AME Memórias de São Bernardo

Flores de papel, tradição e fé

Conceição G.Trabachini
confeccionando flores em 1999

  A arte de criar flores de papel remonta a várias culturas antigas ao redor do mundo: chinesa, japonesa, europeia, sendo utilizada em cerimônias religiosas ou para decorar festas e outros ambientes.

   Em São Bernardo não foi diferente, pois a festa, possivelmente a mais antiga da região, com registros datados de 1856, conhecida como Festa da Padroeira/Procissão dos Carroceiros, em honra a Nossa Senhora da Boa Viagem também possui a sua tradicional flor de papel crepom. Inicialmente, enfeitava carroças e animais que participavam do evento e eram confeccionadas pelos antepassados, que se esmeravam na ornamentação do meio de transporte que os locomovia e lhes garantia o sustento, dando graças à Padroeira que os protegia incansavelmente.

    O tempo passou, a procissão viveu transformações e as flores de papel estavam quase esquecidas, mas, segundo o relato de Conceição Trabachini, que integrava a comissão organizadora da festa, foi resgatada pela lembrança de um humilde e conhecido personagem urbano apelidado “Dito Papai Noel”, que certa vez lhe pediu flores de papel para enfeitar sua carrocinha, com a qual cruzava os quatro cantos da cidade. A partir dessa memória, grupos de senhoras organizam-se e retomam a tradição da confecção de flores de papel todos os anos.

   Atualmente existe a equipe que fica responsável por produzir flores para ornamentar a porta principal da Basílica Menor Nossa Senhora da Boa Viagem e altares, coordenada por Conceição que chega ao número de 1500 unidades. E duplas como as de Cleuza Bazzana e Lídia Irie que cont-nuam a tradição que lhes foi passada pela vizinha, já falecida, Valdivia Ap. Souza Lopes do Jardim Maria Cecília, confeccionando mais de 600 unidades de flores com hastes, que são distribuídas entre os participantes que acompanham a Procissão.

    Símbolo de um precioso evento de fé, a flor de papel sinaliza para a importância de honrar a Padroeira da Boa Viagem, que, como Mãe, conduz os fiéis pelas estradas da vida.

   Trata-se de um item da tradição da Festa da Padroeira, que se transforma em lembrança patrimonial deste evento religioso, que acontece sempre no primeiro domingo de setembro.

Conceição Trabachini com equipe de floristas e voluntárias que decoram a Festa da Padroeira, em 2024

Célia Guiesser – integrante da AME (Associação dos Amigos da Memória de São Bernardo).

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