Editorial

Dia Internacional da Mulher

O Dia Internacional da Mulhere é cele-brado neste domingo (8). A data marca a luta histórica das mulheres por direitos trabalhistas, igualdade salarial e participação política, oficializada pela ONU em 1975. Também simboliza, atualmente, a luta das mulheres contra o machismo e a violência.
Um dos marcos para o estabelecimento do Dia das Mulheres remonta a um incêndio que aconteceu em Nova York (EUA), no dia 25 de março de 1911. Esse incêndio aconteceu na Triangle Shirtwaist Company e vitimou 146 pessoas, 125 mulheres e 21 homens, sendo a maioria dos mortos judeus. As causas desse incêndio foram as péssimas instalações elétricas associadas à composição do solo e das repartições da fábrica e, também, à grande quantidade de tecido presente no recinto, o que serviu de combustível para o fogo.
Na época, alguns proprietários de fábricas, incluindo o da Triangle, trancavam seus funcionários no local durante o expediente, como forma de conter motins e greves. No momento em que a Triangle pegou fogo, as portas estavam trancadas.
A conquista dos direitos das mulheres foi um processo histórico de longa luta por igualdade, destacando-se o direito ao voto. A Nova Zelândia foi o primeiro país a permitir o voto feminino em 1893 e, no Brasil, o voto feminino foi conquistado em 1932.
Além disso, no país, as mulheres foram autorizadas a frequentar escolas em 1827 e universidades em 1879, porém, apenas em 1962, por meio do Estatuto da Mulher Casada (1962) permitiu às mulheres trabalharem sem autorização do marido e, apenas com a Constituição de 1988, foi garantida a igualdade de direitos entre homens e mulheres.
Atualmente, o maior desafio para as mulheres é combater a violência de gênero. O Brasil registrou 6.904 vítimas de casos consumados e tentados de feminicídio em 2025, o que representa um aumento de 34% em relação ao ano de 2024, quando houve 5.150 vítimas. Foram 4.755 tentativas e 2.149 assassinatos, totalizando quase seis (5,89) mulheres mortas por dia no país, de acordo com o Relatório Anual de Feminicídios no Brasil 2025.
Cerca de 59,4% das vítimas de feminicídio foram mortas pelos próprios companheiros, segundo dados do Fórum Brasileiro de Segurança Pública. Estudo do Instituto DataSenado também revela que 88% das mulheres já sofreram violência psicológica no Brasil e que grande parte dos casos ocorre na presença de crianças; denúncias ao 180 subiram 33% em 2025.
A criação da Lei Maria da Penha (2006) e Lei do Feminicídio (2015) ainda parecem incipientes para fazer com que os números de feminicídio apresentem queda. Políticas públicas promovidas, seja por iniciativa municipal, estadual ou federal, existem e têm aumentado, porém, é necessário ações que envolvam educação e revisão de crenças enraizadas na sociedade.
É preciso combater a raiz do problema, que é a misoginia, ou seja, o ódio, desprezo, aversão ou preconceito enraizado contra mulheres e meninas, manifestando-se em comportamentos que visam desvalorizar, controlar ou violar o gênero feminino e que surge junto com as estruturas patriarcais, onde o masculino foi estabelecido como superior e o feminino como subordinado.
Essa estrutura de poder concentra autoridade nos homens e busca excluir ou limitar as mulheres. Assim, o ódio surge como uma reação à autonomia feminina. Homens que se sentem ameaçados pelo aumento da igualdade podem reagir com hostilidade e violência para reafirmar a hierarquia.
Neste dia 8 de março, que as mulheres possam celebrar suas conquistas, mas que a data também seja mais um alerta para a gravidade sobre situação da violência de gênero no Brasil.