O início do ano é repleto de promessas, planejamentos, metas e sonhos a serem realizados, mas todos eles vêm acompanhados de uma ressalva: tudo fica para depois do Carnaval.
Afinal, janeiro é mês de férias escolares, viagens, equipes incompletas nas empresas e agendas instáveis. Tudo é favorável para se criar um ambiente em que a atenção está dispersa e as decisões são adiadas. O Carnaval acabou, o ano de 2026, enfim, começa no Brasil.
No Brasil, o Carnaval vai muito além de um feriado prolongado. Ele atua como uma espécie de marco psicológico coletivo. Tudo que foi adiado, postergado antes do feriado, deverá ser executado agora. Mas, o que esperar do País, a partir de agora?
Na área econômica, o Índice de Atividade Econômica (IBC-BR) do Banco Central, considerado a “prévia” do Produto Interno Bruto (PIB), registrou expansão de 2,5% em 2025 na comparação com o ano anterior, informou a instituição, na quinta (19).
O Ministério da Fazenda estimou, neste mês, uma expansão de 2,3% para o PIB de 2025, que é a mesma projeção do BC para o crescimento da economia no último ano. Ainda assim, o resultado oficial do PIB de 2025 será divulgado somente em 3 de março pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Em 2024, o PIB registrou um crescimento de 3,4%.
Na política, com a retomada dos trabalhos no Congresso após o Carnaval, a base governista planeja intensificar as articulações em torno da proposta para colocar fim à escala 6×1. Aliados do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) querem garantir a aprovação no primeiro semestre e emplacar essa medida entre as bandeiras da gestão na campanha eleitoral.
A Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da Segurança Pública também deve ocupar espaço central nos debates. De autoria do governo federal, a iniciativa busca ampliar a atuação da União no enfrentamento ao crime organizado e fortalecer a coordenação das políticas de segurança no país.
As movimentações políticas também deverão se intensificar a partir de março, rumo às eleições de outubro próximo. A Justiça Eleitoral estabelece precisamente a data de 6 de março a 5 de abril, o prazo da Janela Partidária, ou seja, o período em que é permitida, legalmente, aos parlamentares que detêm mandatos eletivos obtidos em pleitos proporcionais, a mudança de partido político sem correr o risco de perder seu mandato.
Neste ano, apesar dos sinais de esgotamento, por parte da população, com polarização política no País, o cenário dividido deverá ser replicado, a partir de agora, até o pleito de outubro. Pelo menos, essa é a vontade dos próprios políticos, inclusive os parlamentares do ABC, que a toda e qualquer ação do governo federal despejam conteúdos odiosos contra o suposto “inimigo”. A discussão de propostas, divulgação de dos valores de recursos destinados ao ABC ainda não aparecem como prioridade para eles. Quando o Brasil terá um debate eleitoral sobre as melhores propostas e não sobre o “ódio” ao “inimigo” de urna?












