
O Corredor Verde ABD, operado pela Next Mobilidade, completa 18 anos. Nesta segunda (11), a empresária Beatriz Setti Braga recebeu convidados e jornalistas, na sede da empresa, para programação especial que contou com palestra do professor-doutor titular do Departamento de Patologia da USP, Paulo Saldiva.
O projeto, criado pela Next, traz um verdadeiro legado ambiental, um compromisso com as cidades, com o ar e com a saúde das pessoas.
O Corredor Verde nasceu em 2008 com uma proposta inovadora de transformar o eixo da mobilidade em infraestrutura ambiental. Hoje, são mais de 13 mil árvores e arbustos, de 160 espécies, distribuídos ao longo de 90 km lineares, formando um verdadeiro corredor ecológico urbano, que conecta os trechos São Mateus-Jabaquara e Diadema-Brooklin.
Trata-se de um espaço vivo, que abriga biodiversidade, captura carbono e contribui para a melhoria da qualidade do ar. O Corredor Verde é cuidado pela equipe de jardinagem da empresa, com participação de 22 jardineiros, diariamente.
“O professor Paulo Saldiva, ao longo desses 18 anos, nos orientou, nos ensinou e nos inspirou a plantarmos essas árvores no Corredor. Temos pouco espaço para o verde, mas neste 1 metro do Corredor, de cada lado, onde passam os ônibus e os trólebus, em cinco cidades, começando na região leste de São Matheus, vindo por São Paulo, para Mauá, Santo André, São Bernardo, Piraporinha, Diadema, Jabaquara e o nosso corredor Diadema-Brooklyn, tivemos todas as indicações das melhores árvores o que mais mitigava o carbono na atmosfera, o que mais seria bom para a saúde”, revela Beatriz Setti Braga.
Dentre as diversas espécies, o destaque fica por conta da beleza dos Manacás-da-serra, Patas-de-vaca, entre outros. “Com isso, vamos mitigando carbono onde passamos. O nosso Corredor Verde é considerado um corredor exemplo para muitas cidades. Damos uma volta e meia à Terra todos os dias em quilômetros e podemos poluir menos com os ônibus elétricos, com os ônibus elétricos sem fio. Estamos caminhando com passos largos na contribuição ao nosso planeta”, ressaltou.
A doutora em Gestão Ambiental e consultora de meio ambiente da Next Mobilidade, Sonia Lima, enfatizou que a iniciativa também contribui para a saúde pública. “Um trabalho desse é cuidar da saúde pública, que os governos deveriam cuidar, mas quem está cuidando é uma empresa do setor privado, fazendo uma intervenção dessa natureza para melhorar as condições de saúde”, disse.

POLUIÇÃO NO TRÁFEGO DE VEÍCULOS
O professor Paulo Saldiva contou que as chaminés das fábricas estão dando lugar às novas chaminés que, segundo ele, são os corredores de tráfego e dentro deles o nível de poluição é mais ou menos 4 a 5 vezes maior do que a média da cidade. “É como se todos nós fumássemos de 0,6 a 0,7 cigarros por hora no trânsito. A fumaça tóxica dos escapamentos, a fuligem forma uma cicatriz nos nossos pulmões. Três horas por dia no trânsito é como fumar dois cigarros”, afirmou.
De acordo com Saldiva, a poluição do ar causa a morte de cerca de 7 milhões de pessoas por ano, sendo 4,5 mil mortes na cidade de São Paulo e cerca de 18 mil mortes na Região Metropolitana de São Paulo por ano.
“Quando você vai chegando perto de uma grande avenida, a poluição vai aumentando. Quanto mais tempo você passa no corredor de trânsito, mais poluição você recebe. Essa exposição impõe uma agressão que você não tem como se defender. Se você está na Marginal, você tem um super rio poluído ao lado. Ninguém te obrigada a beber aquela água, mas inalar o ar, com um monte de escapamentos ao seu lado, você não tem escolha, por isso é uma questão de saúde e de cidadania, porque você perde tempo da vida e tem o sedentarismo compulsório, você fica horas sentado por causa disso”, explica.
IMPACTO VERDE
“Quanto mais densa a vegetação, maior o sentimento de beleza pelas pessoas”, disse Saldiva, que enfatizou que as árvores e plantas reduzem a temperatura das ilhas de calor, melhoram a permeabilidade do solo e funcionam como verdadeiros filtros mecânicos e químicos dos poluentes.
“As plantas com clorofila ajudam a neutralizar e reduzir a poluição, agindo como purificadores naturais do ar e do ambiente”, explicou. “A importância do verde é tamanha que ele é um capital intangível da sustentabilidade”, completou.
CARROS ELÉTRICOS X ÔNIBUS ELÉTRICOS
“Não acredito nos veículos elétricos como instrumento de sustentabilidade porque se utilizam 2 mil quilos de lata para levar 70 kg de pessoa. Como isso vai ser sustentável?”, questiona o professor.
“A solução mais rápida é transporte elétrico público de alta eficiência e velocidade, ou seja, corredores de ônibus e metrôs. O carro elétrico como está concebido, hoje, é o cigarro eletrônico da indústria automobilística, mantém o hábito de comprar carro, mantém o transporte individual e reforça o uso equivocado do solo”, frisou Saldiva.
DOENÇAS RESPIRATÓRIAS
Segundo o professor, a poluição dos veículos promove o agravamento de doenças respiratórias, infarto e 20% dos novos casos de câncer de pulmão ocorrem em não fumantes. “Trata-se de um tipo diferente do ponto de vista molecular associado com poluição do ar. É um tipo de tumor chamado adenocarcinoma, que se dá mais em mulheres e tem uma assinatura de mutações diferentes das do cigarro”, ressaltou. “O cigarro é pior do que a poluição, mas hoje, no Brasil, apenas 10% das pessoas fumam”, completou.
Além do câncer de pulmão, a poluição contribui para a incidência de câncer de bexiga e de mama, de acordo com Saldiva.
NOVO PROJETO
Na ocasião, o professor sugeriu à Next Mobilidade a elaboração de um projeto, em parceria com universidades da região, com a criação de um núcleo, uma fonte de pesquisa, para utilizar as árvores e plantas do Corredor Verde como indicadores de poluição das cidades. “Utilizamos esses indicadores de poluição como elemento, fundamentalmente, permitindo trabalhar onde não tem monitoramento. As plantas podem ser usadas para uma série de situações, verificar a água coletada, o solo”, afirmou.
Saldiva explicou à Folha que dentro de uma região que não possui recurso de fazer monitoramento, pode-se fazer esse trabalho experimental. “Como se fosse um estetoscópio, aonde você examina e sabe onde precisa ser feita uma investigação mais detalhada. Podemos avaliar com precisão o impacto de um corredor e como o corredor tem diferentes níveis de tráfego, ter uma intervenção natural que se pode ajustar”, disse.
















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