Antigamente, muito antigamente, as pessoas brincavam com as cartas do baralho e chegavam a construir frágeis armações. Bastava um sopro para derrubá-las. É o que se chamava de “castelo de cartas”. Montagens aparentemente firmes, mas desprovidas de qualquer resistência.
É o que parece ocorrer com o negacionismo que, qual doença contagiosa, vai se espalhando pelo planeta. Bastou o retrocesso na geopolítica da maior democracia ocidental e aqueles que não eram ecologistas convictos deixaram seus propósitos e voltaram a recuar nas políticas ambientais.
Mas o mundo presta atenção em tudo. Por isso é que a lamentável saída das empresas e da Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais – Abiove, do acordo conhecido como “moratória da soja”, gerou reação na Europa. Esse ajuste foi firmado por companhias, organizações da sociedade civil e órgãos governamentais, cujo objetivo é impedir a continuidade do desmatamento na Amazônia.
Inexplicável o impensado gesto, considerado o agravamento da questão climática, hoje mais próprio a um cataclismo do que a meras mudanças. Prontamente, as principais redes varejistas do Reino Unido e União Europeia escreveram contundente carta endereçada aos CEOs das empresas que deixaram o acordo. Consta da mensagem: “Recuar significa enfraquecer as medidas dissuasivas existentes contra o desmatamento, prejudicar os esforços futuros para desenvolver acordos de proteção colaborativos e ameaçar os esforços para garantir a sustentabilidade de seus investimentos na produção de soja brasileira diante de mudanças climáticas aceleradas”.
Não é impossível conciliar agricultura rentável e preservação florestal. Por que as lucrativas empresas não cuidam de reflorestar a imensa área degradada do Brasil, que representaria sequestro de carbono e mostraria sua consciência ecológica? Que se invista em produtividade afinada com os objetivos ambientais contidos no artigo 225 da Constituição do Brasil, texto normativo em pleno vigor. Retrocesso neste momento depõe contra esta nação que já foi “promissora promessa verde” mas há pouco também foi considerada “Pária Ambiental”. Juízo, minha gente!












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