
A partir de 1812, quando foi criada a Freguesia de São Bernardo, um projeto de urbanização traçou a criação de algumas ruas. No trecho correspondente ao Caminho do Mar, surge a rua que recebeu a denominação de “Principal”.
Em 1890, quando a Freguesia se tornou Município, a rua Principal recebeu o nome do primeiro Presidente da República do Brasil, Manuel Deodoro da Fonseca, o Marechal Deodoro.
A importância histórica deste trecho de 2600 metros de extensão é grandiosa. Desde os tempos do Brasil colonial, funcionou como trilha e depois caminho para a passagem de tropeiros em mulas, que traziam produtos do interior como algodão, tabaco, açúcar, para o Porto de Santos. Por este trecho passaram tropeiros, trabalhadores, presidentes da república do Brasil e de outros países, soldados, retornando da Segunda Guerra, o rei e a rainha da Bélgica e até o imperador Dom Pedro II, entre outros. Além disso, algumas edificações antigas foram preservadas e tombadas pelo COMPHAC de São Bernardo, requerendo manutenção constante.
Muita coisa aconteceu e ainda acontece nesta rua: comícios, shows, manifestações, desfiles, comemorações, dentre as quais destacamos a da Copa de 1970, inesquecível, celebrada em todos os cantos da cidade, mas a culminância da alegria aconteceu na” Marechal”. Personagens urbanos que permanecem na memória coletiva sempre circularam por este espaço, merecendo olhares e recordações.
Ao longo do tempo, a nossa “Marechal” passou por grandes transformações: de um tímido comércio, consolidou-se num dos maiores corredores comerciais do Estado de São Paulo. Os pequenos bazares, renderam-se aos magazines e grandes redes, o atendimento personalizado passou a utilizar o atendimento realizado pelo próprio consumidor e as vendas on-line.
O caderno de vendas à prestação ou carnê foi substituído pelo cartão de crédito e o PIX, mas a preferência por “bater perna” na “Marechal” e fazer bons negócios aumenta a olhos vistos.
Símbolo histórico, comercial e afetivo a nossa” Marechal” merece destaque, conservação e reconhecimento. Carece de atenção e cuidados, assim como precisa contar sua história em muitos pontos do seu trajeto de aproximadamente 20 quarteirões, por meio de marcos que informem e ensinem sobre a importância deste caminho, através do tempo.
Célia Guiesser – integrante da AME (Associação dos Amigos da Memória de São Bernardo).

(Acervo: Centro de Memória – São Bernardo)

















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