
A Polícia Civil de São Paulo e o Ministério Público estadual deflagraram, nesta quinta (21), por volta de 6h da manhã, operação contra o PCC que resultou na decretação da prisão de seis suspeitos pela Justiça. Entre os detidos, estão a influenciadora digital Deolane Bezerra, que estava em Roma, na Itália, nas últimas semanas, e pessoas ligadas a liderança da facção criminosa. Dez viaturas entraram em condômino no Alphaville, para cumprimento dos mandados.
Entre os alvos investigados estão Marcola, Alejandro Camacho (irmão de Marcola), e dois sobrinhos do líder da facção criminosa, Paloma Sanches Herbas Camacho, sobrinha de Marcola e apontada como intermediária nos negócios da família, que está na Espanha, Leonardo Alexsander Ribeiro Herbas Camacho, que a Polícia acredita estar na Bolívia.
A operação Vérnix também obteve o bloqueio de valores superiores a R$ 327 milhões, sequestro de 17 veículos — incluindo automóveis de luxo — e quatro imóveis vinculados aos investigados.
Após sete anos de apurações, os investigadores chegaram até um esquema que supostamente envolve Deolane e uma transportadora de fachada na região dos presídios de Presidente Venceslau II e Penitenciária Avaré I, no interior de São Paulo, usada para a lavagem de dinheiro do crime organizado. Segundo os promotores, a transportadora repassava recursos para outras contas, com o objetivo de dificultar o rastreamento de dinheiro.
Segundo os investigadores, foram identificadas movimentações milionárias sem lastro econômico compatível, uso de empresas de fachada, contas utilizadas para circulação de valores e aquisição de bens de alto padrão para ocultar a origem ilícita dos recursos. A apuração teve início após a apreensão de um celular durante a fase de uma operação anterior, a Lado a Lado, cujo conteúdo revelou conversas com pessoas ligadas à cúpula da organização criminosa e indícios de repasses financeiros.
A operação também possui desdobramentos internacionais. Três investigados, que estariam na Itália, Espanha e Bolívia, tiveram inclusão solicitada na Lista Vermelha da Interpol, com apoio da Polícia Federal e do Ministério Público, para localização e adoção das medidas legais cabíveis.
As apurações tiveram início em 2019, após a apreensão de bilhetes e manuscritos na Penitenciária II de Presidente Venceslau, que indicavam a atuação de lideranças criminosas, além de possíveis ameaças contra agentes públicos.
No decorrer das investigações, a Polícia Civil instaurou três inquéritos policiais sucessivos, que permitiram identificar uma estrutura utilizada para ocultar e movimentar recursos de origem ilícita por meio de empresas e pessoas interpostas.
As diligências também apontaram conexões entre investigados e integrantes da organização criminosa, além da utilização de estruturas empresariais e patrimoniais para dificultar o rastreamento da origem e destinação dos recursos.
A ação contou com apoio operacional do Departamento de Operações Policiais Estratégicas (Dope) no cumprimento das diligências. Segundo a Polícia Civil e o Ministério Público, a Operação Vérnix representa mais um avanço no enfrentamento ao crime organizado, especialmente no combate à lavagem de capitais e ao enfraquecimento das estruturas financeiras utilizadas por facções criminosas.














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