Entre 2021 e 2025, foram 52 milhões de clientes atendidos no Estado de SP e 3 milhões no ABC

(Fotos: Divulgação – Sebrae)
O Sebrae (Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas) completou 54 anos, no domingo (5). A data é marcada por números recordes de atendimentos e momentos marcantes que consolidaram a instituição como a maior parceira dos empreendedores.
Rodrigo Soares, presidente do Sebrae, em entrevista à Folha, destaca a força dos pequenos negócios na economia brasileira, as principais conquistas que contribuíram para o fortalecimento do empreendedorismo no país como a instituição do Simples Nacional, da figura jurídica do Micro-empreendedor Individual (MEI) e o direcionamento do Sebrae para os próximos anos. A seguir, os principais trechos da entrevista.
Folha do ABC – Ao longo desses 54 anos, quais foram os momentos mais marcantes?
Rodrigo Soares – O Sebrae acumula uma longa história de atuação e serviços em favor dos pequenos negócios e do fortalecimento do empreendedorismo no país. No decorrer desses 54 anos, colecionamos momentos marcantes que consolidaram a instituição como a maior parceira do empreendedor e da empreendedora brasileiros.
Destaco a articulação política feita junto ao Congresso Nacional e ao Poder Executivo que viabilizou a criação de marcos regulatórios históricos, como a instituição do Simples Nacional e da figura jurídica do Microempreendedor Individual (MEI), além da sua luta permanente para a simplificação do ambiente de negócios no país.
Não há também como esquecer o papel desempenhado pelo Sebrae durante a crise sanitária global de Covid-19, quando a instituição atuou em diversas frentes para contribuir com que os pequenos negócios conseguissem superar uma das crises mundiais mais graves dos últimos 100 anos.
Por fim, o Sebrae posicionou os pequenos negócios como atores estratégicos no debate sobre o enfrentamento da tragédia climática durante a COP30, realizada no Brasil. Mostramos, por meio de exemplos concretos, como as micro e pequenas empresas podem e devem participar do grande esforço global pela transição para uma economia sustentável. Destaco o trabalho que vem sendo realizado, na região do Baixo Amazonas, para difusão da bioeconomia.
Folha – Qual a importância dos pequenos negócios e dos empreendedores para a economia do país?
Soares – Os pequenos negócios são uma força incontestável na economia brasileira. Esse segmento representa 95% do total de empresas em atividade no território nacional, responde por metade dos postos de trabalho formais, gera 40% da massa salarial e equivale a cerca de 26,5% do Produto Interno Bruto (PIB).
Além disso, as micro e pequenas empresas têm um papel estratégico na distribuição de renda e na inclusão socioeconômica de fatias representativas da população, ao promover as economias locais, proporcionando a circulação de dinheiro e a criação de empregos nas proximidades onde os próprios trabalhadores vivem.
Folha – Quantos empreendedores foram beneficiados pelo Sebrae desde sua fundação? Quantos são do ABC?
Soares – Não é possível precisar o volume de atendimentos feitos ao longo de 54 anos. Mas podemos ter uma dimensão desse trabalho se avaliarmos os dados coletados entre 2014 e o ano passado. Em todo o Brasil foram 49 milhões de clientes atendidos, 11 milhões apenas em São Paulo.
Considerando o número de atendimentos realizados em São Paulo, temos o resultado de 52 milhões entre 2021 e 2025. Nesse mesmo período – levando em conta apenas os municípios do ABC, chegamos a 3 milhões de atendimentos realizados.
Folha – O que representa para o sr. estar à frente da instituição neste momento celebrativo?
Soares – Liderar a instituição que se consolidou como a principal referência de suporte a quem inicia ou já possui uma atividade empresarial envolve compromisso tanto com o nosso público externo, quanto com os milhares de colaboradores distribuídos por todo o país.
Somos reconhecidos como a instituição referência quando o assunto é empreendedorismo. E isso se deve ao trabalho de apoio efetivo aos mais de 24 milhões de pequenos negócios do país. Estamos em todos os estados brasileiros, são quase 5 mil salas do empreendedor espalhadas no Brasil. Onde tem pequeno negócio, tem Sebrae.
No âmbito interno, temos feito um trabalho permanente de qualificação do nosso atendimento, elevando o nível de competência das nossas equipes.
Esse esforço tem rendido resultados. Nos últimos anos, fomos reconhecidos como um dos melhores locais para se trabalhar no Brasil (em ranking elaborado pelo Estadão) e ampliamos a avaliação dos nossos clientes a respeito do atendimento oferecido presencialmente ou pela internet. Além disso, também alcançamos o reconhecimento como uma das marcas mais valiosas do país em pesquisa elaborada pelo Instituto Ipsos.
Folha – Qual será o direcionamento do Sebrae para os próximos anos?
Soares – O Sebrae olha para o futuro com uma visão de empreendedorismo sustentável, inovador e inclusivo. Esta base vem sendo construída há pelo menos três anos. Podemos citar alguns exemplos, como o Programa Pró-Catadores, que teve a adesão dos 26 estados brasileiros e do Distrito Federal, com isso passamos de 600 cooperativas de catadores, que o Sebrae acompanha no país inteiro.
Além disso, estamos avançando com os gestores municipais no sentido de conseguir o reconhecimento das cooperativas e associações, no trabalho dos catadores, como um serviço ambiental. A nossa missão é fazer com que a atividade da reciclagem seja vista, em todo seu encadeamento produtivo, como um negócio. O que de fato é, pois gera emprego, renda e ao mesmo tempo melhora a qualidade de vida de toda uma comunidade e isso é desenvolvimento territorial.
Estamos avançando também em políticas públicas para o empreendedor e a empreendedora da classe C. Para este público, lançamos o Potência Empreendedora, que prepara e acelera esses pequenos negócios. Apesar da relevância econômica dos empreendedores da classe C, 78% deles não se sentem reconhecidos. O projeto e o cartão surgem como uma resposta a essa realidade, valorizando esses empreendedores e ampliando o acesso deles a oportunidades.
Outra grande defesa está em torno do aumento do faturamento do teto do MEI, que irá permitir mais renda digna para os microempreendedores individuais. A proposta de elevar o limite de faturamento do MEI de R$ 81 mil para R$ 140 mil recompõe a perda do poder de compra causada pela inflação. Não podemos deixar de frisar que a oportunidade do MEI contratar mais um empregado vai possibilitar que o segmento gere ainda mais empregos no Brasil, com perspectivas de pelo menos mais 600 mil novas carteiras assinadas no próximo ano.
Ainda sobre o MEI, realizamos um trabalho de cruzamento de dados entre o CadÚnico e o microempreendedor individual. 57% dos 4,6 milhões de MEI (aproximadamente 2,6 milhões) decidiram abrir o CNPJ depois de aderir ao registro que garante acesso aos programas sociais. São aproximadamente 4,6 milhões de MEIs em um universo de 16,6 milhões de empreendedores formalizados por meio dessa figura jurídica. Esta política pública é um estímulo para que as pessoas busquem a autonomia financeira por meio do empreendedorismo. Por isso, o Sebrae iniciou uma busca ativa por meio das redes sociais, com uma novela “Dona do Seu Próprio Destino”, que reforça a informação de que ser MEI não corta o benefício do Bolsa Família.
O Sebrae também, por meio dos seus estudos e pesquisa, avaliou a necessidade de uma política de crédito para o segmento. Neste cenário, estamos executando o crédito assistido por meio do fundo de aval do Sebrae, o Fampe.
No âmbito da inovação, estamos atuando em várias frentes para ampliar o acesso dos empreendedores e empreendedoras à digitalização e à inteligência artificial para melhorar a produtividade e da eficiência.
Nesse sentido, nossa atuação seguirá em várias frentes: na democratização do acesso à tecnologia, na remoção das barreiras que dificultam a obtenção de crédito, na melhoria do ambiente de negócios com o aperfeiçoamento do marco legal, na qualificação permanente do empreendedor e na difusão do empreendedorismo como uma alternativa profissional à juventude brasileira.
“Há 54 anos, o Sebrae acredita no poder transformador do empreendedorismo. Ao apoiar quem empreende, ajudamos a transformar vidas, gerar renda, criar empregos e fortalecer a economia dos municípios. Nossa missão vai muito além de apoiar a abertura ou o crescimento de empresas: promovemos a inovação, fortalecemos os pequenos negócios urbanos e rurais, estimulamos a educação empreendedora e trabalhamos pela construção de políticas públicas que tornam o ambiente de negócios mais simples e competitivo. Os pequenos negócios representam a grande maioria das empresas, portanto temos orgulho de caminhar ao lado de milhões de empreendedores, contribuindo para um desenvolvimento econômico mais sustentável, inclusivo e capaz de transformar o Brasil”
NELSON HERVEY
(diretor-superintendente do Sebrae-SP)


“O Sebrae é um exemplo de atuação transformadora: impacta públicos diversos – gestores públicos, professores, alunos e empresas de todos os setores – que convergem em uma agenda sistêmica e consistente de fomento ao empreendedorismo. Munido de programas, projetos e atividades relevantes, esse time de vocacionados acredita que o pequeno empresário é o maior agente de desenvolvimento, de geração de renda e de distribuição de oportunidades. Fazer parte desse time é motivo de orgulho. Viva o Sebrae!”
VINICIUS NÓBREGA
(gerente regional do Sebrae-SP no ABC)
















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