18 Jun 2024


Reforço à polarização

Publicado em Editorial
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   O ex-presidente Jair Bolsonaro reuniu cerca de 32 mil pessoas na praia de Copacabana, Rio de Janeiro, segundo estimativas da USP, no domingo (21). Em pleno ano eleitoral, a manifestação ocorreu em busca de apoio popular por parte de Bolsonaro, pressionado por investigações que correm no STF (Supremo Tribunal Federal) e pelas condenações que o deixaram inelegível até 2030. A primeira delas foi realizada na Avenida Paulista, em fevereiro último, e a próxima deve ser feita em Joinville (SC), possivelmente, já no próximo mês.
   O evento foi marcado pelas críticas ao governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), ao presidente do Congresso, Rodrigo Pacheco (PSD-MG), e por manifestações de gratidão ao empresário Elon Musk, dono do X, da Tesla, da SpaceX e da rede de satélites Starlink. Bolsonaro, em seu discurso, se referiu ao empresário como “mito da liberdade”.
   Na ocasião, Bolsonaro utilizou palavras como “tosco e grosso”, para referir a si mesmo, e evitou ataques ao ministro Alexandre de Moraes. Assim, coube ao pastor Silas Malafaia, um dos organizadores do ato, a função de criticar a conduta do ministro do STF, Alexandre de Moraes. Malafaia chamou o juiz da suprema corte, de “ditador”, “censor da democracia” e, Rodrigo Pacheco, “covarde, frouxo e omisso”.
   A ex-primeira-dama, Michelle Bolsonaro, também subiu ao carro de som proferindo palavras como se estivesse num culto evangélico. Em uma mistura de pregação, com fala para os apoiadores e eleitores, Michelle, entre uma e outra louvação a Deus, lembrou que é preciso escolher bem, neste ano de disputa eleitoral municipal. De preferência, candidatos “do bem”.
   Durante o ato, foi como se o ex-presidente não fosse alvo de investigação por tentativa de golpe de Estado, nem houvesse ocorrido o episódio das joias da Arábia. Bolsonaro disse que vem sofrendo pressão e que “o sistema quer completar Juiz de Fora”, afirmou, se referindo a 2022, quando foi vítima de uma facada. Assim, sugeriu que o querem morto, seja politicamente ou fisicamente eliminado.
   O evento deixou transparecer, de maneira escancarada, a forte polarização política que paira sobre o País e é corroborada pelo “outro lado” da polaridade, ou seja, o lulopetismo. Afinal, enquanto o Brasil focar em apenas duas únicas forças na política nacional, não haverá espaço para novos atores que possam debater pautas de interesse da população e que não estejam alimentadas pelo fundamentalismo que intensifica os conflitos no mundo virtual.
   Assim, os movimentos se repetem de maneira cíclica à exaustão. Uma hora o polo da direita avança, coloca uma peça, mas logo a esquerda também se movimenta, fazendo a sua jogada. Tudo regado a muito “eles” contra “nós”, “o bem” contra “o mau” e outras infinitas particularidades, que são utilizadas para manobrar a população rumo aos interesses de determinado grupo político. Tudo como em uma dança, ensaiada desde 2018, que ainda segue no palco, com os mesmos atores, com os mesmos passos, mas com “novas apresentações”.
   A plateia, evidentemente, se movimenta em torno desse ritmo. Nesta verdadeira “guerra política”, que paira sobre o País, desde 2018, de forças polarizadas, a destruição não só atinge os dois lados, mas tem destruído a nação.
   Faltam soluções efetivas para a economia, para a criminalidade, para a educação. E esse vazio de conteúdo, impulsionado pelo ódio contra tudo e todos que pensarem diferente, faz com que a busca por resultados eficazes para os desafios do país continuem sendo adiados. Isso não mudará, enquanto a política nacional continuar refém dessa polarização desgastante e improdutiva.

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