
POR NICOLE FLORET
Se antes a questão era aderir ou não ao uso da inteligência artificial (IA), hoje, a pauta discutida são os impactos da IA sobre a produtividade, em quais áreas o uso gera maior agilidade, eficiência, receita e competitividade.
O tema foi protagonista da quarta edição do Web Summit, maior evento de tecnologia digital da América Latina, que aconteceu neste mês no Rio de Janeiro, reunindo mais de 40 mil participantes de mais de 100 países.
Na ocasião, o Fórum Econômico Mundial apresentou relatório onde afirma que a IA poderá injetar entre US$ 1,1 trilhão e US$ 1,7 trilhão na economia da América Latina até 2030, impulsionando a produtividade dos países da região em entre 1,9% e 2,3% ao ano. Mas, segundo avaliação do Fórum, o maior risco não é a perda dos empregos provocada pela IA, mas a incapacidade de incorporar a tecnologia com rapidez com o intuito de obter ganhos econômicos.
Segundo uma das responsáveis pelo estudo e membro do comitê executivo do Fórum Econômico Mundial, Cathy Li, o Brasil tem capacidade de ser um participante de peso na economia global de IA, devido ao grande ecossistema de startups, onde a base de usuários já ultrapassou os Estados Unidos no uso do ChatGPT. Mas, a executiva ressalta que são necessárias mudanças para alcançar resultados na produtividade como qualificação de profissionais para uso da tecnologia e investimento em infraestrutura e fornecimento de energia para abastecer modelos mais avançados de IA. Caso estas mudanças não sejam implantadas, os ganhos na produtividade e competitividade podem ficar restritos apenas às grandes cidades ou multinacionais.
Hoje, de acordo com a especialista em governança tecnológica do Fórum Econômico Mundial, Agustina Callegaria, baseado em dados do relatório, apenas 23% das empresas da América Latina estão gerando valor econômico com o uso da IA e apenas 6% conseguiram agregar valor com o uso da Inteligência Artificial. Callegaria defende que o desafio global é garantir que a implementação da IA seja acompanhada por políticas públicas, educação e requalificação profissional.
No Brasil, o Plano Brasileiro de Inteligência Artificial (PBIA) 2024-2028 prevê investimento de R$ 23 bilhões em quatro anos, visando transformar o país em referência mundial em inovação e eficiência no uso da inteligência artificial, especialmente no setor público, para desenvolver soluções que melhorem significativamente a qualidade de vida da população, otimizando a entrega de serviços públicos e promovendo a inclusão social.
IMPACTOS NO MERCADO
À medida que o uso da IA se expande, já começam a aparecer impactos negativos no mercado. Um deles foi anunciado esta semana pelo CEO da Apple, Tim Cook, que em entrevista ao jornal Wall Street Journal, afirmou que elevará os preços de seus produtos para compensar o alto custo de chips de memória e armazenamento.
Os chips, usados na maioria dos computadores, smartphones, carros e equipamentos médicos, estão escassos no mercado devido à crescente demanda de empresas de IA pelos recursos. No primeiro trimestre deste ano, os preços dos chips dobraram e devem aumentar 63% neste trimestre devido à alta procura de data centers de IA.
















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