Fabio Picarelli Opinião

Os 25 anos do Festival de Inverno de Paranapiacaba

Um quarto de século. Ou se preferirem, 25 anos de um evento que começou sem muitas pretensões, mas ganhou proporções enormes ao longo dos tempos: o Festival de Inverno de Paranapiacaba.
A própria denominação faz jus à vila de Santo André erguida durante a construção da ferrovia Santos-Jundiaí a partir de 1860 pela empresa britânica São Paulo Railway Company, pois reporta ao fog londrino.
Paranapiacaba é reconhecida como uma vila de característica inglesa até os dias atuais. O Festival de Inverno é um complemento que se encaixa sempre na estação mais fria. É verdade que a neblina aparece mesmo no verão, porque a localização proporciona tal espetáculo. Afinal, estamos em área de preservação ambiental, rodeado de verde da mata atlântica em meio a Serra do Mar, de onde se é possível ver o oceano Atlântico.
Foi em 2001, na gestão do então prefeito Celso Daniel (falecido em janeiro de 2002), que o festival foi realizado pela primeira vez pela Prefeitura de Santo André.
O jornalista Vicente Lamarca, na edição nº 1 do Pau da Missa, escreveu que o dia 14 de julho era um sábado de muito sol. Os turistas desciam pela passarela alaranjada que une as partes Alta e Baixa da formosa Vila, sem saber que o projeto quase foi inviabilizado por causa do alto custo. Mesmo assim, a elite da arte regional esteve presente. Nomes como do percussionista Naná Vasconcelos e do violonista André Gereissati estavam entre as atrações musicais.
No Clube União Lyra Serrano, hoje fechado para reforma, a Banda Sinfônica de São Bernardo comandada pelo maestro Valter Buzzati, recepcionava o público com grandes clássicos da Música Popular Brasileira, como Carinhoso, Saudosa Maloca, Tico-Tico no Fubá e Coração de Estudante.
Entre as atrações artísticas, não poderia faltar os pratos típicos e as bebidas quentes. Foram dois finais de semana e um saldo positivo de 11 mil turistas na Vila.
A partir da primeira edição até 2026, o Festival nunca parou. Nem mesmo a conturbada pandemia do coronavírus entre 2020 e 2021 – período em que Paranapiacaba foi fechada para visitas – afastou a realização do evento. O Festival de Inverno foi de forma virtual para entreter a população que não podia sair às ruas.
Muitos famosos já passaram pelo Festival. Entre eles Egbert Gismonti, Tom Zé, Arnaldo Antunes, Fafá de Belém, Seu Jorge, Flávio Venturini, Toquinho, Lô Borges, Oswaldo Montenegro, Luiza Possi , Luciana Mello e tantos outros.
O fato é que o Festival de Inverno de Paranapiacaba já não era um destaque regional. O governo paulista reconheceu a grandeza em 2012, quando a Assembléia Legislativa do Estado de São Paulo aprovou o projeto do deputado José Bittencourt para que o evento passasse a integrar o calendário estadual.
Quanto aos números, se no primeiro ano foram 11 mil, já no ano seguinte saltou para 20 mil e hoje ultrapassa 200 mil.
A explicação para tanto sucesso está na própria Vila de Paranapiacaba, que por si só já é atração com seus equipamentos históricos (Museu Castelo, Casa Fox, Cine Lyra, Auditório Barão de Mauá, primeiro campo de futebol com medidas oficiais, Memorial Charles Miller, entre outros), além da beleza natural (vegetação, ar puro, trilhas, nascentes e a densa neblina, o famoso véu de noiva).
tudo isso e muito mais, a história não é repetitiva. A História é para ser lembrada e repassada a aqueles que desconhecem.
A proveitem o Festival de Inverno 2026 nos dias 25 e 26 de julho, 1 e 2 de agosto!