Fabio Picarelli Opinião

Um auditório chamado Barão de Mauá

O primeiro e único auditório instalado na vila ferroviária de Paranapiacaba ganhou um nome: Auditório Barão de Mauá, uma justa homenagem a Irineu Evangelista de Sousa (1813-1889), o maior empresário do Brasil na época do Império (1822-1889), em que o país foi governado pela monarquia constitucional parlamentarista, nos reinados de D. Pedro I até D. Pedro II, se encerrando com a Proclamação da República.
Irineu Evangelista de Sousa se protagonizou na construção de ferrovias, estaleiros, iluminação a gás e os primeiros bancos internacionais brasileiros. Idealista, era contrário à escravidão, enfrentando os principais agricultores rurais. Em 30 de abril de 1854 inaugurou os primeiros 14,5 quilômetros da Estrada de Ferro Mauá, na cidade de Magé, no Rio de Janeiro. O príncipe regente D. Pedro II (1825-1891) reconheceu o valor do empresário e concedeu dois títulos: primeiro, Barão de Mauá em 1854, e depois, Visconde de Mauá em 1874. É considerado o primeiro grande industrial brasileiro e um dos símbolos do empreendedorismo capitalista no século XIX.
Pouco tempo depois da implantação da Estrada de Ferro Mauá tinha início em Paranapiacaba a construção da primeira ferrovia paulista, a Santos-Jundiaí, pela empresa britânica São Paulo Railway Company. O engenheiro Daniel Makinson Fox foi incumbido de executar o primeiro projeto a partir de 1862 com o intuito de escoar a produção do café no interior até o Porto de Santos. E daí para o mundo. Nesse mesmo ano começou a obra do sistema funicular, movido por cabos de aço que tracionavam as locomotivas na subida da Serra do Mar. Oficialmente a Estrada de Ferro Santos-Jundiaí entrou em operação no dia 16 de fevereiro de 1867.
A construção avançou por longos anos até o início do século XX. A vila formada por funcionários da ferrovia crescia e as famílias passaram a morar no local.
Uma das casas localizadas no caminho do Hospital Velho foi consumida pelas chamas em 2007. Do antigo imóvel da rua Dr. Marum, 313, que outrora abrigou a hierarquia inglesa da SPR, pouca coisa restou. Apenas a base, uma parede, alguns trilhos e um muro de arrimo sobreviveram ao incêndio.
Mais de 15 anos depois uma parceria entre a Prefeitura de Santo André e o Governo Federal, por meio do Iphan (Instituto de Patrimônio Histórico e Artístico Nacional), viabilizou recursos para o restauro nada convencional. Um investimento total de R$ 1.426.629,29. Da estrutura original reaproveitou-se algumas partes do edifício para transformar o espaço em um auditório. A execução começou no início de 2024 pela empresa vencedora da licitação, Edipal Construtora e Imóvel Papai Ltda e foi concluída um ano depois. A cerimônia festiva para toda a população aconteceu no dia 13 de abril de 2025 dentro da programação de festejos de 472 anos de Santo André.
Durante alguns meses ficou conhecido como Auditório Dr. Marum, mas em 10 de junho de 2026 o projeto de lei 350/2026, de autoria do vereador Rodolfo Donetti, foi aprovado na Câmara de Santo André, denominando “Auditório Barão de Mauá – Irineu Evangelista de Souza”. O projeto foi encaminhado para o Executivo para a sanção do prefeito Gilvan Ferreira.
O auditório tem capacidade para 49 pessoas sentadas e poderá receber grupos pedagógicos, monitores e empreendedores, além de ser mais um espaço para eventos culturais e de entretenimento em Paranapiacaba. Está disponível para toda população.