Mônica Inglez Opinião

Inteligência artificial: seus dados estão seguros?

A inteligência artificial já integra a rotina de empresas, escolas, clínicas, escritórios e profissionais liberais. Ela resume documentos, revisa contratos e ajuda a responder clientes. Contudo, copiar um prontuário, processo ou planilha e colá-lo em uma ferramenta de IA pode expor dados pessoais, informações confidenciais e segredos comerciais.

   Ao inserir conteúdo em uma plataforma externa, as informações podem ser armazenadas em outros países, acessadas por fornecedores ou usadas para aperfeiçoar o serviço. Não se deve presumir que toda solução assegure confidencialidade.

   A Lei Geral de Proteção de Dados determina que o uso de dados pessoais observe finalidade, necessidade, transparência e segurança. Possuir uma informação não autoriza seu uso indiscriminado. Dados de saúde, biométricos, raciais ou étnicos são sensíveis e recebem proteção reforçada. Informações de crianças e adolescentes também exigem cuidado especial.

    Há, ainda, deveres profissionais e contratuais. Advogados preservam o sigilo profissional; profissionais da saúde protegem dados de pacientes; escolas custodiam informações de alunos; e empresas guardam estratégias e negociações. Inserir esses conteúdos em sistema não autorizado pode violar contrato ou obrigação legal, mesmo sem vazamento público.

   A responsabilidade não desaparece porque a tarefa foi executada por IA. A organização continua responsável por avaliar riscos e adotar segurança. Deve verificar quem fornece a solução, onde os dados ficam armazenados, se serão usados para treinar o sistema e como poderão ser eliminados.

   Isso não significa proibir a inteligência artificial, mas utilizá-la com governança. Nomes, CPF, endereços, diagnósticos, dados financeiros e outros identificadores devem ser retirados antes do envio. Trocar o nome por iniciais não basta quando outras informações permitem reconhecer a pessoa.

    Empresas e instituições devem adotar uma política que defina ferramentas autorizadas, informações proibidas e responsabilidades. A equipe também precisa ser treinada.

   A revisão humana é essencial. A IA pode inventar fatos, interpretar documentos incorretamente e apresentar respostas convincentes, porém falsas. Decisões jurídicas, médicas, educacionais ou financeiras não devem ser tomadas automaticamente com base em seus resultados.

   Antes de copiar e colar, pergunte: esses dados são necessários? Existe base legal para utilizá-los? A ferramenta foi aprovada? Quem poderá acessar o conteúdo? Inovação e proteção de dados não são caminhos opostos. A inovação sustentável começa pelo uso responsável da informação.

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