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Orquestra Tabajara de Severino Araujo

 

Clarinetista, saxofonista, compositor, arranjador e chefe de orquestra, Severino Araujo esteve presente no mundo da música a partir de 1933. Nascido na cidade de Limoeiro-Pernambuco a 23 de abril de 1917, foi um dos pioneiros da fusão do jazz e do choro na música brasileira. Também criador de arranjos para big bands de variados ritmos. Começou a estudar com o pai mestre da banda militar e professor de música. O início profissional deu-se ao ser contratado pela orquestra da Rádio Tabajara de Recife dirigida pelo maestro Luna Freire em 1937.

Severino Araujo

Com a morte do líder, Severino então com 21 anos, foi indicado para reger a orquestra. Seguindo a moda na época e a influência das grandes orquestras norte-americanas, organizou a Tabajara como uma autêntica big band, com quatro trompetes, quatro trombones, quatro saxofones e uma seção rítmica com piano, bateria, contrabaixo e guitarra.
Em 1943, foi convocado para o Exército, indo servir por um ano na cidade de Aldeia no interior de Pernambuco. Nessa época, compôs “Um chorinho em Aldeia”, que se tornaria seu primeiro sucesso popular. No ano seguinte (1944) a convite do empresário Assis Chateaubriand mudou-se para o Rio de Janeiro e seis meses depois trouxe a Orquestra Tabajara para apresentações na Rádio Tupi, uma parceria que durou 10 anos. Contratado pela gravadora Continental, surgiram os primeiros registros fonográficos.
Em 1946, a orquestra, que teve Jackson da Pandeiro como integrante e fazia, em média 32 bailes por mês. Logo a orquestra se tornou um ícone nacional, ao fixar o sotaque musical brasileiro à formação clássica das big bands norte-americanas. Benny Goodman, Tommy Dorsey e Glenn Miller foram algumas das maiores influências de Severino.
Em 1951, sua orquestra se apresentou com o próprio Tommy Dorsey na festividade de inauguração da TV Tupi canal 3 de São Paulo. No ano seguinte, viajou para a França, acompanhado pelo cantor Jamelão para fazer uma apresentação de carnaval em Paris. O sucesso permitiu a estada dos músicos durante um ano na capital francesa.
Severino Araujo ficou conhecido por tocar todos os gêneros musicais. Choros, boleros, sambas, frevos e sucessos norte-americanos da era do swing, com arranjos sofisticados, feitos pelo próprio maestro, um estilo eclético. “Espinha de bacalhau”, uma das composições mais famosas, clássico do choro, transformou-se em grande sucesso de venda de discos. Durante sua existência gravou mais de 100 discos e atuou em bailes, ininterruptamente em todo o território brasileiro, inclusive em Santo André.
No livro “Orquestra Tabajara de Severino Araujo”, lançado em 2009, o escritor Carlos Coraúcci lembra que a orquestra passou por diversos movimentos musicais e eventos da música popular brasileira – bossa nova, era dos festivais, tropicalismo, rock e outros mais, convivendo com eles e se adaptando aos novos gostos populares.
Quando reduziu as atividades, nos anos 1970, cedeu músicos para gravações de vários cantores da música popular brasileira como: Chico Buarque, Tim Maia e Roberto Carlos. Nos anos 1980, a recuperação surgiu com as domingueiras do Circo Voador, que se tornaram populares, atraindo um novo público para seu tipo de música para ele e seus comandados.
Em 1988, Severino Araujo alcançou uma marca notável, reger a Orquestra Tabajara por 50 anos ininterruptos, completando mais de 14.000 apresentações públicas. Permaneceu na liderança até o ano de 2006, quando passou o cargo a seu irmão Jayme Araujo, saxofonista e flautista. Severino Araujo é o músico que mais tempo se dedicou a uma só orquestra. Ele que foi por 74 anos o nome por trás do sucesso da Orquestra Tabajara e faleceu de insuficiência respiratória no dia 03 de agosto de 2012, aos 95 anos de idade, na cidade do Rio de Janeiro. Músico de grande competência, liderança e criatividade.

Osquestra Tabajara de Severino Araujo

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