Editorial

O efeito das canetas emagrecedoras no consumo

As canetas emagrecedoras, como Ozempic e Mounjaro, tornaram-se uma febre nacional no Brasil devido ao emagrecimento rápido. Com isso, já tem mudado o hábi-to de consumo de muitos adeptos do uso, além de reduzirem gastos com alimentação e, com isso, impactar negativamente as vendas em supermercados.
As substâncias contidas nas canetas, inicialmente desenvolvidas para o tratamento do diabetes tipo 2, atuam em receptores hormonais que controlam o apetite, prolongando a sensação de saciedade e, assim, reduzindo a ingestão calórica. Estudos demonstram que o uso contínuo dessas medicações pode resultar em uma redução de até 25% do peso corporal em menos de um ano, o que representa um avanço significativo no tratamento do emagrecimento.
A patente da semaglutida, princípio ativo do Ozempic e do Wegovy, venceu, no último dia 20 de março. A exclusividade na fabricação dos medicamentos era da farmacêutica Novo Nordisk. Agora, outras empresas poderão produzir e comercializar medicamentos com a mesma substância no Brasil, desde que autorizadas pela Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária). A expectativa é de queda nos preços de até 35%, segundo projeção da EMS, uma das empresas que deverá produzir a versão nacional.
Após o início do uso das canetas emagrecedoras, muitos consumidores mudam radicalmente as escolhas de compra em supermercados. Doces, guloseimas, refrigerantes e cervejas, por exemplo, acabam sendo substituídos por itens de alimentação saudável, como frutas, verduras, legumes e principalmente pelas proteínas, para evitar a perda de massa muscular e conseguir controlar a saciedade.
Em 12 meses, até o terceiro trimestre de 2025, cada usuário do medicamento cortou em quase 5% o número de unidades de alimentos e bebidas comprados nos supermercados em relação aos 12 meses anteriores, aponta a consultoria Worldpanelby Numerator Latam.
Além disso, os usuários das canetas também reduzem idas a bares e restaurantes ou consomem menos. De acordo com pesquisa da NielsenIQ, 62,2% dos que usam canetas mudaram a escala de prioridade de outros gastos. O setor mais afetado pelo uso das canetas foi o de bares, com 62,3%, seguido por serviços de uma maneira ge-ral (56,6%), restaurantes (54,9%), lazer (50%) e mercados (16,4%).
O uso das canetas emagrecedoras está hoje no foco da discussão da indústria e do varejo de alimentos e bebidas. A cadeia de supermercados, restaurantes, fast-foods precisa se adaptar porque as pessoas que usam as canetinhas estão comprando e consumindo menos.
O emagrecimento rápido faz parte dos sonhos dos brasileiros e as canetas só precipitaram um movimento que já vinha ocorrendo na sociedade, que é a busca por uma vida mais saudável. Atualmente, de acordo com estudos recentes, metade da população não se sente bem nem física nem mentalmente e 70% dos brasileiros já ouviram falar das canetas. Trata-se da maior marca entre os países da América Latina.
A quebra da patente e o início da produção nacional farão o uso das canetas emagrecedoras aumentar ainda mais. Consequentemente, haverá o desafio para as indústrias do setor, varejo de supermercados e atacarejos, de driblar a queda nas vendas com os novos hábitos de consumo, não só de alimentos e bebidas. Afinal, os usuários das canetas acabam redesenhando seus gastos e, assim, setores poderão ser afetados, como o de cosméticos, higiene e beleza, por exemplo.

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