Política

Em São Caetano, Lula diz que “Brasil não precisa morrer por conta do petróleo” e defende biocombustíveis

“O Brasil não precisa morrer por causa do petróleo”, disse Lula

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva esteve em São Caetano, nesta segunda (13), para acompanhar nova fase dos testes em etanol e biodiesel nos laboratórios do Instituto Mauá de Tecnologia (IMT). Esteve acompanhado de diversos ministros e do vice-presidente, Geraldo Alckmin.

A agenda foi realizada no mesmo dia em que entidades do setor de biocombustíveis entregaram uma carta ao presidente em defesa do aumento da mistura obrigatória de biodiesel no diesel de 15% (B15) para 17% (B17). Segundo o documento, a medida reduziria a dependência das importações de combustíveis e reforçaria a segurança energética do país.

O Instituto Mauá foi escolhido pelo governo federal para integrar o grupo responsável por avaliar a viabilidade técnica do aumento da mistura de biodiesel no diesel.

A pesquisa submete motores a horas de funcionamento contínuo para verificar desempenho, durabilidade e segurança com porcentuais superiores ao atual B15. O objetivo é avaliar a possibilidade de ampliar gradualmente a mistura até B25 e de fortalecer a participação dos combustíveis renováveis na matriz nacional.

Na ocasião, Lula afirmou que o desenvolvimento dos biocombustíveis representa uma estratégia para ampliar a soberania energética do País. “O Brasil não precisa morrer por causa do petróleo. O petróleo continuará sendo importante, mas podemos preparar o País para viver cada vez mais com combustíveis renováveis”, anunciou.

O presidente destacou que o Brasil reúne condições para liderar esta transição graças à disponibilidade de terra, água, sol, conhecimento científico e matérias-primas agrícolas: “Podemos produzir combustível a partir da soja, da macaúba, da mamona e de diversas outras culturas. Podemos mostrar ao mundo que existe um caminho além do combustível fóssil”, afirmou.

De acordo com Lula, o País precisa converter pesquisas acadêmicas em soluções para a indústria. “O conhecimento precisa sair das teses e tornar-se produto. É assim que se gera emprego, produtividade, riqueza e desenvolvimento industrial”, disse.

Testes devem durar 300 horas com previsão para serem concluídos em cerca de 20 dias (Foto: Ricardo Stuckert/PR)

Conflitos internacionais

O presidente ainda avaliou os reflexos dos conflitos internacionais no mercado de petróleo. Lula afirmou que eles geram instabilidade global e reforçam a necessidade de acelerar a produção de combustíveis renováveis. “O que está acontecendo no mundo mostra que o Brasil precisa investir cada vez mais naquilo que produz. Os biocombustíveis significam independência, segurança energética e menor emissão de gases de efeito estufa”, frisou.

Descarbonização

Lula defendeu o protagonismo do etanol e dos veículos híbridos flex como alternativa à eletrificação. O País, de acordo com o presidente, detém vantagem competitiva ao combinar motores elétricos com etanol.

Ao encerrar a visita Lula afirmou que o resultado dos testes poderá fortalecer ainda mais a posição do Brasil como referência mundial em biocombustíveis. Os ensaios devem durar 300 horas com previsão para serem concluídos em cerca de 20 dias.