O deputado estadual e presidente do PT em Mauá, Rômulo Fernandes, em entrevista exclusiva à Folha, revelou que já destinou mais de R$ 39,09 milhões em emendas para a região do ABC, inclusive Mauá.
Conta que apresentou uma série de projetos na Alesp com relação às mulheres, falou sobre sua inspiração em sua mãe Celcina Fernandes (in memoriam), primeira vereadora de Mauá. Mencionou que um dos seus projetos é a instalação de um novo hospital na microrregião de Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra.
Também falou sobre sua pré-campanha em cerca de 50 cidades, sobre as 17 dobradas que irá fazer e sobre sua participação nas pré-campanhas de Fernando Haddad, para governador, e na reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Ainda contou se irá disputar ou não a Prefeitura de Mauá em 2028. Confira.
FOLHA DO ABC- Após dois mandatos como vereador em Mauá, o sr. foi eleito em 2022 com 75.033 votos. Irá disputar a reeleição em outubro próximo. Quais são as bandeiras que o senhor defenderá na Alesp nessa reeleição?
Rômulo Fernandes- São dois mandatos de vereador, fui secretário de Meio Ambiente, Planejamento Urbano, superintendente da Agência Reguladora dos Serviços de Água e Esgotos de Mauá (ARSEP).
Esses três anos do primeiro mandato foram pautados com relação aos movimentos populares. A gente apresentou uma série de projetos na Alesp com relação às mulheres, que são demandas apresentadas no Estado e no país, com índice de violência muito grande.
Apresentamos projetos de lei com relação a isso, e um dos principais foi dar a possibilidade dessas mulheres vítimas de violência ter um crédito habitacional, recursos para poder comprar uma casa, um apartamento, porque elas não têm para onde voltar. Então, todo o movimento que a gente fez foi com relação às demandas populares, principalmente com relação às mulheres. Essa foi a nossa grande marca.
FOLHA- Neste primeiro mandato, a lei das bets, projeto de sua autoria, foi um dos grandes destaques. O sr. poderia também elencar outros?
Rômulo- O projeto das betes é um assunto que às vezes as pessoas não gostam muito de falar, mas esse tema está na casa de todo mundo.
As bets são um grande problema, e falo isso, a minha posição pessoal, inclusive, sou totalmente contra as betes, elas não têm vantagem nenhuma. São muitas pessoas que estão sendo destruídas por conta desse vício, que se chama ludopatia. Estão destruindo famílias, as pessoas estão perdendo emprego, as pessoas estão se endividando, as pessoas estão se matando com isso. O índice de suicídio aumentou demais com relação a isso.
A lei que a gente apresentou na Assembleia tem um caráter muito bacana, que é com relação ao tratamento do sistema público de saúde. Essa é a grande sacada. A gente não está falando contra as bets, apesar de ter um posicionamento contra isso.
A lei apresentada, votada por unanimidade na Alesp e sancionada pelo governador, é preparar as pessoas que trabalham na saúde pública ter a capacitação para poder atender essas pessoas.
O vício nesses jogos está ultrapassando o vício em tabaco. Então, estamos vivendo uma pandemia nesse sentido. Fico muito indignado quando a gente vê esses jogadores de futebol, esses artistas, fazendo propaganda de uma coisa que está causando dependência para as pessoas.
As pessoas estão gastando dinheiro, pessoas que recebem transferência do governo federal de renda estão gastando quase 10% do seu rendimento com relação a isso.
Então, essa lei tem, exatamente, esse caráter, a prevenção através de curso, de palestras e a preparação dos profissionais de saúde com relação a esse tratamento.
FOLHA- Uma das grandes conquistas para os mauaenses foi o reconhecimento do Parque Ecológico Gruta Santa Luzia como um patrimônio histórico do Estado, por meio de um projeto de sua autoria. Poderia nos falar sobre essa conquista?
Rômulo- A Gruta Santa Luzia, convido todo mundo a fazer parte e conhecer essa gruta. É um grande sonho que está sendo realizado agora, primeiro com relação a esta lei, mas mais do que isso, a gente conseguiu, o governo Marcelo Oliveira, conseguiu, através de conversas, o FEHIDRO (Fundo Estadual de Recursos Hídricos), que é uma instituição que financia, a recuperação de alguns parques.
As pessoas precisam saber que a gente vai ter a possibilidade de cercamento de todo o parque da Gruta, um cercamento adequado, são quase R$ 4 milhões, para a gente poder cercar o parque e, além disso, também fazer um reflorestamento em algumas áreas que foram degradadas.
Então é um patrimônio, a Gruta de Santa Luzia tem uma história muito bonita, que ali as pessoas arrancavam, tiravam, extraíam as pedras dali. E a gruta, eles lavavam o rosto para poder se curar com as pedras que iam no lago. É uma história muito bonita e é uma coisa que a gente tem que cuidar bastante do parque.
FOLHA- O sr. é filho de Celina Fernandes, uma grande mulher e que foi a primeira vereadora de Mauá. Foi com a sua mãe que o senhor se inspirou para entrar na política?
Rômulo- Na verdade, a minha família é a grande inspiração, mas a minha mãe tem um papel fundamental com relação a isso. Minha mãe, Dona Celcina Pereira Fernandes foi vereadora em 1982. Vocês imaginam uma mulher semianalfabeta, dona de casa, ser eleita uma vereadora, fazer política partidária em 1982.
Essa história é uma história muito bonita, mas foi muito dolorosa para ela e para a família, porque as pessoas não entendiam direito. Lembro quando morei no Parque dos Américas quase 40 anos, as pessoas passavam embaixo da nossa rua, porque não tinha rua, era uma viela e xingavam minha mãe de tudo quanto é nome e tal.
Mas, isso para mim me inspirou e inspirou a ela também para a gente ser resiliente. Sempre falo que tinha, não era só minha mãe, diga-se de passagem, tinha uma Associação, chamava ADC (Associação das Donas de Casas), é uma história muito bonita que já tem registro em livros sobre isso. E essa mulherada brava pra caramba, mas brava no sentido de tentar, junto ao poder público, modificações para aquele bairro.
Ela foi a primeira vereadora, junto com a Leia, em 1982, vereadora. Então, aquilo me inspirou muito, dizendo o seguinte, olha, a gente tem a capacidade de mudar as coisas ao nosso redor. E a gente muda as coisas ao nosso redor começando pela rua onde a gente mora e aí foi pela cidade, pelo Estado, e hoje a gente está como deputado estadual no maior Estado da federação, o mais rico, no maior parlamento da América Latina, então para mim é um orgulho fazer parte dessa história e não posso esquecer a origem que a gente tem.

FOLHA- Quais são as principais demandas da população de Mauá, que o sr. poderá contribuir neste segundo mandato, caso reeleito, na Alesp?
Rômulo- Acho que a grande demanda que a gente está percebendo aqui é com relação à saúde. Primeiro, no nosso mandato, a gente conseguiu destinar para a saúde pública mais de R$ 23 milhões para a Prefeitura de Mauá, em várias áreas.
Então, primeiro, a gente tem que ter esse compromisso de continuar mandando recursos para Mauá. Outra coisa que a gente precisa é o fortalecimento do governo federal, porque o governo federal está trazendo para Mauá, a 5ªUPA, que vai ser na Santa Lídia, a Policlínicas, que vai ser no Vila Assis.
Então, a ideia é, neste processo eleitoral, manter exatamente o nosso governo Lula para continuar esse caminho virtuoso. Serão duas novas escolas, serão duas novas UBS também, a ideia é um pouco essa. Mas uma das coisas que quero tentar junto ao Governo do Estado, é a questão de um outro hospital regional estilo Mário Covas, nessa microrregião de Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra.
A gente não quer estadualizar o Hospital Nardini, longe disso. Não é isso que a gente quer. O que a gente quer é um outro hospital, nos moldes do Mário Covas, para essa microrregião, que a gente está chamando de Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra.
Essa vai ser uma grande tarefa para todos nós. A gente já tem conversado, inclusive, com o (Fernando) Haddad, nosso pré-candidato a governador, para que ele tenha esse compromisso para a gente poder ter um outro hospital, porque o grande problema são as especialidades. Então, essa é uma bandeira que a gente quer levar agora na nossa campanha.
FOLHA- O PT atualmente possui a segunda maior bancada na Alesp. São 18 parlamentares. O sr. avalia que esse número possa ser aumentado nessas eleições?
Rômulo- Sim, se a gente pegar a eleição passada, a gente nunca saiu com um patamar tão bacana, tão positivo, nesta época, para o governo do Estado. Acho que a gente tem uma possibilidade concreta de aumentar a bancada de deputados estaduais. Hoje, nós temos 18, mais a Leci Brandão, do PCdoB.
Se continuar nesse patamar, acho que a gente pode aumentar a vantagem significativamente. Estou com muita esperança, até porque, concretamente, o Haddad tem surpreendido a todos nós. O debate vai ser bastante grande e acredito muito na possibilidade de o Haddad virar governador do Estado de São Paulo.
FOLHA- O sr. irá participar da pré-campanha do Haddad? Como o sr. irá atuar?
Rômulo- Sim, a gente já está participando, temos feito reuniões. Em Mauá, a representação da coordenação é do Marcelo Oliveira, o Marcelo está na coordenação da campanha do Haddad e a bancada toda, temos contribuído com relação à construção do Plano de Governo e na montagem das agendas do Haddad. O Haddad vai inclusive vir para a região de Mauá, de Santo André, então a gente está bastante otimista.
FOLHA- E a sua participação na pré-campanha à reeleição do presidente Lula? Como vai se envolver, também?
Rômulo- A gente já está 200 por hora. O Lula é um compromisso de vida que tenho, que o PT tem. Estou como presidente do PT em Mauá. A gente já está fazendo essa pré-campanha do Lula. É fundamental as pessoas entenderem o risco que nós estamos correndo.
Estou falando de democracia, de soberania, da possibilidade de a gente continuar num país virtuoso do jeito que a gente está. E não podemos esquecer do que aconteceu no passado. Foram 700 mil mortes do Covid. Não podemos esquecer que o ex-presidente dizendo a uma menina de 14 anos que pintou um clima, que dizia que não estuprava porque era feia, o pessoal batendo continência com a bandeira americana. Então, a campanha tem um papel fundamental de resgatar o momento muito ruim que nós vivemos lá atrás.
Agora, o país foi reconstruído, novamente, com o governo Lula, e as pessoas estão entendendo. Não é à toa que ele está liderando as pesquisas, porque as pessoas sabem do perigo que a gente corre, mas é sempre bom alertar. Estou muito, mas muito feliz e empolgado com a companhia do Lula.
Folha- E a sua pré-campanha? Como está sendo estruturada? O sr. já tem dobradas pelo Estado?
Rômulo- A gente tem a felicidade, sou o único candidato a deputado estadual na cidade de Mauá. É lógico que na eleição passada tivemos votos em várias cidades, mas principalmente na Região Metropolitana.
Diferente de agora, estamos espalhados um pouco mais, o mandato permite você andar um pouco mais no Estado todo, são 645 municípios, mas não conseguimos atuar na campanha em todos.
Devemos ter aproximadamente 40 cidades ou 50 cidades que a gente tem atuação. Temos 17 dobradas, com vários candidatos no Estado inteiro.
Então, acho que esse momento da eleição, é um momento muito importante, de organização, é por isso que se chama pré-campanha. A campanha oficial começa no dia 15 de agosto, mas estou muito empolgado porque a gente tem o que falar, tem o Lula para defender, tem o Haddad para defender, tem o Senado, que é um negócio bastante importante.
Sempre falo que não adianta a gente eleger o Lula se a gente não tiver uma Câmara Federal muito unida nos pensamentos. A gente está passando por muitos problemas na Câmara Federal por conta disso e no Senado da mesma coisa.
Então, a ideia é convencer as pessoas a votar de cabo a rabo em parceiros da democracia, em parceiros da soberania, em parceria com o mesmo pensamento de um Brasil mais justo, mais legal. Estou muito otimista nessa pré-campanha da gente.
Folha- A população de Mauá poderá ver o sr. nas urnas em 2028 para dar continuidade ao governo do Marcelo Oliveira, como candidato a prefeito?
Rômulo- Não. Essa discussão não está colocada na mesa de forma alguma, de forma alguma. O PT tem uma característica muito diferente, muito diferente. Quem escolhe as candidaturas é o Partido dos Trabalhadores, não é nem A, nem B, nem C. Então, um passo de cada vez.
















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