
Aos 98 anos, Leonilda Montibeller Zoboli é mãe de dez fi-lhos. Nascida em Charqueada, interior de São Paulo, veio morar em São Bernardo aos 5 anos de idade. Trabalhou na Tecelagem Setti, dos doze aos 20 anos, quando casou. “Vim de trem, com a família. Vi São Bernardo crescer, depois casei em 1947, tive dez filhos. São Bernardo é minha terra, meu pedacinho de vida”, comenta.
Leonilda relembra que não foi fácil criar os dez filhos. “Criei meus filhos com dificuldade, mas como dizia meu pai ‘quando um filho nasce, nasce com o pão debaixo do braço’, e foi isso que aconteceu comigo, cada filho que nascia, a gente ficava com mais facilidade de viver”, afirma.
Outra memória que traz consigo é da época que teve os primeiros filhos e não havia médicos na cidade. “Sofri bastante, porque naquela época não tinha médico em São Bernardo. Só tinha farmacêutico. Se quisesse ir num médico, precisava ir para São Paulo. Foi uma época difícil para criar filhos, não tinha assistência, principalmente de saúde. Lutei bastante”, diz.
Questionada sobre o que representa ser mãe, Leonilda afirma: “Eu não sei ser outra coisa. Casei com 20 anos e eu já era mãe, pois era a primeira filha e ajudei minha mãe a criar os filhos dela. Ela lavava e costurava roupa para fora, então, a educação dos meus irmãos ficou para mim”, conta.
Sempre atenta à educação dos fi-hos, fazia cursos e sempre praticou a religião católica. “Sempre fui ligada às crianças, mesmo antes de casar, cuidava de crianças na igreja. Sempre me interessei sobre educação de crianças, fazia cursos, isso me ajudou muito na educação dos meus filhos. Cada filho é uma personalidade e temos que acompanhar isso e a educação na igreja, qualquer igreja nos ajuda a criar os filhos. Na igreja, temos um apoio para educar os filhos”, revela.
Hoje, além dos 10 filhos, tem 20 netos e aguarda o nascimento do 15º bisneto. “É uma beleza tê-la como minha mãe. É uma graça de Deus, mesmo. Sempre ajudou no que queríamos fazer. O que queríamos fazer e não era digno, ela chamava nossa atenção. Mas, as coisas boas, ela sempre nos ajudava”, comenta o filho José Luiz Zoboli.
“O que me mantém em pé, é o cuidado que os filhos têm comigo, toda a noite tenho um dormindo comigo. Ser mãe é ter a cabeça sempre pensando nos filhos e nela, porque ela não pode se abandonar, porque senão, os filhos também vão se esquecer dela. E, devemos entregar tudo na mão de Deus, a educação, o comportamento de cada filho”, completa Leonilda.















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