O ministro do STJ (Superior Tribunal de Justiça), Marco Buzzi, foi acusado de assediar sexualmente uma garota de 18 anos, estudante de Direito e filha de um casal de seus próprios amigos, em janeiro, durante uma viagem à casa de praia do ministro em Balneário Camboriú, em Santa Catarina. Buzzi, de 68 anos, é ministro do STJ desde 2011.
Em depoimento à Polícia Civil de São Paulo, a jovem detalhou o abuso. Buzzi teria a levado para uma área afastada da praia para entrarem no mar por estar “mais tranquilo”. Dentro do mar, a jovem disse que o ministro passou a se aproximar fisicamente. Ainda de acordo com a garota, o ministro teria a virado de costas e pressionado seu corpo contra o dele. No momento, ainda de acordo com a vítima, Buzzi falou que a achava “muito bonita” e tocou as suas nádegas.
Então, a jovem tentou se afastar e só conseguiu depois de algumas tentativas, porque a puxava de volta. Ele ainda deu um “conselho” à moça. “Você é muito sincera, deveria ser menos sincera com as pessoas. Isso pode te prejudicar”, teria dito o ministro.
A jovem, então, contou à Polícia que deixou a praia sozinha, voltou ao condomínio e, imediatamente, contou o que aconteceu aos pais. A família decidiu encerrar a viagem e retornar a São Paulo. Por meio de nota, a defesa de Buzzi afirmou que considera “inaceitável” qualquer tentativa de julgamento antes da apuração formal dos fatos e criticou a exposição do caso.
A esposa do ministro, Katcha Valesca, que está casada há 43 anos com Buzzi, ao saber do ocorrido expressou incredulidade com a conduta do marido. Disse em mensagem aos pais da jovem não acreditar e que nos 47 anos que conhece ele nunca soube de “nada parecido”. Evidente que devido ao corporativismo no Judiciário e o medo, receio da influência e poder dos magistrados, havendo mais vítimas, quem teria coragem para sustentar e levar adiante qualquer denúncia?
Tamanha a influência, Buzzi já contratou quatro advogados, sendo um deles, o criminalista Paulo Emílio Catta Preta, sobrinho do juiz federal Itagiba Catta Preta, do DF, magistrado próximo ao ministro do STF, Kassio Nunes Marques, que é o relator da investigação sobre Buzzi que tramita na corte. Ou seja…
Uma segunda mulher, uma servidora que ocupava uma função subordinada ao ministro, também o denunciou. Relatou ter sido assediada sexualmente dentro do gabinete dele no tribunal. O depoimento foi considerado crucial para que a corte determinasse, por unanimidade, o afastamento do magistrado, na terça (10).
A nota do STJ diz que o afastamento é “cautelar, temporário e excepcional”. Buzzi continuará recebendo seu salário, que é de R$ 44 mil por mês. Vale lembrar que nos últimos meses de 2025, o ministro ainda embolsou R$ 616,4 mil, conforme dados do Conselho Nacional de Justiça (CNJ). O resultado da apuração será analisado pelo plenário do STJ no dia 10 de março. A defesa do ministro diz ter áudios de vi-zinhos dele no condomínio que negam o assédio sexual à jovem de 18 anos.
O CNJ, que em 2025 completou duas décadas, puniu apenas 175 magistrados de todo o país, de mais de 18.892 juízes do país. Caso Buzzi seja “punido” pelo CNJ, será por meio da aposentadoria compulsória, e ele continuará ganhando o mesmo salário. O corporativismo do Judiciário, somado a influência e o poder, podem resultar em uma “nova versão verdadeira” para os casos de assédio? A impunidade impera no Brasil.












