18 May 2022

Publicado em Editorial
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Uma representação que pedia a prisão do jornalista e editor-chefe do Jornal Nacional, William Bonner, por ‘incentivar a vacinação obrigatória de crianças e adolescentes e a exigência de passaporte sanitário’ foi arquivada pelo Juizado Especial Criminal de Taguatinga. Bonner é um dos garotos-propaganda da campanha ‘Vacina Sim’, criada pelo consórcio de veículos de imprensa e lançada em janeiro de 2021.
Em seu despacho, a juíza Gláucia Falsarella Pereira Foley escreveu: “O Poder Judiciário não pode afagar delírios negacionistas, reproduzidos pela conivência ativa - quando não incendiados - por parte das instituições, sejam elas públicas ou não”.
A jornalista sérvia Ana Lalic, no início da pandemia de Covid-19 no Leste Europeu, relatou uma grave escassez de máscaras e equipamentos de proteção. Lalic foi presa, jogada em uma cela sem janelas e acusada de incitar pânico. Foi liberada, recebeu um pedido de desculpas do presidente autoritário da Sérvia, Aleksandar Vucic, mas foi difamada por semanas, chamada de traidora. “Virei inimiga do país”, disse.
Esses são apenas dois exemplos atuais do que tem acontecido com os jornalistas de todo o mundo. Mas, esse problema não é novidade. No Brasil, a história revela diversos casos de tentativas de intimidação aos jornalistas, perseguição, prisão e até mesmo assassinato. Um deles foi o caso do jornalista iugoslavo Vladimir Herzog, que se estabeleceu no Brasil e acabou sendo vítima dos horrores do país durante a ditadura militar.
Como há uma crescente cultura do desprezo por tudo aquilo que confronta as ideias e convicções pessoais, os jornalistas viraram grandes inimigos não só dos governantes, mas até da população como um todo.
O jornalista tem o dever de informar a verdade, com independência e imparcialidade. É preciso muita responsabilidade e compromisso com a credibilidade para escrever cada palavra, checar por diversas vezes as informações antes de publicar algo e ter fontes confiáveis. Mesmo assim, o trabalho do jornalista incomoda. Na política, os jornalistas incomodam o poder, pois revelam esquemas, privilégios, ineficiências e incompetências do poder público.
Os jornalistas expõem o que muitos gostariam que ficassem escondido e isso incomoda. Profissionais que atuam em veículos de comunicação não devem atuar como assessores de imprensa ou marketeiros de nenhum partido ou político. “Levantar a bandeira”, “vestir a camisa”, militar ou defender políticos, sejam A, B ou C não fazem parte do universo da credibilidade, o qual todos os jornalistas deveriam estar inseridos.
Um veículo de comunicação de qualidade não pode trazer uma única visão de mundo. É preciso oferecer diferentes perspectivas, ideias. Não para confrontar ou provocar. É preciso o contato com a diferença, seja de pontos de vista ou de variadas visões de mundo. A pluralidade é benéfica, pois auxilia a superar a dificuldade de olhar sob a perspectiva do outro, de ouvir uma opinião divergente, de aprender uma visão de mundo, uma percepção política distinta.
Não pode haver retrocesso da liberdade de imprensa no Brasil e muito menos tentativas de controlar o trabalho dos jornalistas, como já ocorre na Hungria, onde foi reunido centenas de meios de comunicação em uma holding controlada por aliados do primeiro-ministro Viktor Orban. Qualquer nível de controle ameaça a credibilidade jornalística.

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