Desmanche é um vocábulo indesejável. Lembra, à primeira vista, essas instalações típicas de lugares subdesenvolvidos, em que os veículos são abandonados para a extração do que pareça útil e o que sobra é sucata. Países desenvolvidos cumprem a logística reversa e atendem aos comandos da energia circular. Quem produz qualquer coisa que tenha vida útil transitória, é obrigado a cuidar de seus resíduos, até aproveitamento integral do material empregado.
No Brasil, tem sido rotineira a utilização dos “desmanches” para receber aquilo que não provém da licitude, mas de infrações penais caracterizadas entre os artigos 155 e 157 do Código Penal. Não se pode generalizar, mas também não se pode dizer que isso é uma exceção.
Por ambas as circunstâncias, “desmanches” não deveriam existir. Agora o verbete serve para designar outra medida nefasta: a Agência de Proteção Ambiental dos Estados Unidos revogou a conclusão científica fundamental de que os gases de efeito estufa ameaçam a vida.
É um retrocesso típico ao negacionismo e à servidão imposta pela cultura petrolífera e carvoeira. Com essa providência, o campeão da democracia ocidental ofende a ciência universal, que há muitas décadas vem mostrando à humanidade que dióxido de carbono, metano e outros quatro gases de efeito estufa, além do material particulado, são os geradores do efeito-estufa. É o efeito da emissão excessiva desses venenos oriundos dos combustíveis fósseis.
É surreal chamar a mudança climática de “farsa”, a “declaração de perigo” uma política desastrosa e celebrar essa vitória de Pirro, sob argumento de que haverá economia de um trilhão de dólares.
A tragédia é que uma loucura nunca vem desacompanhada. A cupidez e a ganância, irmãs da ignorância, vão fazer o gesto repercutir em outras plagas. Pobre humanidade, pobre planeta.
A esperança vem do Governador da Califórnia, Gavin Newsom. Ele diz: “Se esta decisão imprudente sobreviver aos desafios legais, levará a mais incêndios florestais mortais, mais mortes por calor extremo, mais inundações e secas causadas pelo clima e maiores ameaças às comunidades em todo o país”. Que a sensatez e a ciência prevaleçam.













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