Fabio Picarelli Opinião

Livro do Iphan retrata os restauros em Paranapiacaba

Nove anos se passaram desde que a parceria entre o Iphan (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional) e a Prefeitura de Santo André iniciou uma série de restauros na vila ferroviária mais famosa do Brasil. Foram mais de R$ 20 milhões em investimentos que devolveram a dignidade para Paranapiacaba pelo Programa de Aceleração do Crescimento Cidades Históricas e pelo Novo PAC.
No último dia 18, em um evento grandioso no Cine Lyra, o Iphan lançou um livro: “Restauro: Vila de Paranapiacaba”, o segundo volume da coleção Rotas do Patrimônio que começou neste ano. O primeiro foi “Palácio Capanema: o patrimônio cultural do Novo PAC”, um dos maiores ícones da arquitetura moderna localizado no Rio de Janeiro, que foi revitalizado entre 2019 e 2025. E o terceiro volume foi “Olinda: Mosteiro de São Bento”, um patrimônio religioso situado no Largo de São Bento, no alto de uma colina e próximo da beleza natural da cidade colonial pernambucana.
Desde a compra da parte Baixa da Vila pela Prefeitura de Santo André em 2002, o último ato do então prefeito Celso Daniel antes de sua morte, Paranapiacaba passou quase duas décadas praticamente abandonada, com o material em degradação pela ação do tempo. O PAC Cidades Históricas trouxe um novo alento para recuperar a arquitetura de origem inglesa que tanto contribuiu para a urbanização e industrialização através da ferrovia.
A preservação da memória ferroviária foi dividida em duas etapas: antes e depois da pandemia do coronavírus entre 2020 e 2022. Na primeira, iniciada em 2013 com o PAC Cidades Históricas foram recuperadas a Casa de Engenheiro (atual Biblioteca) com custo de R$ 194 mil; o almoxarifado da antiga SPR (R$ 724 mil) e 14 residências em 2018 (R$ 13 milhões, para um total de 142 imóveis). Inclui-se ainda a Garagem das Locomotivas (antigos galpões ferroviários) por R$ 9 milhões; e as oficinas de manutenção da SPR- São Paulo Railway Company e RFFSA- Rede Ferroviária Federal S. A. (R$ 4,6 milhões).
Mais recentemente, a partir de 2023, começa a segunda etapa de intervenções com o Novo PAC. Foram contemplados o campo do União Lyra Serrano, o primeiro com medidas oficiais do país, e de quebra o Memorial Charles Miller, o nosso museu do futebol. O investimento de R$ 3,9 milhões é oriundo ainda do PAC Cidades Históricas.
Outro equipamento restaurado pelo Iphan foi o Cine Lyra. A segunda sala de cinema mais antiga do Brasil e o primeiro do Estado de São Paulo reabriu ao público no dia 20 de julho de 2024, durante a abertura do 23º Festival de Inverno de Paranapiacaba. A recuperação demorou entre 2023 e 2024, com investimentos da ordem de R$ 4,4 milhões no total, sendo o aporte de R$ 1,3 milhão do Novo PAC e R$ 3,1 milhões do tesouro municipal. O conjunto de obras incluiu além do cinema, uma brinquedoteca, um Espaço Multiuso e o salão principal para atender outros segmentos culturais.
O último restauro já concluído foi o Auditório da rua Dr. Marum, 313. A casa incendiada em 2007 foi consumida quase que totalmente pelo fogo. Do imóvel original que abrigou a alta hierarquia da empresa São Paulo Railway Company restaram apenas a base, uma parede e um muro de arrimo. Esse restante de estrutura foi adaptado para ser o primeiro auditório da Vila com capacidade para 49 lugares. A obra foi entregue no dia 13 de abril de 2025 como parte dos festejos de aniversário de Santo André, ao custo de R$ 1,4 milhão.
O próximo investimento será para a restauração de 34 imóveis da parte Baixa ao valor de R$ 11,4 milhões somente na primeira etapa. As intervenções começarão em breve.
Para o futuro, um dos restauros mais aguardados é a sede social do Clube União Lyra Serrano, marcada por bailes da família ferroviária e importantes reuniões de executivos.
O livro “Restauro: Vila de Paranapiacaba” está disponível nas sedes do Iphan em Brasília e São Paulo e na versão digital por meio do link://bibliotecadigital.iphan.gov.br/items/102f946b-03c4-4387-92ca-f61246069423.