Evento reuniu lideranças do Sicredi, Federação Brasileira de Bancos (Febraban), Banco Central do Brasil, Open Finance Brasil, Associação Brasileira de Bancos (ABBC), entre outras instituições

POR NICOLE FLORET
Durante a 13ª edição da Semana Nacional de Educação Financeira (Semana ENEF), realizada de 18 a 24 de maio, o Sicredi, na quarta (20), promoveu a primeira edição do Fórum de Bem-Estar Financeiro. O evento aconteceu em São Paulo e reuniu lideranças do Sicredi, Federação Brasileira de Bancos (Febraban), Banco Central do Brasil, Open Finance Brasil, Associação Brasileira de Bancos (ABBC), entre outras instituições, com o objetivo de compartilhar conhecimentos, estimular atitudes e comportamentos e construir uma base sólida para a tomada de decisões financeiras.
Em discurso inicial, o presidente executivo da Federação Brasileira de Bancos (Febraban), Isaac Sidney, destacou que o tema do fórum está totalmente relacionado com o endividamento e a inadimplência. “Estamos em patamares recordes de endividamento e de inadimplência. Como enfrentar é o nosso desafio, é um cenário que exige de todos nós. Precisamos de abordagem técnica e responsável, e é isso que a Febraban tem se disposto a fazer. O desafio é muito mais profundo do que tratar de programas de renegociação de dívidas, do que uma, ou duas ou três conclusões sobre as causas do elevado nível de endividamento. Estamos muito engajados em debater estas causas”, disse.
Segundo o presidente, 80,4% das dívidas das famílias brasileiras são consideradas endividamento saudável. “São dívidas de longo prazo, com taxas de juros acessíveis, com linhas voltadas para aquisição de bens duráveis, para formação de patrimônios, como financiamento imobiliários, crédito consignado, financiamento de veículos. São linhas saudáveis, de longo prazo”. No entanto, 17% das dívidas, de acordo com o executivo, são dívidas de crédito ruim. “É um crédito de curto prazo, emergencial, muito caro. Infelizmente tem sido, cada vez mais, utilizado para o consumo recorrente, do dia-a-dia, e isso compromete a renda das famílias, são dívidas que corroem o orçamento”, disse.
O presidente destacou que o primeiro passo é fazer um diagnóstico correto para identificar as possíveis vertentes que mais impactam no nível de endividamento e inadimplência. Entre os vetores que interferem no cenário, o executivo citou a combinação do excesso de oferta de crédito, do custo de vida elevado e do uso recorrente do crédito como complemento da renda.
“O crédito deixou ou não de ser um instrumento de antecipação de algumas despesas e passou ou não a ser um mecanismo de sobrevivência financeira? Precisamos fazer esta reflexão, pois estamos diante de um crédito em um ambiente de juros elevados, que aumenta o risco de inadimplência, de calote, compromete mais a renda das famílias e leva ao endividamento”, destacou o presidente da Febraban.
O presidente da Central Sicredi PR/SP/RJ, Manfred Dasenbrock, ressaltou que o bem-estar financeiro é uma ambição de todos. “O bem-estar financeiro é uma ambição de todos nós, que passa por educação e cultura. O Banco Central tem, hoje, uma resolução própria ordenando que as instituições financeiras precisam acompanhar o seu cliente, no nosso caso o associado, dentro da sua jornada financeira, em termos de educação. E nós acreditamos nisso”, ressaltou Manfred.
Durante o fórum, o Chefe do Departamento de Promoção da Cidadania Financeira do Banco Central do Brasil, Luis Mansur, proferiu palestra com o tema ‘O que é bem-estar financeiro: a visão do G20’.
“É uma satisfação muito grande estar representando o Banco Central em um fórum que trata de bem-estar financeiro, um tema que é bastante importante para o Banco Central do Brasil. Vivemos hoje um momento muito bom em termos de inclusão financeira, o país todo tem acesso às contas bancárias. É o momento de mudar nosso foco para o bem-estar financeiro. Hoje, não é mais importante somente ter uma conta no banco, é importante que esta conta gere um bem-estar financeiro para o cliente”, afirmou Mansur.
O fórum trouxe ainda painéis onde foram abordados os temas: ‘Além do dinheiro: o que influencia o bem-estar financeiro?’, ‘Inovação a serviço de uma vida financeira sustentável’ e ‘Resultados que transformam: estratégias para potencializar o bem-estar financeiro’.
Dirlene Silva, economista da DS Estratégias de Educação & Inteligência Financeira, que participou de um dos painéis, ressaltou a importância do evento. “É um evento muito importante para levar para as pessoas a educação financeira, que é, acima de tudo, uma ferramenta de transformação social. Através da educação financeira, podemos conquistar o nosso tão requerido bem-estar financeiro”, disse Dirlene.
O professor da Harvard Business School e palestrante no TEDx, Michael Norton, fez a palestra de encerramento do fórum, com o tema ‘Comportamento, emoções e escolhas: a ciência por trás das finanças’.
















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