05 Dec 2020
Folha Do ABC

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O resultado das eleições municipais de 2020 deixou em evidência a mudança no comportamento do eleitorado, em relação às escolhas realizadas em 2018. Desta vez, os eleitores votaram sem ódio, o voto “anti” perdeu força, foi rechaçado o extremismo ideológico, repelida as polarizações partidárias. Optou-se por candidaturas do centro.
Cinco partidos de centro-direita conquistaram a maioria das grandes cidades do Brasil. O MDB, apesar de ter perdido 260 prefeituras, em relação às eleições de 2016, quando tinha 1.044, vai comandar o maior número de prefeituras em 2021, serão 784; o PP registrou aumento de 190 prefeituras, subindo de 495, em 2016, para 685, nas eleições de 2020; o PSD também ampliou o comando das Prefeituras, em 115, passando de 539 em 2016, para 654 em 2020.
O PSDB apesar de ter perdido cerca de 40% das cidades governadas em comparação às eleições de 2016, o que corresponde a 279 prefeituras das 799, ou seja, uma redução de 32% da população governada, comandará, ao todo, 520 cidades, incluindo São Paulo, não só a maior cidade do Brasil, mas a que possui o maior colégio eleitoral. Serão 36 milhões de brasileiros (16,2% da população) morando em municípios administrados por gestões tucanas, nas principais em todas as cidades do País. A sigla ainda registrou recorde de vitórias no Estado de São Paulo, 179 municípios, superando a marca de 2016, com 173. Isso significa que o partido vai administrar em torno de 50% da população, em 2021.
Em relação ao DEM, a sigla foi a que teve maior crescimento em número de prefeitos eleitos. O partido ampliou o comando em 196 o número de prefeituras, passando de 268 nas eleições de 2016, para 464 em 2020. O Republicanos obteve 106 prefeituras a mais, passando de 105 em 2016, para 211 em 2020 e o Podemos, de 30 em 2016, para 102 em 2020. A principal vitória do ex-PFL foi no Rio de Janeiro, com a eleição do ex-prefeito Eduardo Paes (DEM), que venceu o atual prefeito Marcelo Crivella, (Republicanos) que tentava a reeleição, com apoio do presidente Jair Bolsonaro.
Quanto às Capitais, o MDB obteve a maior conquista, foram cinco (Goiânia, Cuiabá, Teresina, Boa Vista e Porto Alegre), seguido de quatro do DEM (Salvador, Curitiba, Rio de Janeiro e Florianópolis) e do PSDB (Natal, Porto Velho, São Paulo e Palmas); duas do PP, (Rio Branco e João Pessoa), duas do PDT (Fortaleza e Aracajú); duas do PSD (Belo Horizonte e Campo Grande); duas do PSB (Maceió e Recife) e uma Republicanos (Vitória), uma PSOL (Belém); uma Podemos (São Luís) e uma Avante (Manaus). O PT não elegeu nenhum prefeito de Capital e perdeu o comando de 71 prefeituras, caindo de 254 para 183 no total. Os prefeitos eleitos petistas deverão governar cerca de 3% do eleitorado do País.
O PSD, Progressistas e DEM irão, juntos, governar quase um terço do eleitorado do País (32%). Em 2016, as prefeituras conquistadas pelos três partidos representavam cerca de 17% do eleitorado. Já Bolsonaro, que apoiou 16 candidatos a prefeito, teve apenas quatro eleitos: Tião Bocalom, em Rio Branco (AC), Roberto Naves em Anápolis (GO), Gustavo Nunes, em Ipatinga (MG) e Mão Santa em Parnaíba (PI). Seu antigo partido, o PSL, fez 92 prefeitos (1,3% do eleitorado nacional).
Ainda é muito cedo para traçar prognósticos para o cenário eleitoral de 2022 ou para definições dos principais candidatos para a disputa presidencial, mas, o que ficou evidente é que a política tradicional, com já conhecidas figuras políticas e velhos partidos, ainda pode ter força e boa representação, ao contrário da onda da “nova política” das eleições de 2016 e que o extremismo ideológico, pelo menos por enquanto, perdeu o impacto de outrora.

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Vitorioso
No segundo turno das eleições municipais, o MDB foi o partido que mais conquistou prefeituras. Foram 10 vitórias. Depois aparecem PSDB e Podemos, com oito e seis prefeitos, respectivamente. Já o PT ficou como o maior derrotado, pois perdeu 11 das 15 disputas de que participou, no domingo (29) de novembro. O segundo turno das eleições foi realizado em 57 municípios, sendo 18 capitais.
 
Mais votados
O partido que fez o maior número de prefeituras nas Capitais do Brasil, nessas eleições, foi o MDB, com cinco; PSDB e DEM com quatro, cada um; 2 PP, PDT, PSD e PSB e 1 Republicanos, PSOL, Podemos e Avante. Já em relação aos prefeitos eleitos nas Capitais, o mais votado foi Arthur Henrique (MDB), de Boa Vista (RR), com 85,36% dos votos; seguido de Bruno Reis (DEM), de Salvador (BA), com 64,20%; Eduardo Paes (DEM), do Rio de Janeiro, com 64,07% e Kalil (PSD), de Belo Horizonte (MG), com 63,36% dos votos.
 
Moderado
O prefeito reeleito de São Paulo, Bruno Covas (PSDB), manteve o tom ameno na campanha à reeleição, no segundo turno. Apesar da pressão para que a estratégia do tucano contra o adversário, Guilherme Boulos (PSOL), mudasse do crítico-construtivo para ataques incisivos e da desconstrução total de Boulos, Covas bancou os riscos do “jogo limpo”. O resultado não só agradou aos eleitores, aos tucanos do partido, mas mostrou que é possível fazer política sem ódio.
 
Força
O resultado das eleições municipais deixou claro a força dos partidos do Centro. Ainda é cedo para se avaliar se essa força se manterá até 2022, contrariando cenários de polarização, com pitadas de ódio. Um dos partidos do Centrão, que mais cresceu nesse pleito eleitoral, o DEM já está dividido. Alguns membros da cúpula são favoráveis à candidatura do apresentador Luciano Huck, que recebeu convite para se filiar ao partido. Outros preferem apoiar o projeto presidencial do governador João Doria (PSDB).
 
Força I
Com isso, a ala paulista do DEM ficou em alerta, pois Rodrigo Garcia (DEM) e vice-governador do Estado, já teria fechado aliança com João Doria (PSDB), caso ele seja candidato a presidente em 2022. Garcia seria candidato ao Governo do Estado. Porém, a ala de fora de São Paulo acredita que o PSDB irá querer lançar candidato próprio em São Paulo. Os dois cenários podem ser favoráveis ao prefeito de São Bernardo, Orlando Morando (PSDB), que nunca escondeu sua vontade em alçar voos políticos fora do município, principalmente, no Governo do Estado.
 
Voo
Até hoje, nenhum ex-prefeito do ABC conseguiu emplacar uma candidatura a governador do Estado, nem compor como vice. Morando poderia ser o primeiro, caso ganhe posições na corrida política partidária até 2022. O prefeito de São Bernardo poderia, então, tanto compor como vice de Rodrigo Garcia (DEM), ou como candidato próprio dos tucanos a governador. A oportunidade parece tentadora, porém, Morando teria que abandonar seu mandato como prefeito e arcar com possíveis descontentamentos de seu eleitorado.

Disputa
Das 16 cidades do Estado de São Paulo, onde houve segundo turno, o PSDB disputava o maior número de prefeituras. Das seis cidades onde o partido disputou o comando das prefeituras, ou seja, Piracicaba, Praia Grande, Ribeirão Preto, São Paulo, São Vicente e Taboão da Serra; foi vitorioso em três, São Paulo (Bruno Covas); Praia Grande (Raquel Chini); Ribeirão Preto (Duarte Nogueira). Já no primeiro turno, os tucanos conquistaram 176 prefeituras paulistas dos 645 municípios do Estado. Portanto, a sigla foi vitoriosa em 179 cidades do Estado de São Paulo.
 
Contramão
O segundo turno das eleições mostrou que o antipetismo ainda existe entre os eleitores do País. Os três principais candidatos a prefeito apoiados pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), Guilherme Boulos (PSOL), em São Paulo; Manuela D’Ávila (PCdoB), em Porto Alegre e Marília Arraes (PT), no Recife, saíram derrotados. Já no ABC, o PT voltou ao comando das Prefeituras de Mauá, com Marcelo Oliveira, após as gestões do ex-prefeito Oswaldo Dias (PT), que governou a cidade por três vezes, entre 1997 a 2000, 2001 a 2004 e de 2009 a 2012.
 
Contramão I
Em Diadema, o PT também voltou ao comando da Prefeitura. José de Fillipi Júnior fará seu quarto mandato como prefeito. O petista já tinha sido prefeito de Diadema outras três vezes, (1993-1996), (2001-2004) e (2004-2008). Também será o sétimo governo do PT na cidade, que já foi administrada por Mário Reali (2009-2012), José Augusto da Silva Ramos (1989-1992) e Gilson Correia de Menezes (1983-1988).

Afastados
O prefeito de São Caetano, José Auricchio Júnior (PSDB), ficará de licença para tratamento pós-Covid-19 até 20 de dezembro. O afastamento foi aprovado na Câmara Municipal, na terça (1). Na mesma sessão foi concedida, também, licença ao vice-prefeito Beto Vidoski (PSDB), para tratar de assuntos particulares, até 11 de dezembro. Com isso, o presidente da Câmara Municipal, Pio Mielo (PSDB) assumiu como prefeito interino.
 
Imbróglio
Auricchio, que continua com sua candidatura indeferida no site do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), aguarda desfecho de recurso judicial para reverter a situação, o que deve ocorrer até o dia 18 de dezembro, último dia para a diplomação dos eleitos. Caso Auricchio não obtenha vitória, o próximo presidente da Câmara poderá assumir o comando da Prefeitura por até 90 dias e, nesse período, convocar nova eleição para definir o prefeito.

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A democracia inclui a troca pacífica dos governantes. Foi o que vivemos, através das eleições para prefeitos e vereadores.
Agora, se pergunta o que os vencedores irão fazer? Cumprirão as promessas? Estão à altura para trabalhar pelo bem comum, deixando de lado rivalidades pessoais, lutas egoístas pelo poder? Há grande expectativa. O povo votou, desta vez, mais consciente e decidido a dar o poder aos que julgou melhores. Foram desprezados aventureiros que nas eleições presidenciais de 2018 foram alçados ao poder e, ao exercê-lo demonstram imaturidade e incompetência que fazem o país sofrer, além da pandemia. Em 2018, quisemos sair da boca da onça e caímos na boca do leão.
A população clama por lideranças capazes de resolver os problemas mais urgentes como moradia, desemprego, segurança, educação, saúde entre outros. Entre todas as reivindicações as principais são saúde e educação. Apesar de termos o SUS, prova de que há solução para os problemas, a pandemia nos coloca em luto nacional. Só no  ABC são 77.160 pessoas infectadas e 2.868 óbitos quando escrevo. A crise constante na organização da educação é sentida pela população como fator gerador de pobreza e miséria. Sem educação, o Brasil não progride para todos. Educação é projeto pedagógico não é só inaugurar escolas. É também cuidado com a família, base da sociedade a qual o Estado deve proteger (cf. Constituição Brasileira Art. 226).
A nível nacional, percebemos que o custo social e humano da corrupção e a incompetência vai minando as esperanças da Nação. O povo sofre e em especial nas periferias a fome está voltando. É preciso que os eleitos tenham espírito público, o qual se traduz em diálogo civilizado com todos os segmentos da sociedade. É preciso que tenham respeito pelas instituições. O dinheiro existe para se resolverem estes problemas mas não há planejamento e vontade política, falta às vezes a misericórdia que Jesus teve com a população miserável: “Tenho pena deste povo que anda como ovelhas sem pastor” (Mc 6,34).  Os pastores foram escolhidos. Saberão pastorear o povo e não a si mesmo e seus clãs? De qualquer forma deverão prestar contas a Deus do qual emana todo o poder, também o que passa pelo povo (Rm 13,1; Jo 19,10).
Enfim, o que se espera dos prefeitos e vereadores eleitos é que exerçam a cidadania conforme o mandato recebido para serem pessoas públicas, capazes de desenvolverem políticas públicas em favor da população, em especial as mais carentes. A Igreja Católica, na Campanha da Fraternidade do ano passado, tratou deste tema mais atual que nunca. As políticas públicas são um conjunto de ações, programas e decisões tomadas pelos gestores públicos, com a participação ou não da população, que são direitos dos cidadãos e devem ser garantidos e implementados pelos gestores públicos.
As políticas públicas afetam todos os cidadãos.  Não são favores, mas deveres dos gestores públicos. Devem ser implementadas para atingirem resultados na promoção do bem comum. No sentido político é processo de decisões administrativas ou conjunto de projetos e atividades realizadas pelos governantes de forma planejada em benefício da população, atendendo em especial os que mais precisam.
O Reino de Deus inaugurado por Jesus é feito de justiça e paz. As políticas públicas são instrumentos para atingir estes objetivos, por isso, a Igreja insiste neste ponto e conclama seus fiéis a vigiar os eleitos no cumprimento de suas funções. E também colaborar com sugestões e participação para que haja eficiência e transparência.
O voto dado deve prolongar-se na atenção para o que faz o eleito. Dizia Napoleão Bonaparte que, “a obra política mais difícil é conquistar a confiança antes que o êxito por realizar o prometido”. É mesmo, do contrário a política será a “arte” de se servir do povo, dando-lhe a crer que o servimos.
Parabéns aos eleitos, que Deus os fortaleça com sua bênção!

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A palavra é o que distingue o ser humano dos outros animais. Ela é mágica. Seduz, convence, exalta, enaltece e inebria. Mas também pode ferir. Machuca, deixa cicatrizes, mata os bons sentimentos.
No decorrer da História, a palavra foi o instrumento poderoso que edificou a civilização. Feliz de quem pode se deleitar com a leitura de preciosidades produzidas por espíritos superiores, que já não estão entre nós, mas cuja obra é eterna.
Ensinar a ler, a se exprimir com proficiência, a escrever, é o que muda a vida das pessoas. Por isso o letramento é tão importante. Quem não lê, não aprende a pensar. Fica trancado na indigência de um pobre vocabulário. Nossa tradição romano-helênica sempre conferiu enorme prestígio à oratória, à eloquência, à retórica.
Por isso é frustrante verificar o quanto de deterioração se constata na forma de expressão de líderes de nações que se propõem a ser faróis culturais e democráticos para todas as demais.
A Professora francesa Bérengère Viennot escreveu “A Língua de Trump”, explorando os dois primeiros anos do Presidente americano. Constatou que, numa única entrevista, mencionou 41 vezes o termo “great” (grande). 25 vezes o verbo “win” (vencer), 7 vezes “tremendous” (tremendo).
Mais do que o uso excessivo da mesma linguagem rompante, nota-se a grandiloquência com que os verbetes são pronunciados. Quase sempre com rudeza, de forma agressiva, como se quisesse que os ouvintes engolissem as palavras.
Cabe lembrar que o grande escritor Philip Roth (1933-2018), logo que Trump tomou posse, fez o seu diagnóstico sobre o novo Presidente do maior país do Ocidente: “ignorante sobre governo, história, ciência, filosofia, arte, incapaz de expressar ou reconhecer sutileza ou nuance, destituído de toda decência e detentor de um vocabulário de 77 palavras que seria melhor chamar de paspalhês (jerkish) do que de inglês”.
Nesse aspecto do bom uso do vernáculo, a comparação com Barak Obama é uma covardia. A fala correta, serena e lúcida de Obama é o modelo que o bom gosto recomenda seguir. Uma boa reflexão para os professores de português e de comunicações. Como explicar situações tão antagônicas?

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A sonda chinesa Chang'e-5 desacelerou e entrou na órbita lunar no sábado, dia 28 de novembro, completando uma etapa vital em seu caminho para coletar e devolver amostras lunares, anunciou a Administração Espacial Nacional da China (CNSA).
Depois de voar cerca de 112 horas da Terra, um motor da sonda foi ativado quando estava a 400 km da superfície da lua às 8h58 da noite e foi desligado após cerca de 17 minutos, disse a CNSA.
A sonda realizou a frenagem sem incidentes e entrou na órbita lunar com sucesso, de acordo com os dados de monitoramento em tempo real.
A Chang'e-5, que compreende um orbitador, um pousador, um ascender e um dispositivo de volta, realizou duas correções orbitais durante a transferência da Terra-Lua, alcançando seus objetivos esperados.
Posteriormente, a sonda ajustará a altitude e a inclinação de sua órbita ao redor da lua. Quando o momento for apropriado, a combinação de pousador e ascender se separará da combinação de orbitador e dispositivo de volta, implementará uma aterrissagem suave no lado mais próximo da lua e realizará a coleta automática de amostragem conforme planejado.

Uma façanha única
Vocês já imaginaram o que significa lançar uma espaçonave rumo à Lua com a missão de recolher amostras de rochas lunares e trazê-las para a Terra.
Pois é exatamente essa a missão da sonda Chang’e 5 lançada dia 28 rumo à Lua pela China. A Chang'e 5 tem como objetivo perfurar um buraco de dois metros de profundidade na superfície da Lua, recolher uma amostra de cerca de 2 kg de rocha e trazê-la para a Terra.
Se tiver êxito, será a primeira missão lunar de retorno de amostra desde 1976, quando uma sonda soviética chamada Luna 24 trouxe uma minúscula amostra de apenas 170g de amostra do solo lunar. E será mais um passo em frente no programa espacial da China.
A missão atual foi preparada anteriormente pela Chang’e 4, sonda que pousou na face oculta da Lua que é sempre invisível da Terra e, portanto, também fora do contato de sinais diretos de rádio.
Isso significa que as comunicações têm que ser retransmitidas por um satélite que habilmente localizado para esse propósito em um lugar onde a interação dos campos gravitacionais da Terra e da Lua permita que ele orbite um ponto no espaço vazio.

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Vamos fazer uma trégua neste meu espaço semanal. O leitor tem direito a um descanso, por isso vou dar-lhe a oportunidade de passar uns tempos sem minha coluna, ao menos para os que se dão ao trabalho ou ao esforço de ler meus escritos.  Após uma temporada  de ausência, voltarei com minhas crônicas a este canto de página. Sem a pretensão de ser lido tenho também a acolhida, estou certo, de muitos leitores atentos a este meu meditar semanal sobre questões, às vezes mais importantes em nosso dia-a-dia.
Por exemplo, hoje eu pretendia focar nossa escritora Nélida Piñon e seu livro sobre uma sua viagem a Sagres, mas fica para outro dia, quando eu voltar a este espaço. Por ora vou também descansar, ou seja, ficar esperando o trem passar. Pois estou em Torrinha, minha terra natal, forçado a uma trégua em minhas correrias de todos os dias e de toda uma vida. Passei por uma cirurgia complicada, no fêmur, e ainda estou convalescendo, caminhando com dificuldade e com o auxílio de  muletas, o que não me impede de escrever, e sobretudo, de ler. É o que tenho feito, com satisfação, procurando "encher o tempo" que tenho à minha disposição.
Mas, não é fácil, sobretudo para quem sempre esteve preocupado em fazer a tarefa diária e, contraditório que pareça, essa tarefa tornou-se deliciosa obrigação para dar conta de ajudar o tempo passar - e como tem demorado a passar os dias de "descanso" obrigatório.
Convidaram-me uns amigos a jogar baralho. Agradeci, pois não é do meu gosto. Gosto de jogar malhas, como estamos num tempo de pouco convívio com pessoas devido  ao resguardo obrigatório, o jogo de malhas também está suspenso. Resta a leitura e tenho até exagerado em ler jornais, revistas, livros.
Minha filha em cuja casa estou descansando ajuda-me a passar o tempo, mas ela tem seus compromissos e vai cumprindo-os como pode. A outra filha continua residindo em São Paulo,  meu filho em São Bernardo e eu, em Torrinha. E assim vamos tocando o tempo que me sobra  e como sobra...
Até breve!

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Sabia que você joga fora 180 quilos de comida por ano? Sim, segundo dados do Centro de Agroindústria de Alimentos da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), o desperdício doméstico por família é suficiente para alimentar uma criança por seis meses. Agora, multiplique a quantidade de famílias existentes no Brasil, e o resultado do desperdício erradicaria a fome no país. Somos o maior produtor de cana, soja e café do mundo (e o terceiro em cerveja), e ainda assim o Brasil desperdiça mais de 11 milhões de toneladas de alimentos por ano - em dinheiro são 12 milhões de reais. Resultado: são oito milhões de famílias que deixam de comer neste país subdesenvolvido.
Era quase 23h quando, semana última, resolvi parar numa padaria a fim de levar pães e frios pra casa. É um bom ponto em Santo André, numa rua movimentada do centro.Logo na entrada, a moça do caixa não manifestava vontade alguma de ser simpática, sua cara de poucos-amigos era assustadora. No balcão, eu namorava alguns doces, pães recheados, brioches e afins, na esperança de alguém me atender, de maneira que uma funcionária estava numa conversa com um cliente - o único, aliás - na qual eu não quis atrapalhar.
O outro atendente estava no seu horário de janta, e fiquei sem jeito de interrompê-lo, mas era a única saída: "Meia dúzia de pãezinhos e duzentos gramas de mussarela, por favor". Enquanto eu esperava a encomenda, escolhia o tipo de baguete que queria levar, e o atendente que era cego de um olho, coitado, me falou. "Moço, eu só tenho isso de mussarela", e me apresentou uma peça de 150 gramas. "Não tem problema, vai essa mesmo", aceitei. Nisso, a funcionária que falava com o freguês pega as baguetes que eu estava olhando e joga tudo no lixo. Pensei: "Eu aqui gastando dinheiro, e ela ali desperdiçando, por quê não me dá, então?"
Não bastasse, logo depois desse gesto desrespeitoso com os alimentos, ela comete o mesmo ato frio: pega mais seis baguetes e joga tudo for! Não me contive: "Ei moça, não joga fora não! Aqui na esquina tem um monte de moleque pedindo dinheiro no farol pra comer". "É... mas fazer o que, né? são ordens do patrão....", ela desdenhou.
E sou obrigado a ouvir uma resposta calculista como "ordens do patrão" e meninos que diariamente vivem a morrer de fome rogam por um pedaço de pão. Ao pagar minha mercadoria, a moça do caixa - que era justamente "o patrão" tinha piorado sua cara, ela poderia entrar numa competição das pessoas mais antipáticas do mundo, que ganharia fácil. Ao sair, eu disse um obrigado, mas como essa palavra não fazia parte do vocabulário dela, então ela nem me ouviu.
Tive pena das pessoas famintas. E saí de lá com raiva da padaria, do patrão, da atendente na esperança de evitar comprar naquele lugar. Refleti: ‘Quantas pessoas não fazem isso? Quantos supermercados não desperdiçam alimento? Quantas famílias permitem que os alimentos expirem a data?’.
Não escondo meu aborrecimento com o desperdício de comida, porém, fico mais comovido com os dois milhões de pessoas que morrem diariamente no mundo por não terem uma simples baguete pra comer - incluindo crianças.

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A Calçada de Lorena nome dado em homenagem ao seu idealizador, Bernardo Jose Maria de Lorena e Silveira, nascido em 1756, diferenciada obra relegada pelo passado, não recebe o reconhecimento por sua real e indiscutível importância na ligação do litoral ao planalto (Cubatão/São Bernardo), nos idos desde 1792. A sua importância histórica  propiciou expansão comercial e desenvolvimento na época. Localiza-se nas encostas da Serra do Mar e substituiu  a precária picada existente  que, até então servia como único caminho, mesmo difícil, para aqueles que se dirigiam para o planalto, nos idos de 1726. O Governador e Capitão da Capitania de São Paulo, Rodrigo César de Menezes, comentava com o Rei D. João V, das dificuldades em manter transitável o caminho entre o litoral e o planalto, sugeria meios de se aproveitarem cavalos e escravos para o trabalho na melhoria do trajeto, conforme manuscrito do arquivo histórico ultramarino de Portugal. O projeto de construção surgiu pela ideia de Da. Maria I, Rainha de Portugal, à época chamada de Da. Maria, a Louca, mas que, pela previsão que teve, tal apelido não procedia por sua moderna visão. A história remonta a gestão do Governador da Província de São Paulo, Bernardo José Maria de Lorena e Silveira, fidalgo e administrador português, por quase nove anos, de 19 de agosto de 1788 a 28 de junho de 1797. Foi um excelente administrador pelas obras realizadas, pois tratou de melhorar tanto os centros urbanos como o interior da Província de São Paulo. Construiu o quartel na cidade, chafariz no Largo da Misericórdia, calçamento das ruas, o Teatro da Ópera e levantamento topográfico da capital. Atendeu o desejo da Coroa da Rainha Da. Maria I, na realização do projeto de construção da pretendida ligação. As medidas destinadas ao desenvolvimento da economia paulista, foram as de estabelecer o monopólio negocial do porto de Santos e a construção do caminho calçado na Serra de Cubatão, ligando assim Santos a São Paulo, causando assombro e justo motivo de espanto da população, pela ousadia. A particularidade da construção é que foi feita em zigue-zague, para vencer os desníveis de mais de oitocentos metros, o que causou admiração da população e dos estrangeiros, pela portentosa qualidade da obra Foi a primeira via pavimentada da América. É chamada de a Estrada da Independência, pois D. Pedro I, seguiu pela Calçada de Lorena de Santos para São Paulo, passando por São Bernardo pela atual Rua Marechal Deodoro, onde às margens do rio Ipiranga, em  7 de setembro de 1822, proclamou a Independência, marca principal para os são-bernardenses. A espetacular obra permitiu o grande progresso com o fluxo de negociantes entre os dois polos ligados estrategicamente por ela, portanto dando plenas condições de ampliação das relações entre o litoral e a capital, mas a Vila de São Bernardo localizada na passagem pela atual Rua Marechal Deodoro, na realidade foi muito bem favorecida e tornando-se um grande centro negocial. Ao tempo, a Calçada de Lorena foi abandonada pela construção de outros caminhos. Em 1922, o Governador Washington Luis a recuperou e construiu o Padrão de Lorena, em homenagem ao idealizador, com um mosaico de azulejos que formam o retrato de Lorena, justamente no ponto de encontro da Calçada de Lorena com a atual Estrada Velha do Mar, em um belvedere, onde se avista toda a baixada santista e as paisagens naturais da Serra do Mar, com um arco, e no topo uma pesada bola de pedra, com cruz em cima, de nome esfera armilar, símbolo das conquistas marítimas portuguesas, mas lá não mais se encontra, pois  foi furtada. Bernardo de Lorena, faleceu em 1818, em Lisboa, só e abandonado, como atualmente está a Calçada, e também os demais monumentos. Segundo informações da mídia e por edital publicado, ocorreu mudança de gestão pelo Governo do Estado de São Paulo, pois transferiu por trinta anos a exploração da Estrada Velha de Santos, dentro do Parque Estadual da Serra do Mar, com a concessão de uso do espaço Caminhos do Mar, com valor estabelecido e avaliado como encargo ao patrimônio histórico, cultural e ambiental para a manutenção da Mata Atlântica e os prédios históricos, inclusive da Calçada de Lorena. Quem sabe, doravante a população poderá usufruir das visitas para conhecimento e confirmação da incomensurável importância que, infelizmente ainda não foi dada a tão grandioso conjunto de obras e mesmo da Mata Atlântica. Vale uma visita nos trechos da Calçada de Lorena e uma leitura mais profunda sobre as suas particularidades.

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Notamos que desde a metade do século passado até nossos dias, a literatura vem constantemente, expondo opiniões de vários autores e cientistas, sobre o tema de “Pessoas Idosas”, cada qual dando um nome e conceitos. No século passado, as pessoas se aposentavam, em torno dos 50 a 60 anos, eram colocadas a escanteio e tidas como velhas e descartadas. Raros eram aqueles que ultrapassavam incólumes, aquele período perante a sociedade.
O aumento de anos (vida longa) é também decorrente da redução da taxa de fertilidade observada nestes últimos tempos, e chegará sem dúvida em 2025 em 125 países, que terão a taxa de fertilidade abaixo do nível de exposição (média de fertilidade 2.1 de criança por mulher).
Hoje os especialistas nos estudos do envelhecimento referem-se a três grupos de pessoas: mais velhos; idosos jovens entre 65 a 74 anos e pessoas, ativas.
Idosos mais velhos, de 85 anos ou mais, são aqueles com maior tendência para as doenças ou menos atividades.
Outros autores informam suas ideias como:
1- primeiro menor de idade 0 a 17 anos;
2 – jovens de 18 a 65 anos;
3 – meia idade 66 a 79 anos;
4 – idoso 80 a 90 anos;
5 – idades alongadas maiores de 100 anos.
Hoje falamos idoso e igual velho, igual terceira idade igual gerontolescentes, mais nunca muda o que somos.
Devemos aprender a vida toda, sem imaginar que a sabedoria só vem com a velhice, que segundo o portal do envelhecimento, nos levou um novo conceito para os idosos, usando termo gerontolescentes, para que viva e utilize a liberdade e sabedoria, que conquistou ao longo da vida e termos em mente que atualmente passar dos 60 anos, não e mais motivo para os filhos cuidarem de você ou ser tratado como criança, como era anteriormente. A partir do ano 2000 têm aparecido inúmeros tratadistas e cientistas que falam sobre o tema VELHICE ou segundo (Neri e Freire 2000), então terceira idade, melhor idade, adulto maduro, idoso, velho, antigo, gasto pelo tempo, obsoleto, temas estes que percebemos o sentido negativo destas palavras, mas para Gibson (2000), são palavras preconceituosas e para ele não sugere desgaste fora de moda, mas simplesmente refere um número de anos que a pessoa viveu, e por isso deve ser chamado simplesmente de velhos ou idosos.
Para San Martin e Vastos (1996), não há consenso sobre a palavra velho, porque as divisões cronológicas da vida do ser humano não são obsoletas, pois a velhice não é definida por simples cronologia do tempo, mas, sim pelas condições físicas, funcionais, mentais e saúde das pessoas, onde se pode observar as diferenças biológicas e subjetivas em indivíduos da mesma idade.
Por isso que no estudo da idade deve ser analisado, primeiro pela a idade cronológica, pela biológica social e fisiológica, e quando estudados estes fatores, pode se definir um perfil de idade e de envelhecimento, pois isto é uma fase da vida como todas as outras, não existem marcadores de seu começo e o fim.
Cada qual tem seu tempo de vida. Hoje graças a tecnologia medica, e cuidados sociais e o alongamento da idade, falamos em gerontolescente com atividades quase integrais em grandes porcentagens dos idosos, termos que eu aprecio. O idoso deve merecer a consideração de todos, porque durante sua longa vida, deveu a seu modo, contribuído para o desenvolvimento do ambiente em que viveu, e por isso deve merecer toda consideração da sociedade onde vive.

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Em meio à pandemia de Covid-19, o número de famílias endividadas nas capitais brasileiras subiu no primeiro semestre do ano a uma velocidade seis vezes maior do que o crescimento do próprio volume de novas famílias: de 10,6 milhões para 11,2 milhões de núcleos familiares com alguma dívida. É o que mostra a Radiografia do Endividamento, um levantamento realizado pela Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP).

Enquanto o número de famílias subiu 0,8% (pouco mais de 126 mil novas famílias) em junho de 2020, em comparação a junho de 2019, o endividamento familiar teve alta de 6% (quase 638 mil a mais de lares) no mesmo intervalo de tempo. Não é exagero afirmar, assim, que uma família pode ter dívidas antes mesmo de se formar.

Segundo os dados, 67,4% das famílias brasileiras vivendo em capitais estavam endividadas no final do primeiro semestre – número que era de 64,1% em 2019.

A pesquisa da FecomercioSP considera como endividadas todas aquelas famílias que precisaram recorrer a algum crédito a prazo para compensar pagamentos imediatos à vista, como empréstimos formais e informais e alguns tipos de financiamentos, como os de automóveis.

No total, cerca de 34,2 milhões de brasileiros estão dentro do grupo de impactados por dívidas no primeiro semestre, dos quais 13,3 milhões deles são de lares cujas contas estavam atrasadas.

Atraso das dívidas e comprometimento da renda

Esta realidade fica ainda mais complexa levando em conta famílias que dizem ter alguma dívida em atraso: crescimento de 9,9% em comparação ao final do primeiro semestre de 2019. Considerando, da mesma forma, que o número de famílias aumentou 0,8% no período, é possível dizer que o volume de lares com contas atrasadas cresceu em uma velocidade 11 vezes maior do que o aumento populacional nos seis primeiros meses do ano, o mesmo período do auge do coronavírus no Brasil.

 

Dados mais preocupantes são os relativos à proporção da renda mensal das famílias comprometida com o pagamento de dívidas, que superou a marca dos 30% em 2020, chegando a 30,3% (o que significa dizer que um terço da renda familiar mensal nas capitais do Brasil é destinado a pagar dívidas) e, principalmente, à quantidade de famílias que chegaram a junho deste ano com contas em atraso: 26,3%, sendo que era de 23,9% em 2019.

A média da dívida mensal de famílias nesta situação também cresceu em meio à crise do Covid-19: 3,3%, passando de R$ 2.103 em junho de 2019 para R$ 2.173 agora. A alta se explica principalmente pela demanda mais intensa por crédito durante a pandemia, quando muitas famílias se endividaram. Enquanto regiões como o Sul e o Sudeste têm mais oferta de crédito formal, como bancos e instituições financeiras, no Norte e no Nordeste há maior participação dos empréstimos informais no mercado. Isso se nota observando a média mensal do total do valor mensal das dívidas entre os dois períodos comparados na pesquisa: de R$ 22,3 bilhões em 2019, e de R$ 24,1 bilhões em 2020 – crescimento de 7,8%.

Para a FecomercioSP, porém, o aumento do endividamento em paralelo com o crescimento da renda se deve, também, ao desequilíbrio na oferta de crédito formal e informal entre as  diferentes regiões do Brasil.

Capitais

Segundo os dados da radiografia, Natal foi, em junho de 2020, a capital com o maior porcentual de famílias endividadas (96%), ultrapassando o posto normalmente ocupado por Curitiba (90%) em anos anteriores e São Luís (86%), o que evidencia mais distribuição geográfica do fenômeno.

No entanto, quando se considera a proporção da renda média mensal familiar comprometida com dívidas, as capitais do Nordeste e do Norte ficam em evidência: Manaus, onde 45% da renda são destinados a para pagar contas todo mês, é o que vive a pior situação, seguida por Rio Branco (39,2%) e Teresina (39%). Salvador (38,1%) e Macapá (33,7%) completam o grupo das cinco capitais.

No caso do Estado do Amazonas, um dos que mais sofreram com a pandemia, a capital Manaus registrou o maior aumento de famílias com renda mensal comprometida para pagar dívidas: 31% no final do primeiro semestre de 2019 para 45% agora.

Considerando ainda apenas as capitais, nota-se disparidade também no movimento das rendas mensais, com crescimento em alguns locais e queda em outros, na comparação de junho de 2020 com junho de 2019. Se, por um lado, os rendimentos subiram 15,59% em Belém (PA), 13,34% em Manaus (AM) e  11,71% em Natal (RN), por outro, caíram em cidades como Vitória (-12,14%), Campo Grande (-9,93%) e Porto Alegre (-7,51%).

Outra cidade que chama atenção na radiografia é Natal, no Rio Grande do Norte (RN), que experimentou um aumento expressivo do endividamento familiar: de 74% para 96% (alta de 22 pontos porcentuais) no primeiro semestre. Na capital potiguar houve também o maior aumento de famílias com contas em atraso: de 29% para 48%. Para a Federação, o quadro é preocupante, porque a renda mensal familiar na cidade ainda é 13% inferior à da média das demais capitais, mesmo após haver mostrado elevação de 11,7% entre junho de 2020 e o mesmo mês do ano anterior.

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