José Renato Nalini Opinião

Cartilha digital ensina fazer horta urbana

 

A fabulosa ESALQ – Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz, da USP, situada em Piracicaba, elaborou uma Cartilha Digital para ensinar o leigo a fazer uma horta urbana.

Ela tem como pilares fundamentais a participação popular, por entender que a transformação real advém das bases. Além disso, a soberania alimentar, com a defesado direito de decidir o que comer e como cultivar. Prestigia a agroecologia, ao buscar a produção em sintonia com o meio ambiente. E enfatiza a tão decantada“Justiça Climática”, por incentivar a mudança a partir dos próprios espaços. Justiça Climática não é apenas se servir do equipamento judicial estatal para atender a demandas ambientais. É também pensar nos mais vulneráveis, as vítimas preferenciais das emergências climáticas. As hortas urbanas são antídotos às consequências nefastas dos fenômenos extremos. 

A edição destaca os métodos e aprendizados do curso Hortas Comunitárias e Quintais Abundantes, realizado em Piracicaba, uma parceria entre o projeto Corredor Caipira e o Movimento “Tô Aqui” e a Casa do Hip Hop de Piracicaba. Nada impede, ou, ao contrário, tudo recomenda, que a experiência se replique em todos os lugares. Pense-se na capital, com trinta e duas subprefeituras. Em todas elas podem ser implementados projetos de hortas urbanas comunitárias.

Não é apenas uma simples prática de cultivo coletivo. Mais do que isso, a experiência demonstra que as hortas representam o caminho para o bem-viver e da conquista de direitos sociais e ambientais. Quais são eles?O direito à cidade, à alimentação adequada, à saúde, ao meio ambiente saudável, à saúde dos rios e à participação democrática e inclusão social.

Quem já participou de hortas comunitárias tem o que dizer. A experiência aguça o sentido de pertencimento à natureza. A articulação contínua entre comunidades, movimentos sociais e o poder público é crucial para garantir que as hortas cumpram seu papel multifuncional, que vai da promoção da soberania alimentar e da educação ambiental à inclusão social, regeneração urbana e formação de novas lideranças.

As hortas são muito mais do que meros locais de cultivo: elas funcionam como verdadeiros laboratórios sociais, educativos e ambientais. São espaços capazes de inspirar novas práticas, políticas públicas e modos de vida urbanos mais justos, sustentáveis e inclusivos e mostram que é possível construir mundos radicalmente democráticos e equitativos a partir do cuidado com o território e com as pessoas.

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