O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, teve uma derrota arrasadora na quarta (4). Os eleitores disseram um “não” em alto e bom som às políticas de Trump. Com este resultado, o presidente terá um Congresso controlado pela oposição nos dois últimos anos de governo.
O Partido Democrata retomou o controle da Câmara dos Representantes e do Senado e, pela primeira vez neste século, os democratas venceram em todo o estado do Texas, conquistando não apenas uma cadeira no Senado, mas também o governo estadual.
Também conquistaram o que não acontecia há quase 100 anos: ganharam uma cadeira no Senado no Kansas e no Senado na Carolina do Sul, estado que mal figurava no cenário das disputas eleitorais. Ainda conquistaram cadeiras na Câmara dos Representantes em áreas tradicionalmente republicanas. Assim, os democratas estão a caminho de sua maior maioria no Congresso em anos.
Os democratas conquistaram 54 cadeiras no Senado e os republicanos, 44. No Senado atual, a maioria republicana é de 53 a 47. Na Câmara, os democratas elegeram 240 deputados, enquanto que os republicanos, 147.
As midterms elections ainda tiveram outro aspecto incomum, o comparecimento, estimado entre 120 e 125 milhões de eleitores. Metade deles votou antecipadamente, de forma presencial ou pelo correio, demonstrando a determinação de dar o seu recado nas urnas. Em 2022, no governo de Joe Biden, o comparecimento foi de 112 milhões.
A derrota republicana ganha mais peso se levarmos em conta o valor investido na campanha. O Partido Republicano gastou US$ 2,2 bilhões nessas eleições; sendo maior investidor, e maior perdedor, foi Elon Musk, que gastou o valor inédito de US$ 474 milhões; enquanto que o Democrata, investiu US$ 1,3 bilhão.
Ainda que a “onda azul” pelos EUA tenha sido movida, especialmente, por ampla rejeição ao presidente Trump, ele minimizou o resultado. Atribuiu parte das perdas ao fato de seu nome não estar nas urnas e prometeu dificultar a aprovação de projetos apresentados pelos democratas. Também reconheceu que a guerra contra o Irã teve influência no resultado eleitoral, principalmente por causa da alta dos combustíveis, mas defendeu a decisão de iniciar o conflito.
Com os democratas conquistando o Senado e a Câmara, eles poderão legislar, investigar mais o governo, fiscalizar os negócios envolvendo a família Trump e a passagem de Elon Musk pelo governo e dificultar a aprovação de propostas da Casa Branca nos dois últimos anos do mandato de Trump. Também terão mais controle do orçamento e poderiam, até mesmo, abrir um processo de impeachment contra Trump na Câmara, embora a remoção dependesse de dois terços do Senado, algo que não teriam.
A vitória do Partido Democrata provocou uma onda de manifestações nas redes sociais. A grande maioria enviando uma mensagem clara aos políticos: a escolha por representantes que unam a população, em vez de dividi-la, e que destinem recursos às necessidades dos cidadãos, em vez de financiar guerras e tratativas bilionárias.
O diplomata Mohammad Safa comparou os resultados eleitorais de diferentes países e projetou que o mesmo movimento chegará à União Europeia. “Aconteceu na Sérvia. Aconteceu no Brasil. Acabou de acontecer nos Estados Unidos. E acontecerá em breve na União Europeia”, disse. O sinal de mudança no cenário político internacional é visível e a onda ultraconservadora perde força para uma maré global mais progressista.













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