O presidente estadual do PSDB, Paulo Serra, anunciou sua pré-candidatura a deputado federal, no domingo (21), contrariando a expectativa de concorrer ao Governo de São Paulo. Em entrevista exclusiva à Folha, destacou que optou por disputar uma cadeira na Câmara dos Deputados, pois quer levar as “boas práticas de Santo André à Brasília e trazer de Brasília boas coisas para a região”.
Revelou que o apoio do PSDB para um candidato a governador será debatido, mas que “é óbvio que temos uma preferência pelo governador Tarcísio”.
Como principais bandeiras, defenderá a segurança pública, o endurecimento das leis e a integração do transporte público regional.
Conta quais dobradas fará na região e no Estado, quais prefeitos do ABC irão apoiá-lo. Diz que “certo canibalismo pode acontecer” em relação às demais pré-candidaturas de outros ex-prefeitos e ainda comenta sobre qual posicionamento terá na eleição presidencial. Confira.
FOLHA DO ABC- O sr. anunciou a pré-candidatura para deputado federal ao invés de confirmar a pré-candidatura ao Governo de SP, como era esperado. O que levou o sr. a fazer essa mudança?
PAULO SERRA- A gente tentou consolidar uma candidatura a governador. No entanto, percebique, pela reestruturação que o partido está sofrendo, e pela possibilidade de levar esse legado, essas boas práticas de Santo André à Brasília e trazer de Brasília coisas boas para a nossa região,resolvi, então mudar e tomei a decisão de ser pré-candidato a deputado federal.
Se antes tive a oportunidade de levar para o Estado de São Paulo as boas políticas, agora, vou ter a oportunidade de levar isso para todas as cidades brasileiras.
Tenho dito que quero um pedacinho de Santo André e do ABC em cada cidade do Brasil. Foi isso que me levou a mudar esse percurso para algo que considero até maior, de poder ter essa oportunidade, no Congresso Nacional, de representar o ABC e Santo André.
FOLHA- Não sendo mais candidato a governador, quem o sr. irá apoiar? A reeleição do governador Tarcísio de Freitas ou o pré-candidato Fernando Haddad?
SERRA- A gente, agora, começa uma nova discussão. Focamos na construção de uma pré-candidatura. Temos uma federação no Estado de São Paulo com o Cidadania.
A gente não recebeu o apoio do Cidadania num primeiro momento, o Cidadania já tinha até se comprometido com o governador Tarcísio, antecipadamente, mas nós mesmo assim mantivemos a pré-candidatura, até porque a gente entende, é estatutário, que essa decisão de apoios estaduais cabe à executiva nacional da federação.
Então, agora, a gente vai iniciar um debate interno na Federação Nacional para analisar a questão dos apoios aqui no Estado. É óbvio que tem uma preferência pelo governador Tarcísio, porque o PT é nosso aniversário histórico do PSDB, em toda nossa trajetória. Mas isso ainda não está definido e vai ser debatido dentro do âmbito da Federação Nacional, conforme o nosso estatuto.
FOLHA- Quais serão as bandeiras que o sr. defenderá como deputado federal?
SERRA- Acho que tem duas questões importantes. Primeiro, levar as boas práticas do ABC para todo o Brasil, em especial de Santo André. Segundo, uma questão regional. A gente precisa fortalecer a nossa região. E não é só com emendas. Emendas, recursos, claro que são importantes, mas, é mais do que isso, é um posicionamento.
É dar orgulho às pessoas do ABC. É fazer com que as pessoas se sintam representadas. A Ana Carolina, no mandato dela, faz muito isso. A questão mais pragmática de projetos, recursos, de programas, mas quero ir além. Quero criar uma identidade, uma conexão direta para o ABC ter muito orgulho daqueles que nos representam em Brasília. Quero ser esse representante.
Além disso, bandeiras gerais e importantes, como, por exemplo, a questão da segurança pública, do endurecimento das leis, que é fundamental, do transporte público metropolitano.
Precisamos fazer uma discussão da integração do transporte público. Hoje, o transporte não é integrado e tira tempo de vida das pessoas, no sentido do deslocamento para o trabalho ou para o lazer. Precisamos discutir essa integração e a gente só vai conseguir isso com financiamento e o recurso está no governo federal.
FOLHA- Nas conversas que o sr. tem com os andreenses, qual a principal demanda que o sr. poderá ajudar a solucionar em Brasília?
SERRA- A gente quer, por exemplo, colocar o Hospital Veterinário para funcionar 24 horas. É o nosso sonho.A questão de obras estruturantes, a Marginal Taióca, que é uma via importante de ligação e de drenagem, que a gente pode trazer recursos.
E o financiamento da saúde. Temos um grande exemplo de eficiência na saúde pública que a gente implementou, que é o Poupatempo da Saúde. Quero não só melhorar também esse Poupatempo da Saúde, trazendo mais recursos para a cidade, como também levá-lo para outras cidades do Estado e, quem sabe, do Brasil.

FOLHA- O sr. avalia as pré-candidaturas de outros ex-prefeitos da região, para deputado estadual ou federal, como positiva? Ou vai haver concorrência por votos?
SERRA- Acho positivo o aumento da representatividade, sem dúvida nenhuma. O que a gente precisa avaliar, como região, e ter maturidade para isso, é um certo canibalismo que pode acontecer.
Então, dentro de uma mesma cidade, precisamos medir muito bem a quantidade de candidaturas que aquela cidade pode carregar. Porque senão, muitos candidatos, dentro de uma mesma cidade, ou dentro de uma mesma região, podem impedir a vitória daquele que teria mais chance.
Então, a viabilidade eleitoral é importante também de ser analisada pelo eleitor, quem tem chance efetiva de vencer as eleições e nos representar, porque isso faz muita diferença. A gente tem que achar um ponto de equilíbrio para a gente não ter uma sub-representatividade. Não é fácil isso, mas acredito de verdade que o ABC vai ser uma das regiões mais bem representadas. Vamos ter muito voto regional, temos uma espécie de voto distrital na prática, que aliás é algo que defendo, voto distrital misto, e pretendo defender no Congresso Nacional.
FOLHA- Como o sr. está estruturando a sua pré-campanha? Quais cidades vão ser sua base eleitoral?
SERRA- No ABC, a dobrada é quase que exclusiva com a Ana Carolina. Não é 100% exclusiva, teremos uma boa dobrada com o Thiago Auricchio em São Caetano, nas divisas de São Caetano com Santo André. A regra é exclusividade com a Ana Carolina, na nossa região, em Diadema, em Mauá, em Santo André, em Ribeirão Pires, em Rio Grande da Serra e em São Bernardo.
Fora daqui, vamos investir bastante na Região Metropolitana. E a Ana Carolina, como ela já tem um mandato há quase quatro anos, ela já tem um mandato mais descentralizado, com uma atuação forte no interior e já tem outras dobradas. Ela tem uma dobrada, por exemplo, muito boa com o Marco Vinholi, que é candidato a deputado federal, assim como tenho, por exemplo, com a Maria Amélia, em Jacareí.
FOLHA- Como presidente estadual do PSDB, quantas candidaturas serão lançadas no Estado de SP e quais são os nomes considerados as grandes promessas de votos?
SERRA- A gente pretende fazer de dois a três deputados federais dentro da federação e de três a quatro deputados estaduais. Montamos uma chapa muito consistente.A gente deve ter a chapa completa, com 95 estaduais, 78 federais, junto com o Cidadania, com a Federação. Efetivamente, temos a nossa candidatura, tem a candidatura do deputado Alex Manente (Cidadania), mas que está dentro da Federação, do Felipe Augusto, que é ex-prefeito de São Sebastião.
Temos muitos vereadores, como é o caso do Leonardo Alves, de Mauá, do Luiz Salmeron, em Sorocaba, do Cacá Teixeira em Santos, do André Bandeira, em Piracicaba, do Fernando Petiti, em São José dos Campos, que são vereadores que foram muito bem votados e que querem um projeto para 2028 de prefeito nessas cidades. Então, vão se fortalecer muito nessa eleição.
Na chapa de estadual temos as mulheres. A Ana Carolina, a Damares, que são as duas deputadas, hoje, com mandato, mas temos a Vanessa Maia, em Carapicuíba, a Célia Leão, em Campinas. Temos várias outras mulheres que representam, de alguma forma, essa questão, também, da participação feminina na política e fortalecem muito a chapa do PSDB.
Tenho dito que seria uma coisa inédita, e até inovadora, a gente corre o bom risco de, na Assembleia Legislativa, elegermos uma bancada 100% feminina, porque as candidaturas mais fortes são de mulheres e a gente espera que isso aconteça.
FOLHA- Além do prefeito Gilvan, que também faz parte do mesmo grupo político, já dialogou ou pretende dialogar com outros prefeitos do ABC para apoiá-lo?
SERRA- A gente espera, sim, o apoio integral, incondicional do prefeito Gilvan, por motivos óbvios, ele faz parte do nosso time político, a gente montou toda a candidatura de Gilvan quando ele foi o escolhido do nosso time para ele se tornar prefeito. Então, a gente espera, não só por uma questão de lealdade e gratidão, mas por uma questão da manutenção desse time político, que ele nos apoie, apoie a minha pré-candidatura, a da Ana Carolina, da mesma forma que nós o apoiamos.
Mas, temos um diálogo ótimo com o Taka, em Diadema. Em Mauá, não diretamente para o prefeito, pelo qual tenho muita amizade, tenho um grande respeito, um carinho enorme, mas faz parte de uma outra raia partidária, temos vereadores em Mauá. O Gabriel Roncon, em Ribeirão Pires, o Akira, prefeito de Rio Grande da Serra, que trabalhou conosco. Tivemos um diálogo com o prefeito Marcelo Lima, em São Bernardo.
FOLHA- O sr. tem se posicionado contra os extremos e o discurso de ódio. Mas, esta eleição promete ser polarizada. Como o sr. irá se posicionar, pretende apoiar qual candidato?
SERRA- Como disse, o PT é um adversário histórico do PSDB.A gente polarizou com o PT, era um outro tipo de polarização produtiva, programática, de visão de mundo, visão de sociedade.
Não era essa polarização pobre, estéreo, que a gente vive hoje, em que não se debate os problemas reais, preferem debater outras questões, a meu ver, menores, com um país que tem 30 milhões de miseráveis, que tem uma desigualdade social enorme, em que as famílias estão endividadas, que tem os seus desafios e que a gente, muitas vezes, perde tempo discutindo a cor da camisa da seleção, a marca do chinelo, a marca do detergente. Então, essa polarização nos levou a um empobrecimento do debate político. Mas é o que está dado, infelizmente.
Acredito que a gente vai ter ainda uma eleição muito polarizada e foi um dos motivos, inclusive, que me levou a repensar uma candidatura a governador, porque essa polarização está muito presente na vida das pessoas e não é fácil uma terceira via se colocar.
No âmbito nacional, assim como no âmbito estadual, nós vamos debater. O presidente Aécio Neves colocou seu nome à disposição. O PSDB, primeiro o Ciro Gomes, mas que optou pela candidatura no Ceará e, agora, o Aécio está com o nome colocado, se a gente tiver a possibilidade de buscar uma alternativa fora da polarização, vamos buscar. Temos o Zema, o Caiado, e podem surgir outras candidaturas ainda, e a gente está aguardando.
Nenhum desses dois extremos nos representa. Esperamos ter outras alternativas. Se não tiver, vamos ter que sentar e decidir, mas, assim, muito de pronto, e não em nome do partido, uma opinião pessoal, é muito difícil, por ser um adversário histórico, por termos uma visão muito diferente de gestão, a gente ter qualquer tipo de aproximação com o PT. Isso já está descartado. Então, fora esse aspecto, claro que a gente vai debater para ver se o Brasil acha uma saída melhor do que as que estão colocadas.
















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