
O avanço das discussões sobre a possibilidade de um novo episódio de Super El Niño tem chamado a atenção de cientistas e autoridades ambientais em diversas partes do mundo. O fenômeno climático, associado ao aquecimento anormal das águas do Oceano Pacífico, pode provocar alterações significativas no clima global — incluindo impactos diretos no Brasil e no ABC.
Segundo o Prof. Dr. José Luiz Laporta, coordenador adjunto do curso de Ciências Biológicas do Centro Universitário Fundação Santo André, episódios mais intensos de El Niño costumam provocar mudanças importantes nos padrões climáticos da América do Sul.
“O Super El Niño pode intensificar extremos climáticos, alterando regimes de chuva, temperatura e equilíbrio ambiental. Regiões urbanas densamente ocupadas, como o Grande ABC, tendem a sentir esses efeitos de forma mais evidente”, explica o especialista.
O que é o Super El Niño?
O El Niño ocorre quando há um aquecimento acima do normal das águas superficiais do Oceano Pacífico Equatorial. Quando esse aquecimento é muito intenso, o fenômeno passa a ser chamado informalmente de “Super El Niño”.
Entre os efeitos globais mais comuns estão: aumento das temperaturas; alterações no volume de chuvas; secas em algumas regiões e tempestades e enchentes em outras.
Possíveis impactos no ABC
Segundo o Prof. Laporta, o ABC pode enfrentar consequências como: aumento das temperaturas médias; ondas de calor mais frequentes; chuvas intensas e temporais; risco ampliado de enchentes e deslizamentos; maior pressão sobre sistemas urbanos.
“Regiões urbanizadas e impermeabilizadas sofrem mais com eventos extremos, principalmente chuvas intensas concentradas em curtos períodos”, destaca.
Impactos ambientais e na saúde
O especialista também alerta para efeitos indiretos do fenômeno: piora da qualidade do ar; aumento de doenças transmitidas por vetores, como dengue; pressão sobre recursos hídricos e impactos na biodiversidade e nos ecossistemas urbanos.
“Mudanças climáticas e eventos extremos afetam diretamente o equilíbrio ambiental e a saúde pública”, afirma.
Aumento de vetores e doenças
Com temperaturas elevadas e alterações no regime de chuvas, ambientes favoráveis à proliferação de mosquitos podem aumentar.
“Calor e água acumulada favorecem vetores como o Aedes aegypti, ampliando o risco de doenças como dengue, chikungunya e zika”, explica o professor.
Como se preparar
O Prof. Laporta destaca algumas medidas importantes, durante períodos de calor intenso: manter hidratação adequada; evitar exposição excessiva ao sol; redobrar cuidados com idosos e crianças.
Em períodos de chuvas fortes: evitar áreas de alagamento; acompanhar alertas da Defesa Civil e manter limpeza de calhas e sistemas de drenagem.
Como controle ambiental: evitar água parada e reforçar ações de prevenção contra mosquitos.
Mudanças climáticas e adaptação urbana
O especialista ressalta que eventos extremos tendem a se tornar mais frequentes em um cenário de mudanças climáticas globais. “As cidades precisam investir em planejamento urbano, drenagem, áreas verdes e sustentabilidade para enfrentar os desafios climáticos do futuro”, afirma.
No Centro Universitário Fundação Santo André, áreas como Ciências Biológicas, Engenharia e sustentabilidade desenvolvem estudos e discussões voltadas aos impactos ambientais e climáticos na sociedade.
“Entender os fenômenos climáticos é fundamental para reduzir riscos e aumentar a capacidade de adaptação das cidades e da população”, conclui o Prof. Dr. José Luiz Laporta.














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