nas eleições de 2024, o sr. foi um grande apoiador do seu filho e atual prefeito Guto Volpi. Seu filho irá ajudá-lo na sua campanha, com aquela mesma energia que vimos o sr. na campanha dele?

Volpi- É que quando é filho e tal, a gente se empenha e disputamos as duas eleições mais difíceis na Prefeitura. Primeiro, para a minha substituição em 2022, que esta foi a mais difícil da minha vida, que nunca imaginei que ainda poderíamos ganhar. Por isso, que falo da sociedade. A sociedade não está muitas vezes incomodada com o candidato que faz isso, faz aquilo.

A sociedade começa a pensar e a sociedade pensante é que faz com que tenhamos representantes com bastante trabalho, com seriedade.

Trabalhei muito porque tínhamos o objetivo de manter Ribeirão Pires crescendo, evoluindo, tanto que ela cresce assustadoramente. Ribeirão Pires está num outro patamar dentro do ABC, ela conseguiu já se desvencilhar daquela cidadezinha, dormitório e tal, restrita a uma comunidade.

Hoje, ela cresce demais. Agora, o Guto tem se empenhado muito na minha campanha, mas entre governar e se empenhar, prefiro que ele governe, porque quanto melhor estiver o governo, também significa melhoria também, para que possa mostrar lá em Ribeirão, e para as outras cidades compararem também, aquilo que já fizemos lá.

Só entre o Guto e eu, temos cinco mandatos, portanto é um trabalho muito grande lá e a cidade vem evoluindo muito mesmo. Diria aqui que o Guto é melhor do que eu, eu sou mais cauteloso, ele é mais arrojado.

FOLHA- As campanhas têm utilizado bastante conteúdo digital, com inserções de IA, inclusive. Mas, afinal os artefatos online substituem a campanha “olho no olho”?

Volpi- Substituir não substitui, mas tem um peso. As pessoas com mais idade, como eu, e que vêm com estilo de campanha já formatado, desde o início dos processos eleitorais, pelos quais nós passamos, ainda gosto do corpo a corpo, gosto de estar na rua, de conversar com as pessoas, gosto de responder perguntas, gosto de conversar, enfim, de fazer a política tradicional.

Venho tentando me adaptar muito às redes sociais. Pessoalmente, tenho dificuldade, mas você tem que compor um grupo que saiba fazer com que as redes sociais possam nos auxiliar.

O que acontece com a rede social é que é muita mentira. Hoje, qualquer mentira que você coloca numa rede social tem mais credibilidade do que a própria verdade.

A internet que entendia que viria para facilitar as nossas vidas e tal, para auxiliar desenvolvimentos. Ela veio também com esse peso, o peso de poder servir-se de notícias falsas, de mentiras, enfim, de questões vulgares, que às vezes são colocadas.

Mas, tenho, hoje, uma equipe que cuida da rede social, está fazendo um bom trabalho, temos crescido um pouquinho nela, mas ela tem um peso eleitoral muito grande.

A prova disso é que os partidos políticos, hoje, procuram quem tem seguidores. Então, os MC, esses internautas que têm muitos seguidores e tal, eles estão todos entrando na política e eles têm votos baseados naquilo que eles estão falando. Então, poderíamos ter um grupo muito grande, mesmo, de políticos que não entendem absolutamente nada de política, mas que têm um eleitorado que os segue.

E esse eleitorado acaba sendo levado e sendo influenciado por esses influenciadores e acabam elegendo. É possível que nós vamos ver o Caneta Azul tendo um número altamente significativo de votos. E o que você vai fazer? O que ele vai fazer quando chegar lá? O que ele pode discutir? O que ele entende? Não quero fazer disso uma crítica pessoal, mas a crítica é do conhecimento.

FOLHA- O PSD, partido do sr. irá apoiar a reeleição do governador Tarcísio de Freitas. Como avalia esse cenário, em SP, acredita em vitória no primeiro turno?

Volpi- Avalio que o Tarcísio vá ter uma vitória no primeiro turno. O crescimento entre a população para com o governador Tarcísio é muito grande. Ele passa muita seriedade, conhecimento, inteligência, muita capacidade técnica.

O Estado vem evoluindo, crescendo, se ampliando em grandes obras, e entendo que o Tarcísio vai se eleger no primeiro turno. O meu partido fará um apoio integral ao Tarcísio, faz parte também, até pessoalmente, daquilo que nós estávamos fazendo.

FOLHA- A eleição presidencial promete ser bastante polarizada. O partido do sr. irá apoiar o Ronaldo Caiado. Qual avaliação faz desta polarização? Caso o Caiado não esteja no 2º turno, irá apoiar o Flávio?

Volpi- Primeiro, não gosto de extremismo, nem da esquerda nem da direita. Diria que sou de um partido que, praticamente, como sigla, não existe. Sou democrático, liberal e social, mas não o socialismo da esquerda. Então, se tivéssemos um partido com esse pensamento e desenvolvimento para um produto social, confesso que estaria neste partido.

Mas, a gente não tem, é um pouquinho de cada coisa, que está em cada partido. A própria mídia colocou esquerda e direita. Então, hoje, vivemos assim: olha, se eu votar no fulano é porque eu sou da direita, se eu votar no ciclano é porque sou da esquerda. Não.

E o Caiado, ele tem uma representatividade muito grande. Falo em competência de governança. Se você pegar o histórico do Caiado, que esteja no Legislativo ou no Executivo, você vai observar que é um sujeito extremamente competente, com passagens maravilhosas pela política, com o desenvolvimento do Estado dele muito consciente.

Se nós falarmos em estar preparado para competir, o Caiado seria o número 1. Depois nós temos o governo que já está praticamente há 20 anos. E não vemos, também, um país sendo desenvolvido da forma que nós esperávamos que fosse. Quando os números econômicos forem apresentados no futuro, teremos muitas decepções. Pena que a gente não tenha esse conhecimento público hoje.

A outra questão da direita, em que tem o bolsonarismo, não digo que é fulano Bolsonaro, beltrano Bolsonaro, é o bolsonarismo, que se identificou como direita cometendo muitas asneiras. Em política, qualquer tipo de asneira é degradante, ela começa a pesar negativamente.

Então, vejo essas dificuldades que as pessoas têm quando estão no poder de estarem cometendo arbitrariedades e erros comuns que qualquer um comete.

Precisaríamos ter um diferencial: olha, não cometo determinados erros na vida pública e, o Caiado, se você fizer uma seleção de possíveis candidatos, diria que ele é o mais preparado.

Agora, o povo entende isso? Não. Há muita dificuldade para fazer esse entendimento. Se ele não aparece bem nas pesquisas, hoje, em primeiro turno, é uma coisa que está identificada com a polarização.

Mas, quando você retira e faz essas pesquisas para o segundo turno, ele cresce assustadoramente. Por quê? A população começa a entender a qualificação do candidato para dirigir o país. O meu partido tem candidato a presidente, tem candidato a governador, tem candidato ao Senado e estamos fechados com eles.