Eleições 2026 Política

Regina Maura: “O país precisa ter uma uniformidade em tratar e cuidar das pessoas”

Entrevista exclusiva com a vice-prefeita de São Caetano e pré-candidata a deputada federal, Regina Maura Zetone.

A vice-prefeita de São Caetano e pré-candidata a deputada federal, Regina Maura Zetone (PSD), em entrevista exclusiva, revelou que aceitou o desafio de disputar uma vaga na Câmara dos Deputados, a convite de Gilberto Kassab, presidente nacional do PSD, porque muitas mulheres a procuraram para que ela as representasse na política.

Com mais de 35 anos na vida pública, boa parte deles atuando na saúde pública, Regina Maura revelou que a Saúde continuará sendo sua bandeira, caso eleita, em Brasília. Em foco, projetos na temática da endometriose, menopausa e idosos.

A pré-candidata afirma que fará dobrada com o deputado estadual Thiago Aurichio (PL)e que irá focar sua campanha em São Caetano e no ABC. Também fala sobre sua relação de “amor e intimidade com a cidade”, comentando sobre a trajetória da sua família em São Caetano. Confira.

FOLHA DO ABC- A sra. tem uma trajetória na vida pública de mais de 35 anos. Como avalia a participação feminina na política? É um desafio maior ser mulher e estar na política, principalmente como vice-prefeita?

Regina Maura Zetone- Realmente, a participação da mulher na política está muito aquém daquilo que a gente espera. Sou partidária da opinião de que as mulheres deveriam ser 50% dos eleitos, não só 30% de candidatos, mas que a gente tivesse a oportunidade de ter 50% de vagas para mulheres, as mais votadas e 50% para homens, os mais votados.

Acho que isso seria o mais justo, uma vez que as mulheres têm menos oportunidades nas campanhas, têm menos apoio e estrutura nas campanhas políticas para se elegerem. E, para atuar na política, há outras barreiras que são imensas e que dificultam que as mulheres desempenhem o seu papel mesmo depois de eleitas.

Um exemplo clássico disso é a misoginia. Aquela visão de alguns homens, obviamente, que são muito poucos, graças a Deus, mas que têm uma visão de que a mulher não pode ter protagonismo, que a mulher não pode estar à frente, que a mulher não pode ser líder, que a mulher tem que ficar sempre atrás de alguém e não do lado.

FOLHA- O presidente do PSD, Gilberto Kassab, a convidou para disputar como deputada federal. Por que aceitou o convite?

Regina Maura- Não tinha essa intenção, tanto é que estou, agora, fazendo um trabalho de conhecimento, apesar de ser já eleita vice-prefeita, ainda muitas pessoas não conhecem a gente, muitas não conhecem nem o prefeito, né?

Na verdade, acabam votando por indicação do antigo prefeito e acaba que a gente precisa se apresentar para a população e estou fazendo isso agora.

Acabo correndo atrás do tempo que está passando. Mas, acabei decidindo porque comecei a perceber com alguns eventos que aconteceram na cidade, enfim, alguma situação que fez com que as mulheres viessem me procurar, não só para me apoiar, mas para pedir que continuasse atuando na política, porque elas me sentem como uma representante delas, pelo menos aqui no município. Acham que devo continuar, ir em frente, ‘porque você nos representa, é nossa liderança’.

Comecei a perceber que não era por mim, é por todas as mulheres da cidade, da região, todas as mulheres do Brasil, acho que as mulheres têm que representar outras mulheres. A gente precisa ter mulheres à frente da política para de fato defender as demandas, as situações que as mulheres enfrentam no dia a dia.

“As mulheres acham que devo continuar, ir em frente, porque ‘você nos representa, é nossa liderança”, diz Regina Maura

FOLHA- Quais serão as bandeiras e projetos que a sra. defenderá em Brasília?

Regina Maura- Como sempre, a minha bandeira vai ser a saúde. Essa minha experiência desses 35 anos na vida pública, na saúde pública. Então, vou continuar. Tenho algumas ideias, como centros especializados de endometriose para todo o Brasil, como o tratamento e acompanhamento de menopausa para todas as mulheres em todo o Brasil, porque não é justo você poder fornecer esse tipo de tratamento para quem tem convênio, para quem paga particular, e uma mulher que seja usuária do SUS não ter esse direito, quer dizer, só tem uma orientação e sem um tratamento adequado.

Também a questão do idoso é muito importante. O idoso ele acaba chegando a uma certa idade em que, às vezes, não tem filhos, ou até filhos que moram longe. É um idoso sozinho e acho que nenhum idoso deve ficar sozinho, nem ficar para trás. A gente deve ter políticas públicas que apoiem e que estejam cuidando, acompanhando idosos que não têm família ou que não têm quem olhe por eles. O poder público tem que olhar pelos idosos.

FOLHA- Qual a principal demanda da região e de São Caetano que a sra. poderá ajudar a solucionar?

Regina Maura- Uma grande demanda é a questão da mobilidade urbana, o trânsito que está de uma forma causando tensão nas pessoas, ele intensifica os problemas de saúde mental. As pessoas nervosas, ansiosas, depressivas, muitas vezes por questão de trânsito, da segurança, mas a segurança é uma questão realmente é nacional. Então, há alguma política pública que a gente está vendo que já está sendo providenciada, mas acho que a gente tem que batalhar por isso também.

E a questão da saúde mesmo. O Brasil, são vários Brasis. Você tem um tipo de atendimento em São Caetano e tem outro completamente diferente, na Zona Leste de São Paulo, por exemplo. Cada lugar do país tem uma particularidade e a gente precisa promover a equidade nisso. O país precisa ter uma uniformidade em tratar as pessoas, em cuidar das pessoas.

FOLHA- Como está estruturando sua campanha, vai percorrer o Estado? Quais dobradas irá fazer?

Regina Maura- Vou fazer minha campanha focada em São Caetano e no ABC. Não tenho tempo hábil para correr o Estado. É óbvio que, algumas vezes, a gente tem alguns votos no interior, porque temos parentes, amigos, enfim.

Mas, e as dobradas, o que tenho fechado até agora é com o Thiago Auricchio (PL), em São Caetano, e tem outras dobradas em estudo, mas que dependem de alguns fatores ainda para a gente fechar.

FOLHA- O ABC possui cerca de quatro deputados federais. Acha possível ampliar essa representatividade da região em Brasília ou haverá disputa por votos, considerando, também outras pré-candidaturas de ex-prefeitos?

Regina Maura- Acho que, assim, é possível aumentar essa representatividade e como também alternar, porque o poder vai se alternando no decorrer do tempo. E é uma batalha, né? É uma eleição, todo mundo está correndo atrás de votos. Espero ter sucesso nessa eleição, com certeza. Também vou correr atrás de voto e espero ter sucesso nessa eleição.

FOLHA- A nível nacional, esta eleição promete ser bastante polarizada. O partido da sra. irá apoiar o Ronaldo Caiado para presidente. Qual avaliação faz desta polarização? Caso o Caiado não esteja no 2º turno, irá apoiar o Flávio?

Regina Maura- Essa polarização é uma coisa que entristece muito a população. A maioria da população não quer votar nem no candidato da esquerda, nem no candidato da direita. Mas tem medo que o candidato que ela rejeita totalmente seja eleito.

Essas pessoas gostariam muito de ter uma terceira via. Acho que o Caiado é a pessoa certa para ser o candidato contra a esquerda nesta eleição. O Caiado tem mais de 40 anos de vida pública sem ter sequer um processo, um escândalo ou qualquer tipo de eventualidade que venha a falar contra a pessoa dele. Realmente é a terceira via que nós precisamos e apoio, sim, tremendamente.

FOLHA- São Caetano irá completar 149 anos, no próximo dia 28 de julho. Como define a sua relação com a cidade?

Regina Maura- Nasci em São Caetano, vivi a vida toda aqui, fiz a minha carreira aqui, não só a carreira na área pública, mas a carreira também na área privada.

Trabalhei muito como ginecologista e obstetra em conjunto com a minha atuação na secretaria de saúde. Depois de um determinado momento, cresceu tanto a saúde, nós evoluímos tanto com a saúde pública que, precisei dedicar muito mais tempo à saúde pública do que à saúde privada e acabei ficando só na saúde pública.

Então, a minha relação é de amor e intimidade com a cidade, porque conheço cada buraquinho da cidade, ando por cada buraquinho da cidade, as pessoas conhecem não só a mim, como a minha família, minha família é de São Caetano.

Meu pai foi empresário na cidade. A minha mãe nasceu em São Caetano. O meu pai, o que ele tem e o que ele deixou para os filhos, foi conquistado trabalhando em São Caetano e até hoje a minha família produz emprego e renda na cidade, através do meu filho que trabalha com a empresa, meu irmão. A família Zetone continua produzindo renda e fornecendo emprego na cidade. Então, a nossa relação é íntima e definitiva. Não tem como dizer: ‘não vou mais, daqui a um tempo, não vou estar em São Caetano’. É em São Caetano que quero terminar os meus dias, muito feliz, com muita saúde, se Deus quiser.