Política

LIDE ABC debate impactos da IA nas eleições

Wilson Pedroso, Leandro Petrin, Ana Carolina Serra, Paulo Serra e Magno Maciel

O LIDE ABC realizou, na quinta (18), o Seminário Tecnologia, com o tema “O Impacto da Inteligência Artificial (IA) nas Eleições”, no Amsterdam Mingle, em Santo André.

O evento contou com palestras de Magno Maciel, CEO do Grupo X-VIA; Paulo Serra, presidente estadual do PSDB e ex-prefeito de Santo André; Wilson Pedroso, sócio do Instituto de Pesquisas Real Time Big Data; e Leandro Petrin, advogado especialista em Direito Eleitoral.

“Acho que todo mundo já se perguntou onde, de fato, isso vai parar, qual o impacto que a IA pode ter dentro da nossa sociedade e da nossa democracia?”, questionou o CEO do LIDE ABC e LIDE Futuro ABC, Walter Dias.

No seminário, os especialistas convidados não só responderam a essa questão, mas promoveram uma análise reflexiva sobre o impacto da IA na sociedade e nas eleições, passando pelo desafio do combate à desinformação.

Paulo Serra

“Se a tecnologia acelera a informação, ela também pode acelerar a desinformação”

Na avaliação de Paulo Serra, a IA vem para somar, agregar, mas ela também traz um desafio. “O que a IA nos coloca é um desafio para todas as áreas e, em especial, claro, a questão eleitoral, mas é um desafio geracional. Somos, a maioria, uma geração que nascemos analógicos e vamos morrer digital e fomos obrigados a passar por essa transição. Entre as mudanças que vamos ter, não é só uma adaptação da legislação que, claro, precisa e ela é muito reativa no Brasil, mas é uma adaptação que tem que estar dentro de nós”, diz.

O presidente estadual ressalta que é preciso ter disciplina para que as pessoas não sejam enganadas ou ludibriadas com conteúdo de IA e tomem decisões que afetem a democracia.  “Isso pode ser um risco para o próprio processo democrático cujo objetivo e conteúdo é que a vontade da maioria prevaleça, mas que a maioria decida pelo seu livre arbítrio. Se a tecnologia acelera a informação, ela também pode acelerar a desinformação”, pondera.

De acordo com Serra, a democracia é uma escolha humana. “Mais importante do que regular algoritmos é preservar valores como ética, transparência e compromisso com a verdade. A IA vai testar nossa capacidade de defendê-la. O futuro das eleições depende das escolhas que fazemos hoje”, conclui.

Leandro Petrin

“O momento que não é mais a retenção da atenção, mas sim a intenção”

Para o advogado especialista em direito eleitoral, Leandro Petrin, o momento não é mais a retenção da atenção, mas sim a intenção. “É a forma como a mensagem chega, é te conhecer e fazer ofertas específicas para você, te entregar coisas que são do seu interesse, mas que efetivamente, não foi você quem escolheu. Com o aperto de um único botão eu consigo entregar para milhares de pessoas um mesmo comando. Há uma hiperpersonalização, pois se sabe exatamente o que você quer ouvir, o seu gosto, o seu interesse”, conta.

À Folha, Petrin afirma que nesta campanha eleitoral, todas as propagandas eleitorais que tiverem uso de IA, seja um áudio, um vídeo, ou mesmo um texto e um panfleto deverão ter a identificação clara. “É o princípio da transparência. Então, o eleitor deve sempre saber que determinada propaganda foi manipulada, ela deve estar com a identificação clara”, revelou.

Leandro Petrin, advogado especialista em direito eleitoral, fala à Folha sobre a IA nas eleições.

Wilson Pedroso

“Vai ser descartado quem não utilizar IA”

O consultor político, com mais de 30 anos de experiência na organização de campanhas, é enfático: “Vai ser descartado quem não utilizar IA” e completa: “Quem abrir o mundo e aceitar a IA vai, inclusive, ganhar mais dinheiro, porque vai criar mais produtividade”.

Pedroso só acrescenta que a IA depende da inteligência humana. “a inteligência artificial depende da nossa inteligência, ela não vai tirar os nossos desafios. A IA não substitui a estratégia, ela acelera a execução da estratégia”, enfatiza.

O que a IA não sabe fazer? “Ler o sentimento das ruas, construir confiança, exercer liderança, compreender contexto político e tomar decisões difíceis”, diz o especialista.

O consultor político ainda conta que nas campanhas já é possível monitorar os temas escolhidos nas redes dos adversários e contrapor o adversário. “A batalha das campanhas, hoje, é nas redes sociais”, define.

À Folha, Pedroso avalia que nessas eleições os eleitores vão ter experiência com a IA semelhante às fakes news do último pleito. “Foi igual o que passamos com as fake news, nas eleições passadas. A Justiça de alguma forma tem tentado que as campanhas informem o eleitor que aquilo foi manipulado por IA, mas o que vem de fora, o que vem em WhatsApp, o que vem em grupo de amigos, o que vem da família, é difícil. Vamos ter que combater como combatemos as fake news, as pessoas vão ter que ter um pouco de discernimento de entender que aquilo é real ou não”, diz.

Wilson Pedroso, sócio do Instituto de Pesquisas Real Time Big Data, fala à Folha sobre a IA.

Ana Carolina Serra

“Nada substitui a campanha, o olho no olho, conversar com as pessoas”

A deputada estadual acredita que a IA quando “bem utilizada contribui bastante”, mas que espera, por parte dos candidatos, lisura, ética e o compromisso em utilizar e cumprir a legislação. Porém, enfatiza: “Acima de tudo o que acredito é que nada substitui a campanha, o olho no olho, conversar com as pessoas”.

Para Ana Carolina, a tecnologia vem para somar, mas explicar projetos, conversar, tirar dúvidas. “Mas, o corpo a corpo que fazemos em campanhas, é isso o eleitor ainda espera, porque infelizmente, por conta das fakes news, o que a gente vê é que o eleitor também pode ficar desconfiado”, afirma.

A deputada estadual Ana Carolina Serra fala à Folha sobre o uso da IA nas eleições.

Magno Maciel

“É importante que as pessoas sejam influenciadas positivamente pela IA e não negativamente”

O especialista em IA acredita que as pessoas possam ser influenciadas positivamente pela IA e não negativamente.  “Tem um lado positivo de tudo isso. Sim, utilizar a IA é muito bom. Imagine, hoje, você hiper personalizar uma mensagem para cada perfil de eleitor, afinal, cada pessoa pensa de um jeito, consome informação de um jeito, tem necessidades específicas. O Plano de Governo é um só, mas ele atende jovens, o mais velho, o empresário, o estudante, diferentes classes sociais com diferentes temáticas e necessidades e carências. Portanto, você ser capaz de adaptar o discurso é claro que isso é muito valioso. Não há nada melhor do que usar a IA para isso”, acredita.