
Quando olhamos para as cidades, num primeiro momento visualizamos uma edificação ou monumento que se destaca na paisagem; depois, vamos vendo o entorno, estendendo o olhar até onde for possível alcançar, formado por prédios, casas, comércios, parques, igrejas etc., entrecortados por um emaranhado de ruas e avenidas, interligando as várias partes da cidade e esta, através das estradas, para além do seu território.
Quando voltamos nossa atenção para São Bernardo não é diferente e nos perdemos entre tantos caminhos e rumos. Hoje temos aplicativos de localização que nos ajudam nos deslocamentos pela cidade, mas nem sempre apontam os melhores caminhos, como o fazem aqueles que vivenciam o cotidiano da cidade: seus moradores, especialmente aqueles que aqui estão há mais tempo.
Por entre tantos caminhos, ainda resistem, muitas vezes escondidos a um primeiro olhar, atalhos, vielas e outros, que outrora foram fundamentais para a circulação na cidade, majoritariamente feita a pé, em bicicletas ou carroças.
Tendo por objetivo lembrar esses caminhos alternativos do passado (vielas, trilhas, picadas, pinguelas…), o Centro de Memória, da Secretaria de Cultura, da Prefeitura de São Bernardo promoveu na quarta (29), mais um encontro de Conversas de Memória, com o tema: Caminhos e Rumos de São Bernardo.
A conversa partiu de algumas perguntas motivadoras, tais como: Quais caminhos alternativos você usava no dia a dia? Onde começavam e terminavam? Como eram? Existem ainda hoje?
Então, as lembranças foram aflorando, trazendo imagens de uma cidade que ainda tinha muitos espaços vazios nos bairros próximos ao centro, de um ambiente rural que aos poucos ia cedendo espaço para o avanço contínuo do urbano.
Caminhos e acessos que hoje não mais existem, como uma trilha no Caluz, percorrida diariamente para buscar lenha; uma pinguela para atravessar o rio nas proximidades da Rua Ítalo Setti (quando chovia muito as águas levavam a pinguela, que precisava ser refeita); pinguelas para atravessar, em alguns pontos de menor movimento, o Rio dos Meninos (também chamado de rio dos Couros), no centro da cidade; uma “picada” por entre o mato, que cortava caminho para se chegar à atual Praça Giovanni Breda, a partir do ponto onde hoje está o Colégio Ábaco; a pontezinha para atravessar um riacho entre a Vila Dusi e a atual Praça Lauro Gomes, onde estava o antigo Grupo Escolar; a “picada” entre a Vergueiro e o Bosque da Vera Cruz…
Foram também lembrados daqueles caminhos que ainda existem, por vezes conhecidos apenas pelos moradores próximos ou usuários de outros tempos: túnel sob a Via Anchieta; viela entre a Av. Faria Lima e a Rua Américo Brasiliense…; e escadarias para acesso aos bairros mais altos: Vila Gonçalves, Baeta, Jardim Olavo Bilac, Vila Marchi, Vila Dusi…
E não faltaram histórias pitorescas, como a recomendação de usar um lampião aceso, ao percorrer uma determinada picada à noite, para não ver um saci…
Enfim, muitas lembranças permeadas de saudades, com pitadas de alegria, deram o tom para o encontro, registrando memórias de caminhos e rumos de uma cidade em constante transformação.
Jorge Magyar














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