Fabio Picarelli Opinião

Museu Fox: a casa da família ferroviária

O Museu Fox de Paranapiacaba é a típica casa da família ferroviária nos tempos da construção da linha férrea Santos-Jundiaí pela companhia britânica São Paulo Railway entre meados do século XIX e início do século XX. Lá residiam os funcionários do segundo escalão da empresa.
Localizada na avenida Fox, s/nº, na parte Baixa da Vila, foi construído entre 1897 e 1901. Recebeu este nome em homenagem ao engenheiro Daniel Mackinson Fox, que veio ao Brasil pela primeira vez em 1856 a fim de realizar estudos preliminares para as obras da estrada de ferro. Em 1860 passou a chefia das obras e em 1872 assumiu o cargo de superintendente. Retornou à Inglaterra em 1880 e mais tarde, em 1896, foi engenheiro consultor da São Paulo Railway (SPR).
O imóvel é um conjunto de duas casas geminadas, recuperada e mobiliada à moda antiga, uma réplica em tamanho natural para que os visitantes tenham idéia de como era viver lá na década de 1930.
Para a construção foi utilizada pedras, tijolos maciços e madeira pinho-de-riga, muito valorizada no mundo por ser originária das florestas frias da Europa Oriental, da região da Letônia, Lituânia e Rússia. Uma das principais características é a durabilidade.
Mas, apesar do material nobre utilizado, a Casa Fox não possui a mesma arquitetura do Museu Castelo, residência da chefia da empresa inglesa localizada em ponto estratégico e com ampla visão da Vila.
Os dois imóveis foram reformados pela Prefeitura de Santo André e atualmente funcionam como museus para visitação de turistas, pesquisadores, historiadores e estudantes sob gerência da Subprefeitura de Paranapiacaba e Parque Andreense e governo Gilvan Ferreira.
A Casa Fox é rica em detalhes históricos. Possui uma cozinha com seus utensílios, um quarto de casal, uma sala de estar e um quarto de costura, que retrata a rotina das costureiras da época.
Além disso, outros objetos antigos decoram a casa. Entre as atrações estão um rádio como única fonte de informação com o mundo externo; um cabideiro, já que era moda homens e mulheres usarem chapéus; e um bidê, ideal para uma residência sem banheiro interno, principalmente à noite.
Hoje a Casa Fox ou Museu Fox é um espaço multicultural. Desde novembro do ano passado sedia exposições de artistas vinculados direto ou indiretamente à história da Vila. Esse é o maior propósito: valorizar os pratas-da-casa, cada qual com uma criação única direcionada a todos os interessados na cultura popular.
O projeto em questão é a Arte no Museu, idealizado pela escritora Brida Cezar, também moradora de Paranapiacaba. Até abril do próximo ano, 18 artistas estarão exibindo seus trabalhos dentro da Casa Fox. As exposições mudam a cada mês.
O Museu Fox fica aberto todos os finais de semana e feriados (prolongados ou não) das 10h às 16h, ou ainda com agendamento prévio junto aos monitores. O ingresso custa R$ 6,00 e R$ 3,00 (meia).
A visitação é um mergulho na história do Brasil pela forte ligação com a ferrovia e a exportação do setor cafeeiro.
Se não conhece ainda, vale a pena conferir esse patrimônio, bem como todos os demais equipamentos instalados por lá.
Divirta-se!

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