
Os candidatos ao governo de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos) e Fernando Haddad (PT), participaram, no domingo (9), de debate organizado pelo canal de TV Bandeirantes, com os dois primeiros colocados nas pesquisas eleitorais.
O debate teve tom nacionalizado com trocas de críticas entre o governador e o ex-ministro.
“Você está muito focado em Bolsonaro, falando de Bolsonaro, Bolsonaro, Bolsonaro. Esquece Bolsonaro, Haddad. Você não está concorrendo contra ele. Isso foi em 2018, já passou”, disse Tarcísio.
Já Haddad associou o governador ao bolsonarismo que, segundo ele, espalha desinformação sobre temas como vacinas e mudanças climáticas. Também os acusou de apoiar, em parte, o tarifaço imposto pelo presidente americano Donald Trump ao Brasil.
O petista ainda afirmou que Tarcísio estava “faltando com a verdade” ao falar sobre a não adesão ao programa de renegociação da dívida do governo federal. O governador rebateu: “Me impressiona o nível de mentira”.
As provocações entre os dois candidatos ao Palácio dos Bandeirantes continuaram, com troca de ataques em temas como segurança pública, economia, educação e privatizações, além de disputarem a narrativa sobre a relação de São Paulo com o governo federal.
Haddad acusou Tarcísio de não reconhecer o apoio do governo federal ao Estado de São Paulo e explorou o que considera como fragilidades do governo estadual, em áreas como educação e segurança pública.
Tarcísio focou em destacar os avanços da sua gestão em diversas áreas, enfatizando dados sobre ampliação das escolas em tempo integral, bons indicadores de criminalidade da série histórica, operações contra o crime organizado nos setores de combustíveis e transportes, combate à violência contra a mulher. Além disso, citou a criação da Tabela SUS Paulista, que paga valores muito superiores aos praticados pelo SUS e que permitiu reabrir 8.400 leitos desde o início do mandato, além da inauguração de 14 hospitais.
Um dos pontos altos do debate foi o tema Cracolândia. O governador questionou diretamente Haddad sobre as razões do insucesso do programa Braços Abertos, que ficou mais conhecido como Bolsa Crack, adotado pela gestão do petista, e cobrou do adversário compromisso com a continuidade do trabalho e da rede de assistência montada pelo Estado, responsável pelo fim da Cracolândia.
“O primeiro atributo que nós tivemos ao longo desse mandato é coragem”, afirmou, destacando como exemplo a desarticulação do armazém do tráfico na Favela do Moinho. O governador relembrou a participação de Haddad em um evento com a presença de um dos chefes do tráfico na região. “Nós temos uma cena ruim, que é a cena de membros do poder, inclusive o Fernando Haddad, no palco com a traficante que comandava o tráfico na favela do Moinho”, frisou.
Haddad rebateu Tarcísio: “Que deselegante, rapaz. Acha que conheço o tráfico como você conhece?”, questionou. “Se você sabia que era traficante, por que não foi lá prender? Eu não sabia, se soubesse teria dado voz de prisão para ela. Você respeita e abaixa essa bola”, completou.
Ao encerrar sua participação no debate, Tarcísio declarou que “tem muito orgulho de ter sido governador de São Paulo nesse período, de apresentar hoje os menores indicadores criminais da história. Estamos satisfeitos? Não. A gente sabe que tem muito para fazer” e completou: “E é por isso que eu peço mais essa oportunidade para continuar trabalhando com vocês”.
Pesquisa Ideia/ACSP
Pesquisa divulgada pela Ideia/ACSP, nesta segunda (10), mostra que o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), lidera a disputa pelo Governo de São Paulo com 50,6% das intenções de voto no primeiro turno. O ex-ministro da Fazenda, Fernando Haddad (PT), aparece em segundo lugar, com 33,6%. Com esse resultado, Tarcísio seria reeleito no primeiro turno se a eleição fosse hoje.
















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