José Renato Nalini Opinião

Preocupante ou aterrador?

Em recente apresentação no G100, grupo de brasileiros preocupados com o Brasil, a apresentação do economista Carlo Cauti deixou os partícipes entre aflitos e aterrorizados. Mostrou que o déficit nominal anualizado somou R$ 1,027 trilhão, ao analisar números da trajetória mensal do resultado nominal do setor público, até novembro de 2025.

A dívida bruta do País subiu para 79% do PIB no mesmo novembro do ano passado, embora já tenha atingido 87,7 % em outubro de 2020. A dívida pública subiu e chegou a R$ 8,64 trilhões em janeiro de 2026. O gasto com juro da dívida subiu para R$ 981,9 bilhões em doze meses. As contas públicas tiveram déficit primário de R$ 33,2 bilhões em um ano. E as estatais federais tiveram déficit de R$ 8,9 bilhões no ano passado.

Como explicar que a arrecadação federal em janeiro de 2026 tenha sido a maior da série histórica, atingindo R$ 325,8 bilhões? Seria resultado da situação geopolítica global, que fez com que o capital internacional inflasse a Bovespa e o dólar atingisse a sua menor cotação?

Ocorre que tal situação aparentemente favorável ao Brasil não é duradoura. Aqui, o seguro desemprego cresceu, mesmo com o mercado aquecido. A Bolsa Família registrou uma evolução impressionante: de 2 bilhões de reais em 2003, registrou em vinte anos um aumento de 86%, chegando à fantástica cifra de R$ 173 bilhões. Cresceu também o valor remédio recebido por família: de R$ 286 em 2003, para R$ 699 em 2023.

O número de famílias beneficiadas passou de quatro milhões em 2003, para vinte e um milhões em 2023. De igual forma, os BPC – Benefícios de Prestação Continuada, chegaram a 125 bilhões em doze meses. E a carga tributária brasileira superou 32,3% do PIB e alcançou o maior patamar já registrado.

Será que a economia brasileira pode se considerar saudável? Será que um assistencialismo sem o compromisso de resgatar a dignidade do assistido é o melhor projeto de edificação de uma Pátria justa, fraterna e solidária? Qual a explicação para o êxodo industrial que deixa o Brasil e vai sediar suas empresas no Paraguai?

Não sou economista. Mas gostaria de que eles, como conhecedores especializados da situação econômico-financeira tupiniquim, me explicassem se tudo isso nos deve deixar apenas preocupados ou realmente aterrorizados.

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